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quarta, 14 de abril de 2021
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MEMÓRIA SÃO-CARLENSE - O universo da Rua Larga

22 Set 2017 - 04h00Por (*) Cirilo Braga
Foto: Arquivo Pessoal - Foto: Arquivo Pessoal -

A Avenida Doutor Teixeira de Barros, na Vila Prado, conhecida como Rua Larga, faz pensar na forma como São Carlos se expandiu. A "Larga" na verdade é uma alameda repleta de flamboyants e que em 2005 remoçou com a inauguração de um parque linear.

A Avenida foi aberta no final do Século 19, quando Leopoldo  Prado - homem  de bons recursos, que fora lavrador, vereador, delegado de polícia e juiz de paz - resolveu lotear as terras que tinha no outro lado da porteira da ferrovia, no prolongamento da rua General Osório. Nascia a Vila Prado.

Coube ao engenheiro alemão Hermann Von Puttkammer fazer a planta da nova área urbana, onde o Almanach de São Carlos de 1884 profetizou: "Em breve tempo estará povoado um dos mais belos arrabaldes de São Carlos". A principal rua do loteamento recebeu o nome de "Avenida Prado". Depois, Doutor Teixeira de Barros, homenagem ao fazendeiro, ex-vereador e ex-prefeito José Fonseca Teixeira de Barros, mas identificada desde o início como "Rua Larga".

"Uma cidade dentro de São Carlos", foi como definiu o historiador Otavio Damiano em suas "Crônicas do Tempo Antigo", ao falar da Vila Prado. "Nem todos sabem", ele contava, "é que nas suas ruas já circularam bondes a burro em 1895, por iniciativa do próprio Leopoldo Prado, que teve a arrojada ideia de criar na cidade o primeiro serviço de transporte urbano para promover o seu loteamento, que no trajeto incluía a Avenida Prado".

Leopoldo Prado tinha ideias adiante do seu tempo. A história conta que em 1913 ele se propôs a recuperar a várzea do mercado, que pretendia transformar em um lago artificial para esportes náuticos em geral. Seria como uma ilha no centro dotada de um pavilhão com bar, salões e a sede do clube de natação e regatas. Detalhe: não haveria gasto de dinheiro público. O propositor arcaria com tudo, inclusive o ajardinamento e arborização da área.

A proposta, porém, foi rejeitada pela Câmara sem justificativas; e consta que, magoado com a decisão, Leopoldo decidiu afastar-se da vida da cidade, indo morar em Pardinho, perto de Botucatu, onde morreu em 1941 aos 82 anos.

Certamente poucos dos que caminham pela Rua Larga ou pela Rua Coronel Leopoldo Prado saibam dessa passagem, perdida num ponto distante da história.

A "alameda" que desde sempre ensina como deveria ser o crescimento da cidade - segue sendo um lugar emblemático, daqueles que vez por outra precisa ser redescoberto. Pelas pessoas que se sentam em seus bancos para saborear um sorvete; por quem caminha sob as árvores e - porque não - pelo poder público.

A cidade é um espelho de sua gente. Tal como confidenciou o escritor português José Luís Peixoto no final de uma de suas obras, referindo-se a Évora:

"A cidade continua. A cidade tu, a cidade nós. A cidade imensa e revestida de si própria. Continuaremos sempre a imaginar-lhe mapas. Não são necessárias mais palavras ou mais imagens. Existem as casas e as ruas, as pessoas e o tempo (...) A cidade contínua, imensa, revestida pelos nossos olhares".

Esta seção tem enfoque na memória coletiva de São Carlos e disponibiliza espaço para relatos e fotos de fatos e locais da cidade em outros tempos. O material pode ser enviado para: memoriasaocarlense@gmail.com.

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