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segunda, 06 de dezembro de 2021
Coronavírus

Nove em cada dez pacientes de Covid-19 deixaram de tomar as duas doses da vacina, aponta estudo

Levantamento foi feito com base em 1.172 ocorrências registradas entre janeiro e a primeira quinzena de setembro

26 Out 2021 - 09h48Por Instituto Butatan
Nove em cada dez pacientes de Covid-19 deixaram de tomar as duas doses da vacina, aponta estudo - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Segundo um levantamento do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, nove em cada dez pacientes de Covid-19 são pessoas que não completaram o esquema vacinal contra o SARS-CoV-2. O estudo foi feito com base em 1.172 ocorrências registradas entre janeiro e a primeira quinzena de setembro e apresentado pelo infectologista Jamal Suleiman em coletiva de imprensa no início deste mês. De acordo com o médico, o número de casos de pacientes que não haviam tomado as duas doses da vacina era de 1.034, enquanto o dos imunizados foi de 138.

“Isso mostra o que desde o começo a gente tem dito: o papel da vacina é proteger pessoas. A gente não consegue todas, mas o máximo de proteção, no máximo de indivíduos”, salientou Jamal. Dos 1.172 casos identificados no levantamento, 274 evoluíram a óbito. Destes, 237 não haviam recebido nenhuma dose da vacina, 21 apenas a primeira dose e 16 tinham recebido as duas doses. "Nenhuma medida trouxe um impacto na redução de casos e no aumento da sobrevida igual à vacinação", completou o chefe da unidade de terapia intensiva do Emílio Ribas, Jaques Sztajnbok, na mesma ocasião.

Os médicos também ressaltaram a importância de todas as pessoas que podem tomar a vacina completarem as duas doses e, se forem profissionais da saúde ou idosos, tomarem a dose de reforço para potencializar a imunidade contra a Covid-19. “É fundamental que as pessoas acorram aos sistemas de saúde para receber esses agentes imunizantes, o que inclui a dose de reforço nos indivíduos elegíveis para essa abordagem”, destacou Jamal.

A dose de reforço é essencial por conta da ameaça da variante delta do SARS-CoV-2, do fenômeno da imunossenescência, que faz com que o organismo dos mais velhos não reaja tão bem aos imunizantes, e à natural queda na proteção contra a Covid-19 detectada em todas as vacinas após seis meses. “Preste o máximo de atenção às autoridades sanitárias, observe os critérios de elegibilidade e busque a imunização”, orientou o médico.

Os números do levantamento do Emílio Ribas se alinham a outras pesquisas que vêm sendo publicadas nos últimos tempos e mostram a eficácia da vacinação para a diminuição dos números de casos sintomáticos e óbitos. Todas as vacinas aprovadas para uso no Brasil se mostraram eficazes nos testes clínicos e estão apresentando alta efetividade no mundo real. 

Isso acontece também com a CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac contra a Covid-19. No Projeto S, estudo de efetividade feito pelo instituto na cidade de Serrana, no interior de São Paulo, a vacina causou uma redução nas hospitalizações de 80% e de 95% no número de óbitos. "Na primeira fase, a vacinação abrangeu os sujeitos mais vulneráveis, a população do extremo da faixa etária, e ela foi predominantemente vacinada com a CoronaVac", lembrou Jamal.

Em abril, o número diário de mortos por Covid-19 ultrapassou a barreira de quatro mil – uma situação muito diferente das últimas semanas, em que a média móvel é de menos de 500 óbitos por dia. A vacinação está diretamente ligada a esta redução: em abril, a cobertura vacinal estava abaixo de 15% da população com as duas doses da vacina, enquanto atualmente mais de 50% dos brasileiros estão totalmente imunizados.

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