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sábado, 18 de agosto de 2018
Qualidade de Vida

Traumatismo craniano

08 Ago 2018 - 06h50Por (*) Paulo Rogério Gianlorenço
Traumatismo craniano -

Nosso crânio é responsável por proteger o órgão mais importante que temos o cérebro. Talvez por isso os choques na cabeça, onde o crânio está inserido, causem tanta preocupação.

Segundo os neurocirurgiões, qualquer traumatismo craniano, abalos violentos sobre a caixa óssea que recobre o cérebro a cabeça precisa ser avaliado por um médico.

Sem o nosso cérebro, nada funciona não nos movemos, não falamos, não comemos, não sabemos nosso nome e não reconhecemos as pessoas. Mesmo uma pequena lesão no cérebro pode ter conseqüências graves, apesar dos estáveis ossos cranianos que o protegem, fortes vibrações causadas por golpes ou quedas podem comprometer tanto o crânio como o cérebro e os vasos sanguíneos nele contidos, causando o chamado traumatismo craniano.

O traumatismo craniano é uma lesão na cabeça que pode afetar apenas o crânio, no caso de fraturas, ou provocar danos graves no cérebro, como contusão ou coágulo sanguíneo, passando a ser chamado de traumatismo crânio-encefálico.

Normalmente, o crânio protege o cérebro de pancadas externas moderadas, como dar uma cabeçada, porém, casos de trauma grave, como uma queda de grande altura ou acidentes de carro, podem causar lesões cerebrais que devem ser tratadas o mais rápido possível.

Um traumatismo craniano pode ser relativamente inofensivo, mas também pode ser fatal. A medicina divide a gravidade da lesão em diferentes níveis.

O primeiro e mais leve nível de um traumatismo craniano é conhecido como concussão, caso as funções do cérebro sejam afetadas, elas retornam após cerca de quatro dias. Em uma tomografia computadorizada, não é visto dano algum no cérebro.

No trauma moderado, a vítima fica inconsciente por algum tempo 15 minutos ou mais, quanto maior for à perda de consciência, maior é o risco de dano físico e mental permanente. Na forma moderada de um traumatismo craniano, paralisias geralmente desaparecem após cerca de quatro semanas, distúrbios, como problemas de concentração, dores de cabeça ou tontura, podem durar anos, no entanto.

Os pacientes com traumatismo craniano grave ficam inconscientes por mais de uma hora, distúrbios neurológicos são geralmente grandes, o paciente com uma lesão grave na cabeça sofre convulsões, paralisias e alterações de personalidade, esses danos são muitas vezes irreparáveis.

A tomografia computadorizada pode dar uma visão clara da gravidade do traumatismo craniano. Nela, os médicos conseguem reconhecer sangramentos, hematomas e inchaços (edemas cerebrais).

Pacientes que sofrem um trauma moderado ou grave devem ser tratados na UTI. Muitas vezes, é necessária uma operação de emergência para reduzir a pressão intracraniana, ao contrário de uma lesão no tornozelo, o inchaço no cérebro não pode se expandir para fora, porque é impedido pelo crânio, por isso, o médico perfura pequenos orifícios no crânio, pelos quais pode liberar uma hemorragia ou hematomas.

A pressão intracraniana deve ser verificada constantemente. Medicamentos também podem ajudar a reduzir a pressão.

Os sintomas de traumatismo craniano surgem, especialmente, nos casos graves e incluem:

  • Sangramentos graves na cabeça ou rosto, nariz, orelhas;
  • Saída de sangue ou líquido transparente pelo nariz e ouvidos;
  • Dor de cabeça intensa;
  • Desmaio, perda de consciência ou sonolência excessiva;
  • Olho roxo ou manchas roxas nas orelhas, como na primeira imagem;
  • Pupilas com tamanhos diferentes, como mostram as imagens;
  • Confusão, perda de equilíbrio ou fala alterada;
  • Perdas de memória ou alterações visuais, esquecimentos;
  • Falas desconexas;
  • Náusea, vômitos;
  • Ferimentos extensos;

O Ministério da Saúde em 2015 contabilizou o número de pessoas internadas no Sistema Único de Saúde de todo o País, em 2011, com traumatismos crânio-encefálicos, as quedas (373.354 casos) foram às principais responsáveis por esse tipo de lesão, seguidas pelos acidentes de motocicleta (77.171 casos), acidentes envolvendo pedestres (37.777 casos) e automóveis (17.053 casos).

No que se refere à gravidade dessas lesões, no entanto, os acidentes de automóvel aparecem em primeiro lugar. Do total de acidentados com carro, 23,79% morreram de traumatismo crânio-encefálico, porcentagem de mortes devido ao mesmo problema entre os pedestres foi de 4,63%; nos motociclistas, 2,29%, e em decorrência de quedas, 1,94%.

Esses números comprovam o grande impacto dos acidentes de trânsito nos traumatismos cranianos, por isso, nunca é demais lembrar que respeitar os limite de velocidade e usar cinto de segurança e capacete adequado é essencial para minimizar a gravidade desses traumatismos.

Em casos de traumatismo craniano, o quanto antes for iniciado os cuidados médicos, maiores serão as chances de sucesso no tratamento. Após o exame de tomografia computadorizada no crânio para confirmar o trauma, o paciente pode ser encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neurológica, essa unidade, especializada no atendimento de traumatismos cranianos e outros problemas neurocríticos, conta com equipamentos para ajudar na respiração e monitorar a pressão do crânio.

Fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais, atuam juntos para responder às necessidades de cada paciente com traumatismo craniano. Eles ajudam o paciente a reaprender tarefas simples do dia a dia, como andar, falar e comer dá suporte aos familiares e cuidadores, orientando-os e envolvendo-os no tratamento.

O autor é graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista Crefito-3/243875-f Especialista em Fisioterapia Geriátrica pela Universidade de São Carlos e Ortopedia.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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