Médico analisa garganta de menina - Crédito: (Créditos "Centa Medical Group") Portal USP São CarlosDispositivo desenvolvido em São Carlos aplica luz azul nas amígdalas e surge como alternativa promissora no tratamento das faringotonsilites.
A dor de garganta, sintoma frequente em crianças e adultos, pode deixar de ser motivo recorrente de consultas médicas e uso repetido de antibióticos. Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP) – CEPOF – CEPIX – INCT – IFSC - USP, sob supervisão da Profa. Dra. Kate C. Blanco e do Prof. Dr. Vanderlei S. Bagnato, em parceria com profissionais da saúde e uma empresa do setor tecnológico, desenvolveram um dispositivo inovador para o tratamento de faringotonsilites por meio da Terapia Fotodinâmica (TFD).
O estudo clínico piloto está em andamento em São Carlos (SP), com aprovação do comitê de ética e acompanhamento de pacientes adultos e pediátricos. A pesquisa busca oferecer uma alternativa eficaz e segura, contribuindo também para o enfrentamento da crescente resistência bacteriana.
A dor de garganta pode ter diferentes causas. Na maioria dos casos, está associada a infecções virais, como resfriados e gripes, que tendem a melhorar espontaneamente com repouso, hidratação e uso de analgésicos. Entretanto, quando a infecção é bacteriana, o quadro costuma ser mais intenso, com febre alta, presença de placas de pus nas amígdalas, dor ao engolir e aumento dos gânglios no pescoço. Nessas situações, o tratamento convencional inclui antibióticos.
O desafio surge quando os episódios se tornam recorrentes ou quando o uso frequente desses medicamentos favorece a resistência antimicrobiana. Esse fenômeno ocorre quando as bactérias desenvolvem mecanismos de defesa contra os antibióticos, tornando os tratamentos progressivamente menos eficazes. Atualmente, a resistência bacteriana é considerada um dos principais desafios de saúde pública no mundo.
É nesse contexto que a Terapia Fotodinâmica ganha destaque. A técnica combina a aplicação de um agente fotossensibilizador, substância que reage à luz, com um dispositivo que emite luz azul direcionada às amígdalas. Essa interação promove a redução da carga microbiana de forma localizada, sem induzir resistência bacteriana.
Além de atuar nos quadros agudos, estudos anteriores do grupo indicam que a TFD pode contribuir para a redução das recorrências de dor de garganta. A tecnologia é 100%
nacional e resultado de mais de uma década de pesquisas que envolvem ciência básica, desenvolvimento tecnológico e aplicação clínica.
Segundo os coordenadores do projeto, o objetivo é consolidar protocolos que futuramente possam integrar a prática médica, reduzindo o uso indiscriminado de antibióticos e oferecendo uma alternativa menos invasiva do que procedimentos cirúrgicos, como a retirada das amígdalas em casos crônicos.
Outro ponto positivo é a boa aceitação pelos pacientes e a ausência de efeitos adversos relevantes observados até o momento, reforçando o potencial da Terapia Fotodinâmica para transformar o tratamento das infecções de garganta.
Chamada para participação na pesquisa
Crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que sofrem com dores de garganta frequentes, amigdalites recorrentes ou quadros persistentes podem participar da seleção de pacientes para avaliação e possível inclusão no protocolo terapêutico com Terapia Fotodinâmica. Os pais ou responsáveis devem entrar em contato com a Unidade de Terapia Fotodinâmica pelo telefone (16) 3509-1351 para agendamento de avaliação clínica e verificação dos critérios de elegibilidade.
Fontes: Dra Fernanda Manzano Carbinatto - CEPOF-CEPIX- INCT – IFSC – USP – Grupo de Óptica; Profa. Dra. Kate C. Blanco – CEPOF – CEPIX – INCT – IFSC – USP – Grupo de Óptica; Prof. Dr. Vanderlei S. Bagnato – Coordenador CEPOF – CEPIX – INCT – IFSC -USP – Membro do Grupo de Óptica; Me. Kleber Jorge Savio Chicrala – Jornalismo Científico e Difusão Científica – CEPOF – CEPIX – INCT – IFSC – USP – Grupo de Óptica.

Pesquisadora Dra Fernanda Manzano Carbinatto - CEPOF-CEPIX- INCT – IFSC – USP – Grupo de Óptica




