sexta, 19 de agosto de 2022
Avaliação gratuita

Pesquisa em São Carlos analisa composição corporal de idosos com Alzheimer

Estudo avalia influência da densidade óssea, gordura visceral e massa muscular em pacientes com a doença no Brasil

01 Ago 2022 - 07h00Por Redação
Podem participar homens e mulheres, a partir de 65 anos, com DA leve ou moderada - Crédito: PixabayPodem participar homens e mulheres, a partir de 65 anos, com DA leve ou moderada - Crédito: Pixabay

Uma pesquisa de pós-doutorado, desenvolvida no Laboratório de Análise da Função Articular (LaFar) do Departamento de Fisioterapia (DFisio) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), tem como objetivo analisar a composição corporal de idosos com doença Alzheimer (densidade mineral óssea, massa muscular e gordura). O estudo está convidando voluntários que tenham doença de Alzheimer para avaliação gratuita no LaFar. A pesquisa é feita por Natália Oiring de Castro Cezar, docente do Departamento de Gerontologia (DGero) da UFSCar, e tem a participação de docentes do DGero e do DFisio e de alunos dos cursos de Fisioterapia e Gerontologia da Instituição. A doença de Alzheimer é uma demência, que pode ser definida como uma doença degenerativa, ou seja, que tem um processo progressivo de perda das funções cerebrais, como memória, linguagem, atenção, capacidade de planejamento e alterações comportamentais. Essa síndrome representa um declínio do estado geral de uma pessoa influenciando seu desempenho nas Atividades de Vida Diária, como autocuidado, continência, transferências e alimentação. De acordo com a pesquisadora da UFSCar, a estimativa é que, no Brasil, existam 1,2 milhão casos de DA. No mundo, são cerca de 35,6 milhões de pessoas diagnosticadas com Alzheimer. Oiring aponta que os estudos mais atuais sobre o tema indicam uma correlação entre o desenvolvimento da doença de Alzheimer, o acúmulo de gordura visceral e a osteosarcopenia - junção de osteoporose (baixa densidade mineral óssea) e sarcopenia (perda de massa muscular devido ao envelhecimento). "Isso indica que idosos com pior qualidade do osso, menos músculo e acúmulo de gordura na região dos órgãos parecem ser mais propensos à doença de Alzheimer ou à piora dela", explica a docente da UFSCar. "Meu estudo pretende reforçar essa relação e constatar este fato no Brasil, visto que todos os demais estudos são da América do Norte e Europa", complementa. A professora reforça, no entanto, que a presença desses três componentes - baixa densidade mineral óssea, gordura visceral e perda de massa muscular - é fator de risco e não a causa da DA. "Logo, a preservação destas variáveis apenas diminuem a probabilidade, além da possível melhora do curso clínico da doença uma vez já instalada", destaca. Em relação à expectativa do estudo, Oiring aponta que esperam encontrar mais idosos com osteosarcopenia e acúmulo de gordura nos grupos com doença de Alzheimer, quando comparado com os idosos preservados cognitivamente. "Essa piora vai ser mais intensa conforme a gravidade da doença de Alzheimer. Essas reduções não estão apenas relacionadas com nível de atividade física diminuída nessa população, mas sim à fisiopatologia da doença de Alzheimer", relata. Além disso, a pesquisadora expõe que as informações encontradas no estudo serão capazes de subsidiar essa relação incerta atualmente entre a doença de Alzheimer, acúmulo de gordura visceral e sarcopenia. "É esperado que esse estudo contribua com a prática clínica dos profissionais de saúde e na elaboração de intervenções e medidas preventivas apropriadas, além da clareza da importância de avaliação de sarcopenia, densidade mineral óssea e de acúmulo de gordura", avalia. Voluntários O estudo já avaliou idosos preservados cognitivamente (sem a demência) e, na etapa atual, está recrutando e avaliando voluntários, homens ou mulheres, com 65 anos ou mais, que tenham doença de Alzheimer, leve ou moderada. Os participantes passarão por testes clínicos, cognitivos, avaliação física e de composição corporal, que serão feitos em visita única ao LaFar da UFSCar, com duração média de 1 hora. Os participantes precisam estar em jejum de quatro horas e não podem ter implantes metálicos e outras doenças neurológicas, além da doença de Alzheimer. Pessoas interessadas em participar do estudo devem entrar em contato pelo e-mail eduardasenni@estudante.ufscar.br  ou pelo celular (16) 99623-6507 e fazer o agendamento com Eduarda Senni, estudante de Gerontologia que integra a equipe de pesquisa. 

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