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quinta, 20 de junho de 2019
Dia a Dia no Divã

O mundo adoeceu

03 Jun 2019 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
O mundo adoeceu -

Nunca se viu ou sentiu tanto desconforto das pessoas de modo geral.

Já parou para perceber como o mundo anda frenético, urgente, irritado e insatisfeito?

Existe uma onda de ódio e inconformismo gigante.

Se não estão acusando, estão sendo acusados; se não estão ofendendo, estão sendo injustiçados; se não estão exigindo, estão sendo oprimido.

 E o mundo como o vemos está doente.

As relações estão doentes.

As famílias estão doentes.

As pessoas estão no limite de suas forças.

Para onde quer que eu olhe vejo notícias piores, retratos de uma sociedade desumana, vestígios de uma geração livre e cruelmente perdida de si mesmo. Os jornais apresentam barbáries piores dia após dia e nossos olhares infelizmente vão se acostumando, se acostumando com o inadmissível, com o impensável, com os absurdos e com a covardia desse ser chamado humano.

Coloque-se como observador. Analise o mundo ao seu redor, nem precisa ir muito adiante ao seu redor. Jornais, TVs, redes sociais, seus colegas.

Qual é o assunto do momento, o que transmitem? Fazem piadinha da própria miséria, escancaram os problemas sociais.

Pois é. É nessa vibração que estamos vivendo. É essa a frequência que estamos absorvendo.

O mundo está doente e sombrio, e a doença somos nós!

Adoecemos o mundo a cada vez que fingimos achar normal comportamentos arrogantes, depreciativos ou abusivos.

E não se engane, a mídia só alimenta ainda mais isso. Ou você vê reportagens e matérias estimulando as pessoas a serem felizes, libertas, positivas e falando de amor?

Vemos nos mais altos cargos das empresas, ou em cargos públicos, o que era para ser um exemplo, virar uma briga pelo poder, que leva os seres humanos a mostrar sua capacidade de perversão, de falta de amor, de ódio, de ganância. A ganância se tornou o principal objetivo das conquistas.

O mundo está doente, porque não se tem senso de certo e do errado, tudo passou a ser certo, desde que a pessoas assim o entenda.

Tudo é permitido, existe lei para tudo, só não existe lei que cumpra o dever da dignidade, que deveria ser lei em todos os povos e em todos os lugares.

Será que nós podemos ser dignos de algo, quando vemos pessoas morrendo por não ter o básico para a sobrevivência? Não, não somos dignos de nada, porque as pessoas conseguiram distorcer o que um dia foi correto e transformar um lugar que era para ser lindo, em tudo que vemos hoje.

Lá na década de 80, Renato Russo já esbravejava a frase: “E há tempos nem os santos tem ao certo a medida da maldade” e na música ainda dizia que se a voz de uma determinada pessoa tivesse força igual a imensa dor sentida, o grito acordaria a vizinhança inteira.

É assim que tenho me sentido ultimamente.

Vejo pessoas mentindo, enganando, traindo para obter algum benefício.

Indivíduos que criam perfis e e-mails falsos em redes sociais para ofender e agredir conhecidos e desconhecidos, com o intuito de se divertir ou apenas prejudicar e ferir os outros. Colegas de trabalho que se mostram simpáticos e solícitos, enquanto bolam planos ardilosos para tirar de seu caminho quem lhes parece oferecer algum tipo de ameaça, mesmo que imaginária.

Políticos dão declarações homofóbicas e racistas em rede nacional, dizem se lixar para a opinião pública, desviam dinheiro descaradamente, fraudam licitações, se comportam como escória, enquanto deveriam se preocupar com o bem estar da população e, ainda recebem votos nas eleições seguintes.

Mesmo diante de tamanha frustração, ainda tenho esperança de que em breve consiga ver as coisas por outro prisma. Que a sensação de que o mundo está sendo tomado por sociopatas desapareça, e que juntos consigamos transformar algumas coisas e tornar a vida mais agradável e menos difícil para muita gente!

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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