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segunda, 28 de setembro de 2020
Dia a Dia no Divã

Novembro azul sem preconceito

12 Nov 2018 - 06h59Por (*) Bianca Gianlorenço
Novembro azul sem preconceito -

A campanha Novembro Azul teve início na Austrália em 2003 e busca conscientizar os homens de todo o mundo sobre o câncer de próstata.

De lá pra cá, 15 anos já se passaram, mas o maior desafio contra a doença continua sendo o mesmo: preconceito.

E é importante falar disso porque cerca de 20% dos casos são diagnosticados já em estágios avançados, quando os recursos terapêuticos são escassos e as chances de cura se tornam infinitamente menores.

O número preocupa, já que estamos falando de 20% em um universo de 68 mil casos, previstos para 2018, conforme estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA). O número preocupa, também, porque está totalmente atrelado à falta de informação e ao preconceito, questões que ainda impedem o homem de ir ao médico regularmente e de fazer os exames preventivos.

E isso poderia ser totalmente evitado se não houvesse tamanha falta de informação entre a população masculina que, por puro tabu, deixa de ir ao médico regularmente e de fazer os exames preventivos.

Todo homem, a partir dos 45 ou 50 anos, conforme histórico familiar, deve procurar o médico para fazer os exames de toque e de dosagem do PSA, usados para identificar alguma alteração na próstata. Quando o problema é detectado no início, as chances de cura vão de 80% a 90%.

E é justamente em reforçar possibilidade de prevenção que reside a importância de campanhas como o Novembro Azul, atualmente realizada em todo o país.

25% dos pacientes ainda morrem devido à doença.

A recomendação é fazer uma abordagem individualizada dos pacientes no que diz respeito ao rastreamento da doença. Os médicos devem levar em consideração os fatores de risco da doença para fazer a orientação dos seus pacientes. O exame de toque retal é recomendado a partir dos 50 anos. Aqueles que têm histórico de câncer de próstata na família, devem procurar um especialista mais cedo, já aos 45 anos.

DOENÇA ATRELADA AO ENVELHECIMENTO POPULACIONAL

O Câncer de próstata é o tumor mais comum em homens, a partir dos 50 anos de idade. Com o aumento da expectativa de vida e, consequentemente, com maior quantidade de homens chegando à velhice e vivendo por mais tempo esse número tende a aumentar.

Existe, inclusive, uma ideia de que, se todos os homens pudessem viver até os 120 anos, todos teriam câncer de próstata. A doença está naturalmente associada ao processo de envelhecimento masculino.

Se existirem antecedentes familiares, maior ainda será o risco de a doença aparecer. E como o câncer de próstata é silencioso o sintoma mais comum é não ter sintoma. Por isso é importante fazer a prevenção. Como ele é de desenvolvimento lento, a grande “vantagem” do câncer de próstata é poder ser tratado em fases que permitem resultados de cura.

MAS POR QUE ESSE ASSUNTO ATORMENTA TANTO OS HOMENS? 

Um dos principais fatores é a questão da masculinidade e o fato do exame ser feito pelo toque onde muitos alegam ter vergonha do que sua família e amigos irão pensar e falar. Relatam também que o método é invasivo diminuindo sua virilidade e seu status como homem. A sociedade em que vivemos tem vários estereótipos e a do homem está cravada como o ser másculo que não fica doente e não deixa ninguém toca-lo, e que muitas vezes nunca procurou um urologista para tirar suas dúvidas e curiosidades sobre sua sexualidade, muito diferente das mulheres que são orientadas desde crianças a irem ao ginecologista com suas mães e serem tocadas para diagnósticos e exames.

Vale lembrar que cada indivíduo é único e em sua singularidade cada um reage de modo diferente sobre o assunto e a melhor forma de quebrar os paradigmas é conversando, buscando informações de um profissional especializado e, claro, buscar sempre o exame e tratamento o quanto antes.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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