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quarta, 15 de julho de 2020
Dia a Dia no Divã

Ansiedade

20 Jan 2020 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Ansiedade -

A ansiedade é uma reação que todo indivíduo experimenta diante de algumas situações do dia a dia, como falar em público, expectativa para datas importantes, entrevistas de emprego, vésperas de provas, exames de saúde, entre outras.

É um traço humano.

Algumas pessoas porém, vivenciam esta reação de forma mais frequente e intensa, que pode ser considerada patológica e comprometer a saúde mental.

O Brasil sofre uma epidemia de Transtorno de Ansiedade.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o país tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno.

O assunto é um tabu, mesmo com o índice preocupante, pouco se fala sobre o assunto e sobre o tratamento.

Como saber quando a ansiedade normal ultrapassa os limites e pode ser considerada um transtorno?

Sintomas:

O principal sintoma do Transtorno da ansiedade é uma preocupação excessiva ou tensão, mesmo quando há poucos motivos ou nenhum para isso.

As preocupações parecem passar de um problema para outro, como questões familiares, amorosas, relacionadas ao trabalho, à saúde etc

A mente se pré-ocupa, pensa em milhões de possibilidades, em como seria, no que fazer, em como se precaver das questões que ainda não aconteceram.

Há uma antecipação do futuro, mas um futuro que você idealizou e que pode não chegar.

Outros sintomas incluem:

  • Dificuldade de concentração,
  • Fadiga,
  • Irritabilidade,
  • Problemas para adormecer ou para permanecer dormindo,
  • Inquietação, geralmente ficando assustado com muita facilidade.
  • Conviver com medos irracionais, de estar perdendo alguma coisa, de não ser bom o suficiente, medo do fracasso, pânico de ficar sozinho ou de não ser aceito.

Sintomas Físicos:

  • Tremores,
  • Cansaço fácil,
  •  Sensação de falta de ar ou asfixia,
  • Coração acelerado,
  • Suor excessivo, mãos frias e suadas,
  • Boca seca,
  • Tontura,
  • Náuseas,
  • Diarreia,
  • Desconforto abdominal,
  • Ondas de calor,
  •  Dificuldade para engolir,
  • Sensação de engasgo,
  • Dor de cabeça,

Fatores de risco:

Gênero;

Mais do que o dobro do número de casos de transtorno de ansiedade ocorre em mulheres. Acredita-se que uma combinação de fatores, como mudanças hormonais e maior exposição ao estresse, possam agravar esse quadro. (dupla jornada)

Trauma na infância;

As crianças que sofreram abuso ou algum tipo de trauma, ou que até mesmo testemunharam eventos traumáticos, estão em maior risco de desenvolver transtorno de ansiedade em algum momento da vida.

Doenças concomitantes;

Ter uma condição crônica de saúde ou doença grave, como o câncer, pode levar à constante preocupação com o futuro, ao tratamento e questões financeiras.

Abuso de substâncias;

Uso excessivo de drogas ou álcool pode piorar e até levar ao transtorno de ansiedade generalizada. A cafeína e a nicotina, presente no cigarro, também podem aumentar a ansiedade e conduzir o indivíduo à doença.

Sentir ansiedade é normal, mas quando ela passa a ser persistente e fora de seu controle, quando a preocupação com o futuro é maior que os problemas atuais, é bom marcar uma consulta médica.

Principalmente quando:

Há preocupação excessiva, a ponto de interferir no trabalho, relacionamentos em outras partes de sua vida.

Há sintomas de depressão, de alcoolismo ou dependência química.

Há pensamentos ou comportamentos suicidas.

Como driblar os sintomas?

 

Evite pensamentos negativos ou catastróficos.

Seja mais organizado. Quem vive na bagunça gasta tempo para achar o que precisa, acumula coisas sem utilidade, dificultando o bem-estar e acaba por criar sentimentos de ansiedade.

Trabalhar, estudar e viver em ambiente minimamente organizado ajuda no equilíbrio emocional e controle da ansiedade, além do maior aproveitamento do tempo.

Pense sobre o seu pensamento, coloque um ponto final em“ filmes mentais” de assuntos que  não aconteceram. Seja capaz de se planejar, sem precisar montar um cenário terrível em sua mente.

Confie mais em si mesmo.

Fortaleça o autoconhecimento. Quem se conhece bem, sabe respeitar seus limites, consegue dizer "não" e é capaz de agir sem culpa com total alinhamento das suas necessidades.

Pratique atividades físicas, aquelas que você gosta e não a que está na moda.

No mundo capitalista, competitivo, entramos num ciclo da ansiedade, pela narrativa alheia, vivemos na sociedade do cansaço, Precisamos ser melhores que os outros. Precisamos ser desejante e desejável!

Tratamento:

Medicamentoso associado a psicoterapia.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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