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segunda, 02 de agosto de 2021
Espetáculo Natal de Luz

Orquestra Jazz Sinfônica e maestro Agenor Ribeiro Netto encantam público no São Carlos Clube

17 Dez 2018 - 12h52Por (*) Cirilo Braga
Orquestra Jazz Sinfônica e maestro Agenor Ribeiro Netto encantam público no São Carlos Clube - Crédito: Walter Caparros Blanco Crédito: Walter Caparros Blanco

Durante mais de duas horas de apresentação na sede de campo do São Carlos Clube neste domingo (16), sob a batuta do performático maestro Agenor Ribeiro Netto, a Orquestra Jazz Sinfônica de São João da Boa Vista encantou e emocionou o público no 3º Espetáculo Natal de Luz.

Logo na abertura, as centenas de pessoas presentes ao evento aberto à comunidade tiveram uma mostra da preciosidade do concerto ao presenciar a execução de “Tara's Theme”, do filme “E o vento levou”, após o maestro dizer que a plateia seria transportada para o século passado, quando a música erudita passou a ser tema de filmes por retratar sentimentos tão vastos como emoção, paixão, medo, amor, angústia e saudade.

Seguiu-se a primeira parte de “Uma pequena serenata noturna”, de Mozart,acrescida por uma pequena aula do regente. Elegante e carismático, Ribeiro Netto pediu que a orquestra aplaudisse o público, a quem ofereceu a barroca “Scarborough Fair”, em outra viagem para o século X, na canção redescoberta nos anos 1960 por Simon e Garfunkel, também exibida na recente novela “Deus Salve o Rei” e ali no palco esplendidamente executada pela solista Poliana e pelo flautista Rodrigo Mendonça.

CANTORES

De repente, voa-se para o ano 2000 e é possível saborear a salada musical que junta Adoniran Barbosa com Pink Floyd. Então o maestro adjunto J.Lobo assume a batuta no tema instrumental do seriado Swat e na sequência ecoa a voz poderosa de Jô Martucci no fado “Canção do Mar”, de Amalia Rodrigues e num medley de canções francesas (Vie D'Amour e La Mer).

Do cast da “Sinfonia das Águas” de Poços de Caldas, assim como Jô, se apresentou o cantor Andre Sabino, com “I Just Called to say I love you Stevie Wonder e a sublime What a wonderful world, de Louis Armstrong.

Faltava entrar em cena o lado sanfoneiro do maestro. E lá estava ele tocando Luiz Gonzaga (“Qui nem Jiló” e, lembrando os 80 anos da morte de Lampião, autor de “Mulher Rendeira” e evocado também com “Maria Bonita”).

O sertão deu lugar ao romantismo de Jessé, na voz de Junior Almeida em Porto Solidão, precedida de “Concerto de uma só voz”, do francês Saint-Preux. “Quem não gosta de samba bom sujeito não é”, lembrou o maestro, ao descer do palco entoando – ele mesmo - “Deixa isso pra lá”, de Jair Rodrigues, para logo empolgar o público ao reger (a orquestra e a plateia) em “Trem das Onze”.

PINK FLOYD E ANDRÉ RIEU

Aquele que sempre sonhou fazer um Pink Floyd sinfônico contou ter se debruçado no trabalho por exatas 52h40 para produzir o arranjo de “Another Brick in the wall”, executada pela primeira vez no concerto anterior, o penúltimo do ano em São José do Rio Pardo. A audição em São Carlos foi a segunda. Um primor, que pode ser comprovado na transmissão ao vivo pela internet feita pelo produtor de vídeo e fotos Walter Caparros Blanco pela WCB.

Àquela altura, os contrabaixistas dançantes eram um capítulo à parte na atenção do público, que se emocionou ao ouvir o desabafo de Agenor Ribeiro Netto ao dizer que a Orquestra Jazz Sinfônico, que conta nove anos de estrada, precisou parar por oito meses em razão da falta de patrocinadores pela Lei Rouanet.

Certa vez numa rede social, um apreciador do trabalho da Orquestra notou que, se contasse com quatro câmeras, o espetáculo nada ficaria a dever aos de André Rieu.  A diferença, pois, é o fabuloso investimento recebido pela orquestra do maestro holandês e ademais, o fato de que os 75 músicos da Jazz Sinfônica não se valem de playback; fazem tudo ao vivo e sem cobrar um centavo por suas apresentações.Nesses aspectos, os brasileiros são ainda superiores a Rieu, levando-se em conta ainda que o salário dos músicos aqui está entre minguados R$ 500 a R$ 700. Esteve coberto de razão o regente no reparo que fez no centro do palco.

Um desabafo foi necessário ao mencionar a lei de incentivo à cultura, pregando sua manutenção para em consequência manter vivos muitos projetos sérios por todo o país. Algo precisa ser revisto quando o Cirque de Soleil fica com 80% da verba de incentivo à cultura de um grande banco brasileiro. Os recursos precisam priorizar patrocínios daqueles que levam a boa música para as pequenas cidades, oferecendo a quem nunca teve a oportunidade de ouvir uma orquestra. “Essa é a função da lei que a gente busca cumprir com dignidade e respeito”, falou o maestro.

NAVE SAL DA TERRA

Caio Vilela Braga, presidente do São Carlos Clube, replicou a mensagem. Lembrou que a Orquestra nada cobrou pelo concerto no Natal de Luz e dedicou uma medalha a Ribeiro Netto, convidando-o a apresentar-se proximamente para as crianças da ONG Nave Sal da Terra, no Jardim Zavaglia, onde se desenvolve um trabalho de musicalização infantil.

Canções natalinas fechariam a noite de emoção, não sem antes serem ouvidas as palavras de Lucia Nordi, presidente da ONG que atente 450 crianças: “Obrigado por partilhar. A gente espera vocês lá, para que conheçam o trabalho dessa criançada do bem”.

O maestro teve oportunidade de apresentar cada naipe da orquestra - instrumentos de sopro, madeiras, cordas, base harmônica e percussão - quando a empatia já estava instalada. O repertório eclético, as surpresas e novidades, a viagem no tempo, a interatividade – tudo isso aproximou e despertou o desejo de seguir acompanhando os passos deste maestro singular e seus pupilos.

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