Foto: Marcos Escrivani - Um marco na história de São Carlos. No dia 4 de setembro de 1955, o então prefeito Antonio Massei (in memoriam) inaugurava o primeiro parque infantil de São Carlos. Denominado Cônego Manoel Tobias, foi inaugurado com a presença de autoridades políticas e familiares.
Hoje, de parque infantil passou para Centro Municipal de Educação Infantil. Passados 62 anos, muitas crianças passaram por aquele quarteirão em uma área nobre de São Carlos. A pioneira completa 62 anos de vida.
Para os mais jovens, "praticamente" no centro. Para os "mais antigos", na Vila Nery. Enfim, um quarteirão que preserva viva a memória de São Carlos.
Para marcar tão festiva data, que finca raízes pelo pioneirismo da escola, que primou (e prima) pela educação de milhares de crianças são-carlenses, com exclusividade, o São Carlos Agora resgatou personagens que fazem parte da história e da memória educacional da cidade e entrevistou quatro mulheres, quatro educadoras que valorizaram e valorizam a nobre tarefa de passar conhecimentos para crianças. Muitas delas, hoje pais e mães, profissionais liberais. Enfim, que fazem parte da sociedade são-carlense.
Nesta nova fase, o SCA foi ouvir a primeira professora do Cônego Manoel Tobias, Neusa Morelli Fiorentino, hoje com 87 anos; uma das alunas da primeira turma, em 1956, Sandra Azzi Cesar, com 70 anos; a atual diretora, Luciana de Menezes Vicente Pereira, 47 anos; e a professora Sílvia Helena Martins Villari Vieiram, 59 anos e que há 34 leciona na instituição.
MEMÓRIA VIVA
87 anos de idade. Lúcida, atualizada, perspicaz e de opinião. Na tarde deste domingo, 3, o SCA entrevistou a professora recreacionista aposentada: Neusa Morelli Fiorentino, que hoje reside em São Paulo, mas vem para São Carlos visitar seus parentes. A primeira professora que participou em 1955 da inauguração do então parque infantil Cônego Manoel Tobias com exclusividade, foi simpática ao sair de sua residência e ir até a escola que fez parte de sua vida.
Lembra da festa, de detalhes e após 37 anos, voltou à escola. Foi professora durante 25 anos e se aposentou em 1980. "No início era somente recreação e trabalhávamos com crianças de 5 a 12 em meio período. Era um prédio bem no centro, com muito espaço e o quarteirão cercado por um alambrado. No contra turno escolar. Cada turma tinha mais ou menos uns 50 alunos", lembra Neusa. "Era muito bom, muito gostoso. Hoje conheço médicos, engenheiros, pais de família que foram nossos alunos. Me sinto realizada".
Neusa, com fala mansa e caminhada pausada, andou pelo Cemei. O olhar fitava detalhes e com acenos lembrava como era a escola. "Dá muita saudade. Tenho boas lembranças e fiz muitas amizades", comentou.
Segundo ela, até 1980 o Cônego Manoel Tobias era uma referência, pois tinha em suas dependências, dentistas, enfermeiros e médicos. Aulas de dança, grupo musical e até teatro.
"Isso levarei comigo para toda eternidade. Uma vida que passei nesta escola que está em meu coração", finalizou.
APRENDEU A ENSINAR
O Cônego Manoel Tobias faz parte da vida e da história educacional de Sandra Azzi Cesar, 70 anos, formada em Artes Industriais. Com 7 anos, foi aluna da primeira turma da escola.
"Era meio período e fiz recreação até os 12 anos. Saí, mas em 1968 retornei como professora, onde trabalhei por mais 35 anos e me aposentei em 2003. Passei uma vida no Cônego", diz orgulhosa.
Simpática e sorridente, Sandra garante que muitas lembranças marcaram sua vida. "Primeiro como aluna. Aprendi muito. Tinha carinho, aprendi a ser criança e sentia uma proteção muito grande por parte dos professores. Depois como professora, repassei meu aprendizado, da mesma forma como aprendi. Na verdade, no Cônego Manoel Tobias eu aprendi a ensinar a Educação", comentou.
Durante 35 anos como professora, Sandra afirmou que lecionou até para cadeirantes e deficientes visuais. "Eu protegia, eu educava e por brincar muito com meus alunos, era chamada de Tia Maluquinha (alusão ao livro de Ziraldo, Uma Professora Muito Maluquinha)", disse, com ar de felicidade.
"Me sinto realizada. Voltaria a fazer tudo de novo. Era emotiva e chorava todo final de ano. Faria tudo de novo", disse, afirmando que teve a primeira classe infantil de São Carlos (crianças com 5 anos). Durante os 35 anos, educou aproximadamente 1.300 crianças são-carlenses.
