segunda, 20 de maio de 2024
Intergeracional

Seminário em São Carlos discute o papel do cuidador de pessoas com demência

Evento lança um olhar inovador sobre o papel dos jovens em famílias impactadas pela demência

16 Mai 2024 - 09h50Por Assessoria de Imprensa
Seminário em São Carlos discute o papel do cuidador de pessoas com demência - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Este evento em São Carlos busca discutir o papel dos jovens que vivem em famílias afetadas pela demência. O seminário, intitulado “Jovens que vivem em famílias afetadas pela demência: desafios e prioridades”, é coordenado pela enfermeira e professora Dra. Aline Cristina Martins Gratão, do Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e pela terapeuta ocupacional Ana Cláudia Trombella Barros, diretora científica da ABRAz São Carlos.  

O seminário acontece sábado, 18, das 9h às 12h, no Onovolab, na rua Aquidaban, 1, Centro. Toda a programação é gratuita. 

O projeto é resultado da coleta de dados originalmente realizada para o Plano Global de Ação para a Demência, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo Aline, os dados têm revelado um aumento na convivência intergeracional, com um crescimento na proporção de famílias cuidadoras que abrigam 3 a 4 gerações. 

Um exemplo disso é uma avó de 90 anos com Alzheimer que está sendo cuidada por sua filha de 70 anos, que por sua vez mora com seu filho de 45 anos, que também tem um filho de 11 a 14 anos. “São 4 gerações no mesmo ambiente, todos lidando com as complicações e comportamentos associados à demência”, conta Aline. 

Embora não existam estatísticas específicas para isso no Brasil, a tendência é perceptível nos grupos de suporte. Muitos relatam viver em uma família maior e o envolvimento dos jovens é notável, muitas vezes acompanhando seus avós aos atendimentos. 

“O objetivo do seminário é investigar se isso está realmente acontecendo. A investigação começará em São Carlos em conjunto com o projeto iSupport-Brasil para cuidadores de pessoas que vivem com demência, e depois será expandida. Existe uma parceria com a Universidade de Bangor, no Reino Unido, que já está trazendo essa investigação para o Brasil,Espanha e Portugal”, diz. 

Ana Cláudia relata que em seu consultório tem-se notado o envolvimento de crianças e jovens no cuidado de idosos, uma realidade já bastante acentuada em países desenvolvidos como o Reino Unido. No entanto, no Brasil, não se pode incentivar menores de 18 anos a assumirem o papel de cuidadores, pois isso envolve uma profissão e a legislação brasileira não permite o trabalho infantil. 

As coordenadoras buscam impactar associações e universidades para que possam oferecer apoio e conscientização sobre a demência para essas famílias e jovens. O seminário visa elucidar a transformação que ocorre no indivíduo idoso que tem demência, explicar o que significa ter demência, por que eles têm esse comportamento e qual a melhor forma de lidar e entender esse comportamento. 

Por exemplo, foi relatado o caso de uma criança de 11 anos que perguntou se seu bisavô, que tem demência, algum dia aprenderia seu nome. Ela se sente chateada porque, apesar de sempre dizer seu nome, ele nunca se lembra. Essas questões serão abordadas e será explicado o que é a demência. 

Leia Também

Últimas Notícias