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segunda, 09 de fevereiro de 2026
Saúde

Anvisa alerta para risco de pancreatite ligado a canetas emagrecedoras

09 Fev 2026 - 18h53Por Da redação
Canetas emagrecedora - Crédito: FreepikCanetas emagrecedora - Crédito: Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nesta terça-feira (9), em Brasília, um alerta de farmacovigilância sobre os riscos do uso inadequado de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. Entre os fármacos citados estão a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida.

Em nota, a Anvisa informou que, embora os riscos já constem nas bulas dos medicamentos aprovados no Brasil, houve aumento no número de notificações de eventos adversos tanto no cenário nacional quanto internacional, o que motivou o reforço das orientações de segurança.

“Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado”, destacou a agência.

Segundo a Anvisa, o acompanhamento médico é essencial devido ao risco de eventos adversos graves, como a pancreatite aguda, que pode evoluir para formas necrotizantes e até fatais. Apesar do alerta, a agência ressaltou que não houve alteração na relação risco-benefício das substâncias. “Os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula”, informou.

O comunicado também menciona que, no início do mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), do Reino Unido, emitiu alerta semelhante sobre o risco, ainda que pequeno, de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam esses medicamentos.

Números

Dados da Anvisa mostram que, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados ao uso das canetas emagrecedoras no Brasil, além de seis casos com suspeita de óbito.

Em junho de 2025, a agência determinou que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desses medicamentos. Desde então, a prescrição passou a ser feita em duas vias, e a venda só pode ocorrer com a retenção do receituário, modelo semelhante ao adotado para antibióticos. A validade da receita é de até 90 dias a partir da data de emissão.

“A decisão teve como objetivo proteger a saúde da população brasileira, visto que foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas”, destacou a Anvisa. A agência reforçou ainda que o uso indiscriminado, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, aumenta significativamente o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves.

Orientações

A Anvisa orienta que usuários procurem atendimento médico imediato em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos, sintomas sugestivos de pancreatite. Profissionais de saúde devem interromper o tratamento ao suspeitar da reação e não retomá-lo caso o diagnóstico seja confirmado.

A agência também reforçou a importância da notificação de eventos adversos no sistema VigiMed, utilizado para o monitoramento da segurança de medicamentos e vacinas no país.

Histórico

Nos últimos anos, a Anvisa já havia emitido outros alertas relacionados às canetas emagrecedoras, incluindo o risco de aspiração durante procedimentos anestésicos, em 2024, e a associação rara entre o uso de semaglutida e perda de visão, em 2025.

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