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quarta, 21 de abril de 2021
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14ª edição do ChorandoSemParar homenageia Garoto, o Gênio das Cordas

01 Dez 2017 - 08h17Por Redação
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

 

O ChorandoSemParar chega à sua 14ª edição tendo como homenageado in memoriam um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos: Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto. Habitualmente refere-se a Garoto como "violonista", mas a verdade é que ele foi - como expresso no subtítulo da edição - um O Gênio das Cordas, um multi-instrumentista que além do violão, tocava também banjo, cavaquinho, bandolim, violão tenor, guitarra elétrica, guitarra havaiana e guitarra portuguesa). Isto sem falar de sua excepcional qualidade como compositor. Garoto morreu cedo, não tinha ainda completado 40 anos, mas deixou uma grande herança, que a cada dia se mostra maior e vem sendo redescoberta pelas novas gerações. A obra de Garoto é o norte principal de toda a programação fonte do ChorandoSemParar 2017, que acontece em São Carlos de 4 a 10 de Dezembro, com entrada franca para todas as atividades. O convidado homenageado será o violonista Paulo Bellinati, músico de importância fundamental na redescoberta de Garoto, de sua obra para violão e como compositor.

 

UMA SEMANA CHEIA DE ATRAÇÕES

Paulo Bellinati - que, vale mencionar, participou da 1ª edição do ChorandoSemParar, em 2004 - fará o show de abertura do festival. Em duo com a também violonista Cristina Azuma, ele toca no Teatro Municipal de São Carlos, na segunda-feira 4 de dezembro, às 20h. No repertório, naturalmente, algumas das peças que são o crème de la crème da obra de Garoto. Ao longo da semana, a programação do 14º ChorandoSemParar tem várias outras atrações. Na terça dia 5, às 20h, no Teatro Florestan Fernandes, da UFSCar, os músicos Alessandro Penezzi, Toninho Ferragutti e Ricardo Herz fazem show-tributo ao Trio Surdina - conjunto formado por Garoto em 1952 que marcou época com um trabalho que inovou a nossa música instrumental, e antecipou a bossa nova.

Destaques na programação são também as palestras, bate-papos e rodas de conversa. Na quarta dia 6, no Centro Cultural Espaço 7, às 19h, o luthier Lineu Bravo fala sobre a arte de fazer violões e sobre a sonoridade do violão tenor, o instrumento mais característico de Garoto. Logo depois, às 20h30, a produtora e pesquisadora especializada em música brasileira Myriam Taubkin conversa sobre a modernidade de Garoto. E no dia seguinte, quinta dia 7, às 20 horas, no Teatro ICMC USP, quem fala sobre o legado de Garoto é o compositor e violonista Guinga.

Na sexta dia 8 e no sábado dia 9 eventos diversos acontecem no Sesc São Carlos e na Praça XV. Entre eles, uma atividade infantil, "Garoto para a Garotada", com o grupo Choro Enturmado, um show com o quarteto do guitarrista norte-americano Mark Lambert, que vai tocar apenas composições de Garoto, em arranjos com toques jazzísticos. O programa do último dia do evento, domingo 10 de Dezembro, é, como sempre, o ponto alto do ChorandoSemParar. É quando acontece na Praça XV a incrível maratona musical, que começa às 10 horas da manhã e vai até 10 horas da noite - doze horas de "música-sem-parar"! Dezesseis atrações se revezarão ininterruptamente no palco, para que a música não pare. Entre elas, três orquestras: a anfitriã Orquestra Experimental da UFSCar, a Big Boom Orchestra, big band que vai apresentar o repertório de Garoto em arranjos para metais, e a Orquestra Popular de Paraty, grupo instrumental criado na cidade que a partir de 2018 passa a receber o ChorandoSemParar. Completam a programação, entre outros, Caixa Cubo Trio, Ricardo Herz, Nicolas Krassik, Mestrinho, Thadeu Romano, Renato Anesi Trio e Thiago Espírito Santo & Sílvia Goes. Programação completa e informações sobre todas as atrações do 14º ChorandoSemParar em www.chorandosemparar.com.br.

GAROTO - HOMENAGEADO EM MEMÓRIA

Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, é considerado o pai do violão moderno, o reformulador da linguagem harmônica do violão brasileiro. Nascido em São Paulo em 28 de junho de 1915, filho de um casal de imigrantes portugueses, não foi apenas violonista. Dominava também banjo, cavaquinho, bandolim, violão tenor, guitarra elétrica, guitarra havaiana e guitarra portuguesa. Foi quem primeiro adotou no violão os acordes dissonantes, que viriam a se popularizaram no Brasil com a bossa nova. Destacou-se também ao explorar o desenvolvimento de melodias a partir de uma sequência de acordes. Além de instrumentista, foi também compositor notável, com quase duas centenas de músicas, entre elas os clássicos "Gente Humilde", "Duas Contas", "Lamentos do Morro" e "Desvairada".

Garoto começou a carreira muito cedo, ainda menino. Não tinha nem 13 anos quando integrou uma orquestra organizada especialmente por Américo Jacomino, o Canhoto, para uma apresentação. A fase profissional teve início por em 1930, quando já era chamado apenas pelo apelido. Participou de inúmeros trabalhos em rádio, fez apresentações com diversos grupos, gravou vários discos. Em fins de 1938 mudou-se para o Rio de Janeiro, passando a trabalhar na rádio Mayrink Veiga. São dessa época suas primeiras gravações acompanhando intérpretes como Dorival Caymmi, Ary Barroso e Carmen Miranda.

O período 1939-1940 foi especialmente efervescente. Garoto foi para os Estados Unidos, para acompanhar Carmen Miranda e o Bando da Lua, e lá participou de inúmeros outros trabalhos - incluindo a gravação de discos, uma excursão por cidades americanas, e uma apresentação especial na Casa Branca, para o presidente Roosevelt.

Mas não quis voltar aos Estados Unidos. Ficou no Brasil e construiu a época mais fértil de sua carreira. Fez longas temporadas em cassinos, gravou muitos discos, como solista e como acompanhante, compôs dezenas e dezenas de músicas, escreveu arranjos orquestrais, apresentou-se como solista em recitais e concertos de música erudita. Teve intensa presença no rádio, especialmente na Rádio Nacional, onde comandou diversos programas e na qual - no programa Música em Surdina - formou com Chiquinho do Acordeom e Fafá Lemos o Trio Surdina, um dos conjuntos de maior sucesso na música instrumental brasileira.

Teve também grande convivência com músicos como Luiz Bonfá, Dick Farney, Os Cariocas, Tom Jobim, Johnny Alf, que viriam a se destacar no nascimento da bossa nova. Foram todos esses, e muitos outros, admiradores de Garoto, de suas harmonias inovadoras e de suas composições que antecipavam o movimento.

Em 3 de Maio de 1955, cheio de projetos - que incluíam uma viagem à Europa para gravar peças eruditas -, Garoto sofreu um infarto fulminante. Partiu, precocemente, antes mesmo de completar o 40º aniversário. Mas deixou uma grande herança. Um legado que a cada dia se mostra maior.

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