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quinta, 23 de janeiro de 2020
Artigo Rui Sintra

O progressismo se perdeu na utopia

11 Jan 2020 - 06h50Por (*) Rui Sintra
O progressismo se perdeu na utopia -

Em artigo de opinião publicado no site “Poder 360”, o ex-senador da República, Cristovam Buarque, fez uma espécie de mea culpa sobre a ação e o legado que a política brasileira deixou para estas duas primeiras dezenas de anos do Século XXI, começando por dizer que embora se tenha edificado uma política de alguma forma estável interna e externamente, o certo é que foram pífias ou mesmo inexistentes as transformações que o Brasil necessitava e que toda a estrutura política “falhou”.

Talvez se Cristovam Buarque continuasse ainda, neste momento, como senador, não ousaria fazer esta “confissão” de que “o progressismo se perdeu na utopia”, o que significa dizer que foi esse mesmo progressismo que escancarou as portas para a entrada de outras tendências políticas. O legado, segundo Buarque, foram 12 milhões de adultos analfabetos e 100 milhões sem saneamento, uma economia em recessão e uma taxa de desemprego nunca vista antes, realçando, em seu artigo - e isso é importante que memorizemos - que o Estado ficou ainda mais ineficiente do que já era, completamente endividado e totalmente aparelhado.

Independente do fato deste que escreve este pequeno artigo nutrir admiração por Cristovam Buarque - embora por vezes tenha votado matérias contrárias à sua forma de ser e estar, desiludindo, assim, seus possíveis admiradores -, o certo é que o ex-senador tem agora a coragem de se retratar como político e de apontar ele mesmo e seus pares como responsáveis por ações e posturas ateroscleróticas, consubstanciadas em ideias velhas e em hábitos caducos.

Relativamente à Educação, área intrinsecamente ligada desde sempre ao ex-senador, Cristovam Buarque reafirma em seu artigo que “Não entendemos que a justiça social exige economia eficiente. Que no tempo da economia do conhecimento, o aumento de produtividade, inovação e competitividade dependem da educação de qualidade para todos. Que deixar cada criança para trás é deixar o Brasil para trás. Continuamos tratando educação como um direito de cada brasileiro, e não como o vetor do progresso de todos. Falhamos ao não entender que a bandeira progressista de hoje não está mais na ideia de a economia rica educar o povo, mas na educação de qualidade fazer a economia rica. Não vimos que as transformações sociais virão da equidade no acesso à educação de base. Não percebemos que a “utopia” dos progressistas de hoje deve ser construir coesão nacional para executar uma estratégia que em algumas décadas o Brasil tenha uma educação com a qualidade das melhores do mundo e todas nossas escolas com a mesma qualidade, independente da renda e do endereço da família de seus alunos. Falhamos por não termos a ousadia de propor o caminho para construir responsavelmente um país onde os filhos dos pobres estudem em escolas com a mesma qualidade dos filhos dos ricos. Preferimos vender a ilusão de que os filhos dos pobres ingressarão nas universidades, mesmo sem acesso a uma boa educação de base”.

Aconselho a leitura em

https://www.poder360.com.br/opiniao/brasil/nos-falhamos-reconhece-cristovam-buarque/

(*) O autor é Jornalista profissional / Membro da GNS Press Association (Alemanha) / Correspondente internacional freelancer.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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