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Unidade Saúde-Escola da UFSCar produz e distribui gratuitamente equipamentos de tecnologia assistiva

08 Jun 2017 - 12h50Por Redação
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

O Projeto de Intervenção Precoce, realizado na Unidade Saúde-Escola da Universidade Federal de São Carlos (USE-UFSCar), iniciou na última segunda-feira, dia 5 de junho, a entrega de nove parapodiuns que serão utilizados por crianças atendidas na Unidade. Os equipamentos foram produzidos por seis estudantes da Universidade que integram o projeto e estão sendo entregues para as mães das crianças.

O parapodium é um equipamento de tecnologia assistiva utilizado para auxiliar a criança na manutenção da postura em pé, assegurando que a posição seja mantida de forma simétrica para garantir a integridade dos tecidos. O uso do equipamento é indicado a crianças com patologias de caráter neurológico, para as quais a manutenção da postura em pé é importante em vários aspectos e oferece inúmeros benefícios: proporciona uma imagem corporal mais adequada; auxilia os sistemas circulatório, respiratório e digestivo; contribui com o desenvolvimento neuropsicomotor e para a formação óssea; estimula a captação de cálcio pelo tecido ósseo; além da inclusão social.

A ideia de confeccionar e doar os parapodiuns surgiu no curso de aperfeiçoamento em Intervenção Precoce, oferecido no âmbito do Núcleo de Estudos em Neuropediatria e Motricidade (Nenem) da UFSCar, coordenado pela docente Eloisa Tudella, do Departamento de Fisioterapia (DFisio) da Universidade. Desde 2013,  a disciplina "Mobiliário de Baixo Custo" foi implementada no curso, sob  supervisão da professora Andrea Baraldi Cunha, e compartilha técnicas de confecção de parapodiuns e outros equipamentos da mesma natureza. Atualmente, as aulas são ministradas pela professora Raquel Frias Botelho que, a cada semestre, promove discussões de casos em conjunto com os alunos para selecionarem os pacientes que necessitam dos parapodiuns. Desde 2013, já foram entregues cerca de 40 equipamentos.

O material para a confecção dos parapodiuns - papelão, cola, tinta e verniz - foi obtido por meio de doações de colaboradores, estudantes e supervisores do curso. No mercado, um equipamento desse tipo tem preço médio de R$ 700. De acordo com Ana Luiza Righetto Greco, fisioterapeuta e uma das supervisoras do Projeto de Intervenção Precoce da UFSCar, o custo do parapodium confeccionado pelos alunos gira em torno de R$ 30 e as famílias recebem o equipamento gratuitamente. 

O Projeto de Intervenção Precoce atende crianças com diagnósticos de paralisia cerebral, síndromes genéticas e que apresentam atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. De acordo com Greco, esses pacientes não fazem uso dos parapodiuns nos atendimentos da USE, pois durante as sessões de fisioterapia são executadas atividades que exigem movimentos mais amplos do paciente e em diferentes posturas. "O equipamento é entregue aos responsáveis para que eles deem continuidade na estimulação em ambiente domiciliar", explica a supervisora. No projeto, todo o processo de reabilitação das crianças é realizado junto aos cuidadores na abordagem "Terapia com as portas abertas", que permite que as mães, a partir das informações fornecidas pelos terapeutas, aprendam a estimular seus filhos em ambiente domiciliar. "Os parapodiuns são entregues para serem usados em casa. Os cuidadores são orientados em como colocar e posicionar a criança corretamente, o tempo de uso e as atividades que podem ser feitas com o equipamento", descreve Greco.

"Nosso objetivo é ampliar a capacidade motora das crianças, oferecendo condições de tratamento, inclusive, para aquelas que não possuem recursos econômicos para adquirir um parapodium", destaca a supervisora do Projeto de Intervenção Precoce da UFSCar, que produz e entrega os parapodiuns a cada novo semestre.

Para Juliana Paulino Salvador, mãe de José Pedro, que é atendido no projeto, o parapodium será importante. "Achei muito bom, pois isso [equipamento] já vai incentivando ele a dar os primeiros passinhos", comemora. "Eu achei muito bom, vai ajudar bastante para ela ficar em pé, dobrar menos a perninha. Também vai dar para ela movimentar mais os braços, segurar mais o pescoço, arrumar as costas e acostumar a ficar mais em pé", acrescenta Rillary dos Reis Rodrigues, mãe de Lyara Danielle, também atendida na USE.

A entrega foi iniciada no dia 5 de junho e as mães participaram de uma atividade lúdica para colagem de adesivos decorativos nos equipamentos, com a intenção de personalizar os parapodiuns dos seus filhos.

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