NÃO DEIXAR MORRER
Para Sandra, seria fundamental um trabalho para que o Cônego Manoel Tobias não se perca na história de São Carlos. "É um patrimônio da cidade, inaugurada por Antonio Massei. Até então não tinha parque infantil e após 62 anos temos que cultivar a história de São Carlos. Esta iniciativa do SCA tem que ser ressaltada e dou o parabéns para o portal que resgata a memória de nossa cidade. A população tem que conhecer as nossas riquezas, nossa história. O Cônego faz parte dela", finalizou.
HONRADA
"Me sinto honrada em estar aqui. Nunca pensei em trabalhar em uma Cemei localizada praticamente no centro de São Carlos. Mais honrada ainda ter o privilégio em conhecer a primeira professora (Neusa Morelli Fiorentino) e uma das primeiras alunas (Sandra Azzi César). Mulheres agradáveis, cultas e simpáticas". Com esta frase, a pedagoga Luciana de Menezes Vicente Pereira, 47 anos, se referiu ao Cemei Cônego Manoel Tobias.
Formada em Neuropedagogia e Educação Especial, é diretora da instituição há sete meses, mas atua na rede municipal de ensino há 25 anos.
Luciana disse que o Cônego Manoel Tobias atende 372 crianças dos 3,5 anos a 5,5 anos (Educação Infantil) e de 6 a 12 anos (Recreação), em dois períodos, do Parque Douradinho, Parque Novo Mundo, Conjunto Residencial Maria Stella Fagá e da zona rural de São Carlos.
Ela informou ainda que a escola tem hoje 18 professores de Educação Infantil, dois de Educação Especial, 4 na Recreação e dois professores de Educação Física, além de quatro merendeiras, três trabalhadoras que se dedicam a limpeza e uma que auxilia a parte administrativa.
Para marcar os 62 anos do Cônego Manoel Tobias acontece no dia 30 de setembro uma Festa da Família que terá várias atividades, como Exposição de Fotos, oficinas, apresentação de banda e diversas apresentações.
"É um evento dedicado aos papais e a comunidade em geral. É uma forma de marcar uma data tão expressiva e que faz parte da história e da memória de São Carlos", garantiu Luciana.
34 ANOS DE DEDICAÇÃO
A professora Sílvia Helena Martins Villari Vieira, 59 anos, é uma das mais experientes que estão em atividade no Cônego. Há 36 anos atua profissionalmente, dos quais, 34 somente na escola aniversariante.
"É uma vida. Passei bons e maus momentos neste período. Mas com as crianças, momentos ótimos", disse, salientando que dá alunas para crianças do Infantil II (5 anos). "É um presente. Gosto da profissão. Me sinto privilegiada em educar filhos de outras pessoas. Mas educo como se fossem os meus. Trabalho em prol da criança", disse Sílvia.
Por ser um dos professores mais antigos do Cônego, onde começou a trabalhar em 1983, Sílvia afirmou que as crianças são seres especiais, angelicais. "Todos fazem parte da minha vida. É um amor que não sei explicar, apenas sentir. Amo trabalhar com crianças", afirmou.
CAMPEÃ OLÍMPICA
Maurren Higa Maggi, campeã olímpica no salto em distância (medalha de ouro das Olímpiadas de Pequim) foi aluna no Cônego. Após a conquista internacional, ela construiu em 2009 uma pista de atletismo na escola e que leva o nome do seu avô, Oswaldo Maggi.
A pista hoje é utilizada para atividades esportivas sob o comando do professor Jamaica e integra um projeto de atletismo que visa colocar em atividade crianças que mostrar aptidão para a prática esportiva.
QUEM É CÔNEGO MANOEL TOBIAS?
Cônego Manoel Tobias era natural de Areias/PB, nascido no dia 27 de novembro de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 8 de maio de 1955.
O Cônego Manoel Tobias destacou-se por seu zelo apostólico e ser responsável pela conversão de várias pessoas ilustres de São Carlos.
Foi professor no Colégio Ocion, no Rio de Janeiro. Foi ordenado sacerdote por Dom Coelho, bispo da Paraíba. Veio para São Carlos em fevereiro de 1930, ocupando o cargo de vigário da paróquia.
A Câmara Municipal e a Prefeitura Municipal de São Carlos, a fim de perpetuar a memória deram a um parque de recreação infantil, na cidade, o seu nome. (informações de Zilda Bordini Raci, chefe de Divisão de Recreação e Esporte e Ernesto Giampá Abbutt, chefe de Educação e Cultura de São Carlos, 1982, documento pertencente ao Cemei).

















































