Menu
terça, 19 de janeiro de 2021
Política

Azuaite defende liberdade de expressão e condena censura de manifestações artísticas

04 Out 2017 - 06h41Por Redação
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

O vereador Azuaite França (PPS), presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal, lamentou a reação de alguns vereadores à sua fala na sessão plenária desta terça-feira, 3, quando defendeu a liberdade de expressão e condenou a censura de manifestações artísticas. Azuaite se referia a uma moção protocolada na Casa que manifesta repúdio ao 35ª Panorama de Arte Brasileira - Brasil por Multiplicação", organizado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), em função de polêmica performance do artista Wagner Schwartz partir da leitura da série Bichos, de Lygia Clark.

Em seu pronunciamento, Azuaite fez referência à presença do nu na arte nos museus do mundo inteiro, e focou o pronunciamento na questão da liberdade que, conforme frisou, "é base de uma sociedade democrática". Ele lamentou a visão deturpada de "oportunistas de plantão" e repeliu manifestações de ódio, de intimidação à liberdade de expressão e de censura, da qual algumas vezes foi vítima durante sua trajetória no magistério.

Ainda na tribuna da Câmara, Azuaite lembrou que em 1985 a cidade esteve prestes a incinerar livros de língua portuguesa que foi considerado ofensivo pela maioria dos vereadores da época, "numa situação incompatível com o título que São Carlos possui, de Capital da Tecnologia".

Segundo ele, os que pregam a censura não se preocupam com o que estabelece a Constituição Federal no seu artigo 5º que assegura a liberdade de expressão, o que a seu ver é preocupante. A arte, a seu ver, deve ser defendida como uma das mais legítimas formas de livre expressão, da qual se pode gostar ou não gostar "mas não em função disso se impor instrumentos de censura que remetem ao totalitarismo". "Você incapacitar as pessoas de buscar a própria forma de enxergar o mundo e pensar não faz sentido".

O vereador esclareceu que o fato de não concordar com a censura não quer dizer que seja a favor de pornografia ou pedofilia. "Nada disso, sou a favor da arte para a busca de objetivos, como a construção de uma sociedade plural, inteligente e civilizada". A seu ver, manifestações pela censura conduzem a um processo de totalitarismo, como descreve a obra da filósofa Hannah Arendt, "As Origens do Totalitarismo", ao tratar do panorama da Alemanha dos anos 30 e 40. "O maior bem do indivíduo é a sua liberdade de escolha; cerceá-la é o caminho para aventuras totalitárias e de consequências trágicas, que o mundo repudia", finalizou Azuaite.

comments powered by Disqus

Leia Também

Últimas Notícias