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domingo, 17 de fevereiro de 2019
Artigo Rui Sintra

O choro das viúvas

09 Fev 2019 - 06h50Por (*) Rui Sintra
O choro das viúvas -

Como não podia deixar de ser, e seguindo seu habitual estilo que envergonha qualquer cidadão e/ou eleitor de bem, o Senado Federal fez jus à sua fama e presenteou o povo com mais um degradante espetáculo durante a eleição para a presidência da casa. E esse show não foi mais degradante porque quase metade do velho contingente, que durante longos anos fez da política a sua profissão, tentando passar o bastão para seus filhos, simplesmente foi varrido pelo resultado das últimas eleições: ou seja, o eleitor finalmente entendeu que o Senado albergava uma corja suspeita. Contudo, embora o velho contingente tenha sido dizimado, dando entrada a sangue novo - quiçá com outro nível de educação e de compreensão cidadã, disposto a trabalhar efetivamente para a população -, soçobrou o velho “coronel” que, mesmo desguarnecido da tropa, tentou por todos os meios sentar-se na cadeira central da mesa. Cheirou a bafo de onça a ingênua tentativa de fraude na eleição para a presidência do Senado (81 senadores e 82 cédulas de votação), como também cheirou a algo esquisito o fato do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, ter determinado, em plena madrugada do dia 02, que a votação fosse a secreta, confirmando, talvez, estar passando por algum estado de insônia que o obrigasse a ficar acordado em plena madrugada de sábado. Com o circo montado pela senadora e contorcionista Kátia Abreu, e com o velho “coronel” aos gritos, alegando que os senadores não podiam declarar seu voto, pois feriam os estatutos e as regras do Senado, além da determinação de Toffoli, a “velha raposa” até esqueceu o momento em que ela própria violou todas as regras da Casa quando, no impeachment de Dilma Rousseff, a livrou de ficar impedida de exercer os direitos políticos, com a conivência do então presidente do STF, Ricardo Lewandowsky. Completamente fora de si, desfigurado, a “velha raposa” alegou, em discurso, que o Senado foi dizimado pela saída dos senadores “mais experientes” e que a nova geração de parlamentares jogou o Senado no rés-do-chão da casa, sendo necessário, segundo ele “procurar pessoas que reergam o Senado”. Prestes a perder seu espaço de influência, do “toma-lá-dá-cá” e de outras negociatas a que esteve habituado ao longo dos anos, a “velha raposa política” acabou por desistir de sua candidatura, restando agora apenas exercer suas influências no grupo de viúvas que ainda sobreviveu nesta eleição do Senado e, quem sabe, dedicar-se à guerrilha interna da casa. De fato – e como foi dito por um dos novos senadores eleitos -, os novos parlamentares entraram para tornar o Senado em uma referência para o País, tendo sido eleitos pela população, sendo que nenhum deles deverá seguir o medo imposto na casa, mas sim o respeito: “Para que o mal triunfe, basta que o bem não faça nada”.  Por outro lado, os membros do STF – incluindo seu atual presidente - deverá tomar mais atenção às suas próprias posturas. Tal como sabiamente disse o presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln: “Nós, cidadãos, somos os legítimos senhores do Congresso e dos Tribunais, não para derrubar a Constituição, mas para derrubar aqueles que pervertem a Constituição”.

(*) O autor é Jornalista profissional / Membro da GNS Press Association (Alemanha) / Correspondente internacional freelancer.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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