Chocolate - Crédito: PixabayÀs vésperas da Páscoa, período marcado pelo aumento no consumo de chocolates, uma nova medida aprovada na Câmara dos Deputados promete impactar diretamente a qualidade dos produtos disponíveis no mercado. O projeto de lei, aprovado no dia 17 de março, estabelece critérios mais rigorosos para a classificação de chocolates, com definição de percentuais mínimos de cacau e regras mais claras de rotulagem.
A proposta surge em meio à crescente oferta de produtos com baixa concentração de cacau e altos teores de açúcar e gordura — características comuns em alimentos ultraprocessados. Com a nova regra, chocolates intensos deverão conter ao menos 35% de cacau, acima dos 25% atualmente exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Além disso, o texto também define parâmetros para outras categorias: chocolate em pó deverá ter no mínimo 32% de cacau; o chocolate ao leite, 25% de cacau e 14% de leite; e o chocolate branco, 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos lácteos.
De acordo com a nutricionista Polyana Baptista Gomes, do Hospital Santa Paula, da Rede Américas, produtos com maior teor de cacau tendem a oferecer melhor qualidade nutricional. “O cacau é o principal responsável pelos potenciais benefícios do chocolate, por concentrar compostos bioativos, como flavonoides, que têm ação antioxidante e contribuem para a proteção celular”, explica.
Ela ressalta, no entanto, que o consumo deve ser equilibrado. “Quanto maior a concentração de cacau, menor o espaço para adição de açúcares e gorduras, o que melhora o perfil do produto. Ainda assim, o ideal é priorizar opções com 70% de cacau ou mais e evitar o consumo em excesso”, orienta.
Segundo a especialista, dietas ricas em açúcar e gordura estão associadas ao ganho de peso, alterações metabólicas e aumento do risco de doenças crônicas. “Quando o chocolate tem baixo teor de cacau, ele deixa de oferecer benefícios e passa a ser basicamente uma fonte desses ingredientes de baixo valor nutricional”, afirma.
No caso das crianças, o cuidado deve ser ainda maior. A endocrinologista pediátrica Nara Evangelista, do Hospital Samaritano Higienópolis, alerta que o consumo excessivo de açúcar pode trazer impactos significativos à saúde infantil. “O excesso está relacionado ao aumento do risco de obesidade, alterações metabólicas e à formação precoce de hábitos alimentares inadequados”, destaca.
Ela reforça que, durante a Páscoa, a recomendação não é proibir, mas estabelecer limites. “É importante incentivar o consumo consciente, priorizando chocolates com maior teor de cacau e promovendo equilíbrio na alimentação”, orienta.
Para a especialista, a nova legislação também contribui para escolhas mais informadas. “Ter clareza sobre o que está sendo consumido é fundamental, especialmente para as crianças, que são mais vulneráveis aos efeitos de alimentos ultraprocessados. Entender a composição dos produtos é um passo importante para a construção de hábitos saudáveis desde cedo”, conclui.





