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quarta, 08 de dezembro de 2021
Talento da terra

São-carlense com síndrome de Down é vice-campeã em torneio internacional de para-caratê

Competição online reuniu 46 para-caratecas de sete países; em 2021, Lalá foi bronze no Campeonato Paulista

18 Out 2021 - 07h17Por Marcos Escrivani
Lalá com as suas conquistas: uma atleta são-carlense com talento muito especial - Crédito: Marcos EscrivaniLalá com as suas conquistas: uma atleta são-carlense com talento muito especial - Crédito: Marcos Escrivani

Com 25 anos de idade, simpática, mas acanhada, a para-carateca Grazielle Claudino Lalá Pereira, é um talento nato do esporte são-carlense. Aluna na Acorde e atleta de alto rendimento da equipe Grêmio São-carlense/Academia Wada, a são-carlense coleciona títulos no para-caratê.

Com síndrome de Dawn, é filha do casal Reginaldo Santos Chaves, 42 anos e de Cláudia Ap. Claudibo Chaves, 48 anos e reside no Planalto Verde. Recentemente conquistou a medalha de prata no Karatê Alliance Mediterranea, campeonato de katá online que reuniu 46 para-caratecas do Brasil, Argentina, Venezuela, México, França, Alemanha e Malta, além de medalha de bronze no Campeonato Paulista de kata (também online). Em 2020 participou ainda do 1º Festival de Para-caratê de Inclusão Social.

As competições realizadas em 2021, devido a pandemia da Covid-19 foram feitas mediante chamadas de vídeo onde simulava enfrentar um adversário imaginário (kata) e uma bancada de juízes avaliava as suas apresentações. Ela foi a única representante são-carlense no torneio.

DEDICADA

O São Carlos Agora foi até Lalá e na presença da mãe Cláudia e da auxiliar administrativa da Acorde, Raquel Alves Borba, fez uma entrevista onde a encabulada para-carateca não escondeu a paixão pela modalidade esportiva.

Treina três vezes por semana com a equipe Grêmio São-carlense/Academia Wada. À reportagem, Lalá não escondeu sua alegria.

“Estou feliz, pois ganhei até um coração de amor (gesto feito com as duas mãos). Consegui ganhar pois treino bastante e adoro o caratê”, disse.

ELA ALVINEGRA, ELE ALVIVERDE

Durante a reportagem, Lalá mencionou um detalhe curioso e que mostra que o esporte faz amigos. Garantido ser “corintiana roxa”, a são-carlense afirmou que nos treinos o único senão é o fato do seu treinador (e professor) torcer para um time adversário.

“Meu sensei (Adriano Wada) é palmeirense e já pedi até para ele trocar de time. Mas não tem problema, pois a gente ganhou dele (se referindo a recente vitória do Corinthians sobre o Palmeiras no Campeonato Brasileiro – 2 a 1).

“Mas isso não tem problema não. Gosto do meu técnico e amo o caratê. Torcer é só para passar o tempo”, emendou.

ARNOLD SPORTS

Em 2019, a mãe de Lalá, Cláudia, disse que a filha participou em São Paulo do Arnold (Arnold Schwarzenegger) Sports Festival South América e sagrou-se campeã brasileira. Na oportunidade, tirou foto ao lado do ator austríaco.

AMOR DE MÃE

Durante a entrevista, vaidosa, Lalá estava com os cabelos pintados de vermelho. Ao lado da mãe, demonstrava um carinho incomum. Ela treina há 14 anos, mas antes disso, Cláudia afirmou que passou por momentos delicados.

Quando a Lalá nasceu, não sabia que ela tinha Síndrome de Dawn. Não sabia nem o que iria enfrentar nos anos seguintes. Mas fiz tudo com muito amor e carinho”, afirmou a emocionada mamãe.

Cláudia disse que Lalá começou a andar com três anos e teve pneumonia por 15 vezes até os 5 anos de vida.

“Depois que tudo foi estabilizando e entrando em um ritmo mais tranquilo, coloquei a Lalá para fazer balé e jazz. Ela gostava e se saia muito bem”, disse a mãe coruja. “Mas queria que praticasse algum esporte, pois ajudaria muito na coordenação motora. Inicialmente ela começou a fazer caratê na Akasc, mas depois fomos para a Academia Wada. Chegou um momento que ela não queria mais praticar por medo, mas insisti e comecei a praticar também a título de dar um estímulo a mais para ela e deu certo” lembrou.

Sobre as conquistas de sua filhota, Cláudia não esconde o orgulho. “É muito gratificante ver ela feliz e participar de eventos esportivos. É uma felicidade que não tem como eu explicar”, finalizou.

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