sábado, 13 de agosto de 2022
Artigo Rui Sintra

A homenagem da Câmara Municipal de São Carlos à comunidade portuguesa

22 Abr 2022 - 06h58Por (*) Rui Sintra
A homenagem da Câmara Municipal de São Carlos à comunidade portuguesa -

A Sessão Solene que a Câmara Municipal de São Carlos irá realizar  no próximo dia 25 de abril em homenagem à comunidade portuguesa residente na nossa cidade é um fato que não pode passar despercebido, já que ele envolve, no mesmo circulo, com a mesma abrangência, os luso-descendentes aqui residentes e toda a população desta cidade fundada em 04 de novembro de 1857 por Antonio Carlos de Arruda Botelho - Conde do Pinhal -, tataraneto de Sebastião de Arruda Botelho, nascido em 1635 na Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, Açores - Portugal.

Proposta pelo Vereador Prof Azuaite Martins de França e aprovada por unanimidade pelo restante elenco legislativo, a realização desta homenagem coincide com a data comemorativa do 48º aniversário da “Revolução dos Cravos” de 1974, que colocou um ponto final a uma ditadura que durou cerca de quarenta anos, comandada primeiramente por António de Oliveira Salazar e posteriormente por Marcelo Caetano em virtude da morte do primeiro. Coube aos capitães e soldados das forças armadas portuguesas interromper, no dia 25 de abril de 1974, essa nefasta política fascista que arrastou os portugueses para a fome e miséria, empurrando centenas de milhares de jovens para a morte em guerras ultramarinas em África que não faziam qualquer sentido, impedindo que seus povos - Angola, Moçambique, Guiné, Cabo-Verde e São Tomé e Príncipe - tomassem o controle de suas respectivas nações rumo à independência. Embora com dificuldades inerentes à consolidação política no país, a “Revolução dos Cravos” provocou uma repentina abertura de portas para uma Europa e para um mundo que até ali eram totalmente desconhecidos dos portugueses. Internamente, a “Revolução dos Cravos” levou a democracia e a liberdade aos portugueses, mas com isso promoveu também avanços sociais importantes, principalmente na saúde, na educação, na segurança (hoje é o 4º país mais seguro no mundo), na liberdade das mulheres e até a uma mudança de valores que transformaram o país no que é hoje, completamente irreconhecível do que era há 48 anos atrás.

Talvez os maiores êxitos do ponto de vista social tenham sido a construção progressiva de um Estado Social e de um Sistema Nacional de Saúde (SNS) para todos, lançado em 1979 com um acesso quase gratuito - apenas com o pagamento das chamadas "taxas moderadoras", ainda em vigor - e, tendo o número de médicos e outros profissionais sanitários se quadruplicado quase meio século depois. Noutro quadrante, e citando a escritora portuguesa Lídia Jorge, a grande conquista social do 25 de Abril foi a educação: "Um avô que era analfabeto pôde ter um filho que se formou e o seu filho, doutor em Harvard. Foi vertiginoso. Do analfabetismo mais obscuro passou-se à possibilidade de alcançar níveis culturais, educativos e científicos a par com os outros países da Europa". Segundo o Instituto Nacional de Estatística Português, em 1970 cerca de 26% da população portuguesa não sabia ler nem escrever, enquanto que o último dado disponível (2020), essa porcentagem ronda agora os 3%, em um país onde atualmente a escolarização é obrigatória até os 18 anos. Também cresceu a porcentagem de portugueses com estudos superiores - de 0,9% em 1970 para 39,6% em 2021. Os progressos na educação foram especialmente significativos para as mulheres, com uma presença cada vez maior nas universidades.

Outras conquistas foram alcançadas ao longo dos anos e outras irão florescer, porque a democracia portuguesa, como outras, é dinâmica, com sucessos e insucessos, dificuldades, mas mantendo sempre o espírito do que está escrito em uma das estrofes da canção “Grândola Vila Morena”, que é - “O Povo é quem mais ordena”. Assim, a “Revolução dos Cravos” continua latente, está viva e presente em todos os momentos da vida da Nação.

Por último, destaco a presença dos portugueses no mundo, que, segundo números atuais da ONU, são cerca de 3 milhões, e onde só no Brasil residem cerca de 220 mil. A esmagadora maioria dessa comunidade portuguesa, que se encontra disseminada por todos os continentes, tende a se reunir em torno de suas associações, que tradicionalmente são as Casas de Portugal. O mesmo aconteceu aqui em nossa cidade, com a fundação da Casa de Portugal de São Carlos, em 2019, pelo português Paulo Gabriel Palo, entre outros entusiastas, que congrega portugueses e luso-descendentes residentes em nossa cidade e região, mas também pessoas que têm os mais diversos vínculos com Portugal.

Está de parabéns a Câmara Municipal de São Carlos por esta iniciativa que muito orgulha sua comunidade, que se sente profundamente agradecida pela deferência.

O autor é jornalista profissional / correspondente para a Europa pela GNS Press Association  / EUCJ - European Chamber of Journalists / European News Agency) - MTB 66181/SP.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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