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sexta, 19 de outubro de 2018
Dia a Dia no Divã

A importância da figura materna

14 Mai 2018 - 05h34Por (*) Bianca Gianlorenço
A importância da figura materna -

Já que domingo que passou comemoramos o dia das mães, nada melhor do que falarmos sobre essa figura.

Falo não só das mães biológicas mas de todas que se propuseram a desenvolver o papel de mãe e a função materna.

Quando nasce uma criança é como se ela fosse apenas um conjunto de carne e osso, e para que nela se inscreva algo, é preciso que Outro o faça por meio de significantes. Assim, o processo do seu desenvolvimento vai ocorrer em função desse Outro que preencherá suas faltas e, que irá lhe fornecer elementos que estabeleçam um lugar de onde o bebê será capaz de iniciar o seu reconhecimento e a sua estrutura subjetiva. Esse Outro estará exercendo a função materna, e o bebê depende desse Outro para sobreviver.

A posição da mãe, ou de quem exerce a função materna que pode ser, avós, mães de criação, irmãs é baseada primeiramente em preencher as funções que o bebê necessita, entre elas, a função da alimentação, da higiene, do suporte, de deslocamento. Mas além de fazer com que a criança sobreviva, o sujeito nesta função também está encarregado de dar significação à todas essas necessidades e inscrever um sujeito nesse bebê. Desse modo, a função materna sustenta para a criança uma imagem que serve para ela como referência para constituir-se subjetivamente.

O nascimento biológico não é o mesmo que o nascimento psíquico, para que esse último ocorra necessitamos desse Outro.

A mãe é o primeiro objeto de amor do bebê e esse vínculo entre eles é tão importante para o desenvolvimento humano, quanto qualquer outra necessidade puramente fisiológica.

Essas experiências vivenciadas entre mãe-bebê serão o alicerce das características emocionais do adulto, todas as memórias vivenciadas e gravadas tornam-se registros para a forma como o sujeito agirá e se relacionará no futuro. Toda a interação mãe, bebê e família têm seus aspectos importantes.

Na nossa cultura patriarcal durante séculos aprendemos que a maternidade é uma característica inerente à mulher, e que todas nascem pré-dispostas a exercerem seu papel de forma excelente; todas as mulheres conseguem e querem exercer a maternidade? Dentro dessa realidade vemos uma mudança tanto nas formas de família, quanto nas características das crianças e jovens, quando há um rompimento da mulher em relação ao seu papel, antes estabelecido historicamente. Quando o papel materno não é cumprido há consequências na saúde mental das pessoas.

Para o desenvolvimento da saúde mental e emcional da criança, é necessário que haja uma construção a priori de características de uma boa relação afetiva desde o nascimento e seu primeiro contato com a mãe, essa construção é algo importante para a criança, não ocorrendo apenas pelo contato mãe-bebê e sim entre “mãe” cuidador, a pessoa que terá a responsabilidade do cuidado do bebê, pois em meio às mudanças culturais e situacionais que as famílias sofrem, pode ocorrer alterações nesse processo.

Mesmo que um pouquinho atrasado eu desejo realizações a todas as mães!

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica. 

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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