quarta, 18 de maio de 2022
De sonho a realidade

Nadador de time são-carlense vai em busca de medalha no Japão

José Ronaldo da Silva tem hoje a terceira melhor marca do mundo nos 50m costas e não esconde ansiedade

09 Ago 2021 - 08h06Por Marcos Escrivani
Ao lado da esposa, José Ronaldo quer dar braçadas douradas nas Paralimpíadas - Crédito: DivulgaçãoAo lado da esposa, José Ronaldo quer dar braçadas douradas nas Paralimpíadas - Crédito: Divulgação

Em apenas seis anos, o que era um sonho, hoje é realidade na vida do nadador José Ronaldo da Silva, que representa a LCN/Aquário Fitness, que tem no comando do técnico Mitcho Bianchi. Ambos, ao lado do também nadador Ronystony Cordeiro da Silva, foram convocados para integrar a seleção brasileira que estará de 24 de agosto a 5 de setembro representando o país nos Jogos Paralímpicos de Tóquio.

Em entrevista ao São Carlos Agora, José Ronaldo relatou os momentos de apreensão e euforia. A delegação brasileira embarca nesta segunda-feira, 8, rumo a Tóquio onde irá iniciar um período de quarentena devido a pandemia da Covid-19 e posteriormente aclimatação.

O nadador, natural de Descalvado, não esconde que não vai a Tóquio a passeio. Pelo contrário: quer estar no pódio nas duas provas onde irá estar presente. Nos 50 metros costas, onde tem a terceira melhor marca do mundo e recorde das américas e nos 100 metros costas (quinta melhor marca). “Sei que é difícil, mas quero lutar pela medalha de ouro”, disse José Ronaldo, que irá competir na categoria S1. “Estou treinando forte, com muita dedicação. Passei por muitas adversidades, treinei com a água a 10 graus”, desabafou o nadador que não esquece ao apoio do técnico Mitcho Bianchi que sempre esteve ao seu lado e da família. “Minha mãe (Trindade Cortês Real), meu pai José Geraldo da Silva) e minha esposa (Jucelene Cristina Gallo) me apoiaram sempre. Meu porto seguro”, comentou.

FÉ DESDE O INÍCIO

José Ronaldo aprender a nadar, literalmente, em 2016, na Aquário Fitness e logo nas primeiras braçadas disse ao treinador e aos amigos que iria chegar até os Jogos Paralímpicos. “Ninguém acreditava, mas consegui cumprir minha promessa. É difícil agora mensurar tudo o que sinto, que vai ser a concretização de um sonho. Mas quero ter a chance de conquistar o pódio e ajudar muitas pessoas”, afirmou.

TETRAPLEGIA

Hoje, José Ronaldo é tetraplégico e compete na categoria S1 (atletas com maior grau de lesão medular). Mas há 15 anos, era funileiro em Descalvado e no dia 8 de outubro de 2006, um acidente próximo a rotatória da sua cidade natal, seu carro capotou. “Estava indo a trabalho em São Carlos”, recordou.

Após o grave acidente, ficou internado três meses (30 dias somente na UTI da Santa Casa. Recebeu alta, mas ficou acamado por dois anos. Depois somente em cadeira de rodas. “O diagnóstico da época era que do pescoço para baixo eu não ia ter mais nenhum movimento. Tetraplegia completa”, comentou.

José Ronaldo disse que apenas escutou e se resguardou. Chegou a procurar tratamento no Hospital Sarah Kubitschek (Brasília/DF) e buscou a reabilitação, conseguindo alguns movimentos após três meses.

Foi justamente no hospital que tomou conhecimento de esportes adaptados e em 2009, ha UFSCar, praticou o handebol em cadeira de rodas por dois anos. Mas sofreu uma lesão, ficou acamado, entrou em depressão e ficou por cinco anos sem praticar nada. “Foram cinco anos assim”, disse.

Mas em 2016, graças ao incentivo de um amigo, começou a praticar a natação na Aquário Fitness. “Eu não sabia nada. No começo era meio arrastado, mas fui e não desisti. E hoje estou aqui”, finalizou, ao sinalizar que é campeão brasileiro, campeão paulista, dos Jogos Regionais e Abertos do Interior.

RONYSTONY TAMBÉM

Também integrante do time são-carlense, Ronystony Cordeiro da Silva, 41 anos, vai para sua terceira paralimpíada. Ele esteve presente em Londres (2012) e Rio de Janeiro (2016).

O nadador estará nos 50m livre e 50m costas e afirmou que a sua vontade de brigar pelo pódio é grande. “Me preparei muito para conquistar esta convocação. Acredito que posso surpreender”, afirmou, salientando que é um orgulho de representar o Brasil e a cidade de São Carlos “É maravilhoso. “Em qualquer competição com a seleção brasileira sempre vai um grande orgulho para mim”, afirmou.

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