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quinta, 25 de fevereiro de 2021
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Artigo Rui Sintra: Ernesto de Souza Campos: conhece?

03 Ago 2016 - 13h15Por (*) Rui Sintra
Foto: Arquivo/SCA - Foto: Arquivo/SCA -

Hoje, decidi falar de pessoas de boa índole e de locais que acrescentam algo positivo em nossas vidas. Portanto, se o meu leitor estava esperando que eu viesse falar dos já habituais bandidos, cafajestes, usurpadores do bem alheio, trapaceiros, mentirosos e de outros seres semelhantes, está enganado. Eu hoje estou light...

Minha coluna de hoje aborda a Fazenda Santa Maria do Monjolinho, uma pérola inserida na cidade de São Carlos, inicialmente formada por Theodoro Leite de Almeida Penteado (1847-1925).Não é minha intenção abordar o contexto histórico dessa magnífica propriedade, que tem sua origem na designada Sesmaria do Monjolinho, possuindo (para deleite de quem a visita) várias construções que remontam ao período cafeeiro, bem como diversas particularidades históricas, salientando-se, terreiro, tulha, maquinário destinado ao beneficiamento do café, além de uma capela e senzala que foram devidamente adaptadas para receber os imigrantes, principalmente italianos, após a abolição da escravatura (1888).

O casarão senhorial, construído em 1889 e projetado pelo arquiteto italiano Pietro Cassinelli, é a marca indelével da riqueza que o café gerou em toda esta região, principalmente a partir de 1850.  Em 1904, após a grave crise financeira que assolou nosso país, este patrimônio foi adquirido por Cândido Souza Campos, irmão daquele que viria a ser um dos maiores vultos da cultura e educação do Brasil e do Estado de São Paulo, talvez desconhecido por muitos são-carlenses - o Prof. Ernesto de Souza Campos (1882-1970).

Ernesto de Souza Campos teve como seu pai o então Senador da República, Antonio de Souza Campos:nasceu em Campinas, foi professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e desde sempre foi dotado de uma personalidade iluminada por uma visão de futuro verdadeiramente notável, tendo deixado um legado enorme, principalmente na área da educação superior do nosso país. No governo de Armando Salles de Oliveira, Ernesto de Souza Campos foi um dos principais idealizadores e planejadores do campo universitário do Butantã - local aonde viria a ser construída a atual Universidade de São Paulo - e, talvez por isso, tivesse sido chamado para planejar outros centros acadêmicos e hospitalares, nomeadamente aqueles que se encontravam instaladosnos estados do Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul.

Ministro de Estado da Educação no governo do General Eurico Gaspar Dutra,e em virtude de suas excepcionais contribuições para o desenvolvimento do sistema universitário brasileiro, o Prof. Ernesto de Souza Campos foi agraciado com o título de Diretor e de Professor Honorário nas universidades de São Paulo, Bahia, Pernambuco, Paraná e da Pontifica Universidade Católica de São Paulo, bem como Grande Oficial da Ordem de Mérito Nacional, da Legião de Honra da França e de outras diferentes ordens nacionais e estrangeiras. Foi, ainda, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, do Pen Club de São Paulo e membro da Academia Paulista de Letras, estando sua obra científica reunida em cerca de 20 volumes e de uma centena de monografias publicadas no país e no exterior.

Atualmente, cabe ao Dr. Décio Luiz Malta Campos, de quem o Prof. Ernesto de Souza Campos é seu tio-avô, capitanear, junto com sua esposa, Senhora D. Carmem Rocha Ribeiro Campos, enora, Vera Regina Zavaglia Malta Campos, bem como com os restantes membros da família, acatalogação e preservação de todo o riquíssimo espólio documental que se encontra devidamente depositado na Fazenda Santa Maria do Monjolinho, bem como o lote de objetos da época e o conjunto arquitetônico, que complementam e enriquecem o conhecimento público.

Ainda produzindo café, milho, mandioca, cana-de-açúcar,gado leiteiro, gado de corte, granja, cavalos e carneiros, a família de Ernesto de Souza Campos tem assim, em mãos, outra grande missão - talvez a maior: garantir o conhecimento público através do conjunto arquitetônico e do espetacular acervo, constituído por milhares de documentos, entre recortes de jornais, fotos e correspondências diversas, plantas e anotações de uma personalidade ímpar.

Pelo que sei, a Universidade de São Paulo já começou a se movimentar no sentido de apoiar ações que possam ser desencadeadas, visando dar a conhecer, prestigiar e homenagear a vida e obra do Prof. Ernesto de Souza Campos: os professores Tito José Bonagamba, do Instituto de Física de São Carlos, e os professoresJosé Marcos Alves e Carlos Goldenberg, ambos da Escola de Engenharia de São Carlos, formam o primeiro grupo de entusiastas que deu um passo em frente na intenção de apoiar a preservar, divulgar e popularizaro vulto e as ações do Prof. Ernesto de Souza Campos, eternizadas em solo são-carlense e umbilicalmente ligadas à história da USP.

Que esse primeiro esforço seja devidamente apoiado e enaltecido publicamente, é o que sinceramente desejo.

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