
Imagine um menino que tinha 6 anos em 1985, quando uma das maiores bandas de rock do Brasil surge com vários sucessos e que um dia seria chamado para fazer parte desta banda. E não em um papel de coadjuvante, mas sim para substituir um vocalista carismático, galã e sexy simbol. Foi este o “conto de fadas” da vida real que viveu o são-carlense Dioy Pallone.
Em 2018, depois de tocar com sua banda Carrão de Gás em São Paulo, o baixista e vocalista Dioy conheceu Fernando Deluqui. Depois de muitas conversas, ele foi convidado pelo veterano do RPM a integrar a banda. Assim, o músico e empresário são-carlense viveu quase sete anos, dividindo a vida entre a empresa de comércio de veículos da família e os palcos ao lado de Deluqui, o tecladista Luiz Schiavon e o baterista Paulo Pagni. Ele ocupou o lugar de ninguém mais, ninguém menos do que Paulo Ricardo.
Nesta terça-feira 17 de dezembro, Dioy participou do SÃO CARLOS AGORA ENTREVISTA, onde falou de sua carreira como músico e também da sua presença na banda RPM.
Dioy afirma que nunca nem imaginou o cenário descrito acima. Segundo ele, se fosse refletir tudo isso, talvez nem aceitasse participar do projeto. Em 2018 ele iria ser pai pela segunda vez e afirma que estava mais confuso por esta causa do que pelo convite inusitado que recebeu para integrar o RPM.
Neste período, Dioy fez parte de uma banda que passou a ter quatro vocalistas e não apenas um que encarnava o papel de grande protagonista. Aliás, Dioy cantou utilizando sua própria voz e nunca chegou a tentar imitar Paulo Ricardo, dando sua marca à banda.
Desta forma, Dioy dedicou sua energia e talento e ajudou a compor o álbum “Sem Parar”, gravado em vinil. “Ah, Onde Está Você”, composição de Dioy do Carrão de Gás, tornou-se um grandes hits do disco, que também conta com composições de Deluqui, como “Escravo da Estrada”, de Deluqui e “O Sol da Liberdade”, de Schiavon.
Agora, depois destes quase sete anos e as mortes de Pagni e Schiavon, fundadores do RPM em 1984, Dioy decide deixar o RPM. Por conta de uma disputa na Justiça entre Deluqui e Paulo Ricardo, a partir de 2025, o RPM terá a denominação de “RPM, o Legado”.
A morte de Schiavon, que tornou-se um grande amigo do são-carlense, foi um fator decisivo para a decisão do baixista e vocalista. Aliás, Dioy chama Luiz Schiavon de “Schia”. “Indagado sobre o que é o rock in roll, o músico afirmou que o ritmo é simplesmente “tudo”. Ele ressalta que tornou-se roqueiro após ver um show do Kiss na Rede Globo em 1983, aos 4 anos. O vocalista se diz muito fã de algumas bandas como Rolling Stones, Beatles, Barão Vermelho, Led Zeppelin, Ultraje a Rigor e, surpreendendo, disse não apreciar muito a mitológica Legião Urbana e a gaúcha Engenheiros do Hawaii.
No próximo dia 30 de dezembro em Jardim Alegre (PR), Dioy fará, na praça central, a partir das 20h, o seu último show com o RPM. Ele garante que não vai se emocionar, não vai chorar e nem se despedir dos fãs. “Só tenho a agradecer este tempo de estrada e esta experiência maravilhosa. O RPM faz parte da vida das pessoas. Todo mundo tem alguém na família que teve esta banca como trilha sonora. Então, fazemos parte da história das pessoas”, comenta Dioy.
Segundo ele, a morte de Schiavon foi fator decisivo para ele deixar o RPM. “Nos últimos meses as coisas não andaram como gostaríamos que andassem e parou de fazer sentido a minha presença na banda. É só isso. Ficam todas coisas boas e só tenho a agradecer a oportunidade e a confiança no meu trabalho. As coisas ruins a gente deixa pra trás. A vida é muito curtinha para remoermos problemas”, destaca.