terça, 24 de maio de 2022
S.Carlos no mundo da ciência e da tecnologia

Estudo da interação da melanina com ultrassom de baixa intensidade

16 Jan 2022 - 08h00Por kleber Chicrala
Figura: Modelo esquemático de TFD e TSD - Crédito: divulgaçãoFigura: Modelo esquemático de TFD e TSD - Crédito: divulgação
No Brasil, o câncer de pele corresponde a cerca do 30% de todos os tumores malignos registrados no país, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o que o torna de longe o mais comum de todas as neoplasias malignas. Há dois tipos de câncer de pele: o não melanoma que surge na camada basal ou escamosa da epiderme e representa 95% dos casos de câncer de pele, e o melanoma que tem origem nos melanócitos (células que produzem melanina). 
 
O câncer de pele melanoma é o tipo menos frequente (5%) dentre os casos de câncer de pele, contudo é o tipo mais grave e de maior mortalidade do que o não melanoma, devido à sua alta possibilidade de se espalhar por toda a pele, assim como entrar na corrente sanguínea ou no sistema linfático provocando uma metástase (a disseminação do câncer para outros órgãos distantes, como pulmão, fígado e cérebro). O tratamento padrão para o melanoma é a cirurgia simples (com bisturi a laser ou micrográfica) e, dependendo do estágio do câncer, radioterapia ou quimioterapia também podem ser utilizadas. Estas técnicas possuem os melhores índices de cura no combate ao câncer, entretanto apresentam também efeitos colaterais e psicológicos. É assim que busca-se desenvolver novas técnicas não invasivas, considerando-se resultados cosméticos e a preservação da função, como exemplo, a terapia fotodinâmica, a terapia sonodinâmica e uma combinação das duas. 
 
A terapia fotodinâmica (TFD) é uma modalidade terapêutica anticâncer baseada na interação de luz, uma droga fotoativa chamada de fotossensibilizador (FS) e o oxigênio molecular presente no tecido. Esses componentes combinados podem gerar espécies reativas de oxigênio (ROS) as quais induzem a morte das células tumorais. Esta técnica vem conquistando espaço dentre as modalidades de tratamento do câncer no Brasil e no mundo. A TFD apresenta poucos efeitos colaterais e resultados cosméticos excelentes, facilitando a inserção do paciente na sociedade. No entanto, uma limitação é a baixa penetração da luz visível nas lesões de maior espessura e pigmentadas, conseguindo atingir apenas 1 cm de profundidade no corpo de forma não invasiva (sem o uso de fibras ópticas). Este fato é devido à presença da melanina, a qual é um agente altamente absorvedor e espalhador da luz, que também possui efeito antioxidante. 
 
Por outro lado, a terapia sonodinâmica (TSD) é uma abordagem relativamente nova e promissora para o tratamento do câncer, baseada nos efeitos simultâneos do ultrassom e de uma molécula chamada de sonossensibilizador (SS). Ao contrário da luz, o ultrassom é uma onda mecânica com excelente penetração no tecido biológico, o qual permite a ativação do SS em maior profundidade, e a consequente indução de dano celular.
Entretanto, por ser uma abordagem recente, algumas pesquisas são necessárias a fim de se entender os mecanismo por trás desses efeitos e consequentemente obter uma melhor compreensão dos mesmos em tumores pigmentados (câncer de pele melanoma, câncer de pele não melanoma pigmentado) cujo tratamento clínico ainda é um desafio. 
 
Dessa forma, esse é o principal objetivo da pesquisa desenvolvida no Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica do Instituto de Física de São Carlos. Na qual, por meio de experimentos realizados com melanina e monitorando as alterações de suas propriedades ópticas durante a interação com o ultrassom terapêutico, o aluno de iniciação científica, Murilo de Oliveira Souza, sob a orientação do Prof. Dr. Sebastião Pratavieira e co-orientação da doutoranda Erika T. P. Ayala, realiza estudos com o intuito de ajudar na compreensão dos efeitos sobre tumores pigmentados durante a terapia sonodinâmica, podendo ser combinada com a luz para enfim solidificar uma nova abordagem de tratamento para uma doença, até então responsável por inúmeras perdas ao redor do mundo. 
 
Murilo de Oliveira Souza 
Graduando do curso de Ciências Física e Biomoleculares (IFSC - USP) Bolsista de Iniciação Científica no Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF) - IFSC - USP 
 
ASSISTA A ENTREVISTA PARA TV USP ( CANAL 10 NET SÃO CARLOS E SITE DO CEPOF) SOBRE O ASSUNTO COM O ENTREVISTADO/AUTOR Murilo de Oliveira Souza
 
Fontes: Murilo de Oliveira Souza - Iniciação Científica no Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF) - IFSC - USP; Kleber J.S. Chicrala - Jornalismo Científico - Difusão Científica - CEPOF - INCT - IFSC - USP  
 
kleberchi

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