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sexta, 05 de março de 2021
Cidade

Obstinado, Kauan abandona a cadeira de rodas e “pai herói” monta equipamentos artesanais em casa

08 Ago 2016 - 05h58
Foto: Marcos Escrivani - Foto: Marcos Escrivani -

Cadeira de rodas? Hoje, apenas para locomoção na escola. No dia a dia, caminha com auxílio de um andador. Mas em um futuro breve, a meta é utilizar muletas. Ou quem sabe... O dia de amanhã, a Deus pertence.

Assim é o cotidiano do pequeno Kauan, de apenas 7 anos. Diariamente tem feito exercícios fisioterápicos que o auxiliam a andar. Dedicado, contou com o auxílio do "pai herói" Paulo Daniel de Moraes Santana que, em sua residência, na rua República Dominicana, na Vila  São João Batista montou equipamentos artesanais para que seu filho realize exercícios sem sair de casa.

Kauan nasceu com paralisia cerebral que afetou sua coordenação motora. Na época, o veredicto médico era sombrio: ele nunca andaria e iria se locomover somente com cadeira de rodas. Não sentava sozinho e tinha movimentos limitados.

Entretanto, após sete anos, a vida de Kauan deu uma guinada radical. Positivamente, diga-se de passagem.

No caminho, percalços e muitas pedras, mas todas removidas diante de muita dedicação, superação e perseverança.

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Pela segunda vez em 2016, Paulo e Kauan receberam a reportagem do São Carlos Agora para entrevista exclusiva. Na primeira, o "pai herói" abandonou o emprego para ser cuidador do filho que hoje estuda no primeiro ano do ensino básico na Escola Estadual Andrelino Vieira, na Vila São José.

"Na época houve vários problemas, mas graças a Deus tudo foi resolvido e hoje o Kauan tem uma cuidadora fornecida pelo Estado. Mas por vários dias fiz às vezes de cuidador", lembrou.

Entretanto, até hoje Paulo não conseguiu emprego de motorista particular, sua profissão de origem. "O mercado está complicado, falta opção, mas estou procurando uma ocupação. Tenho fé que irei conseguir um trabalho e assim dar uma qualidade de vida melhor para meu filho", disse.

Mas nesta segunda entrevista, orgulhoso, o "pai herói" fala da obstinação do filho que hoje raramente usa a cadeira de rodas. Diariamente Kauan se submete a exercícios diários de fisioterapia. A rotina dura seis anos e meio. "Agradeço a Clínica Primeiros Passos (propriedade de Mário Capelossi) e a fisioterapeuta Rubia Franco que atendem ao Kauan e dão 100% do tratamento", explica.

As sessões de Kauan são de segunda-feira a sexta-feira. Ele tem ainda sessões com psicopedagoga, fonoaudióloga e de Equoterapia, além de aulas de judô com a professora Anne.

EM CASA TAMBÉM

Entretanto a força de vontade do pequeno são-carlense surpreendeu o pai. "Ele me disse que não queria mais andar em cadeira de rodas". Diante de tal frase, Paulo disse que tentou fazer equipamentos para que Kauan pudesse praticar em casa, as mesmas atividades que realizada na clínica.

"Mas ficou muito caro. Então tirei as medidas dos equipamentos na clínica e em casa construí com madeira, barras paralelas e de agachamento. Hoje ele faz exercícios pela manhã e à tarde", comentou.

Mostrando felicidade e disposição, Kauan foi indagado o motivo pelo qual queria andar. Respondeu rápido, mesmo com 7 anos. "Para eu ir onde quiser e namorar bastante".

MOTIVAÇÃO

Paulo, por sua vez, não esconde a felicidade em ver o filho evoluir. "Minha alegria é ver que tudo isso parte dele. Eu procuro motivar, mas ele que me puxa várias vezes para fazer os exercícios. Vou com toda a satisfação. É gratificante presenciar e participar desses momentos. Quero que o Kauan seja independente, mesmo que tenha alguma limitação. Quero ver ele estudar, viver, sorrir, sair, brincar. Faço tudo para que meu filho conquiste seus objetivos e torne realidade os seus sonhos", finalizou o orgulhoso "papai herói".

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