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Santa Casa de São Carlos realiza primeira captação de coração para transplante

Equipes do InCor de São Paulo e do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto recolheram ainda rim, fígado e pâncreas destinados a paciente na fila a espera por um doador

17 Jun 2015 - 14h31

A primeira captação de coração destinado a transplante ocorreu na manhã desta quarta-feira, 17, na Santa Casa de São Carlos. Após a confirmação de morte cerebral de um paciente de 31 anos ocorrida na terça-feira 16, e a família ter autorizado a doação, equipes do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto se deslocaram para São Carlos na perspectiva de captar ainda rim, fígado e pâncreas destinados a paciente na fila à espera de uma doação.

Esta foi a terceira captação múltipla de órgãos humanos da Santa Casa desde 2007 quando foi criada a Comissão de Captação e Transplante de órgãos da instituição. As duas anteriores não ocorreram a captação de coração.

A Comissão passou por uma restruturação em 2012 e a partir desse momento conseguiu captar 62 córneas. Há dois meses essa equipe assinou convênio com o Estado para intensificar a atuação na identificação de potenciais doadores.

O procedimento iniciou ás 9h55 e o coração foi o primeiro a ser retirado. Na sequência, fígado pâncreas e rim foram acondicionados para o traslado. O coração foi para São Paulo e os outros três órgãos para Ribeirão Preto.

De acordo com o médico e coordenador da Comissão de Transplante do InCor, Ronaldo Honorato Barros Santos o coração tem até 4 horas entre ser retirado e transplantado no paciente receptor. Para toda essa logística funcionar, a Comissão de Transplante da Santa Casa acionou as equipes externas, enviou exames pertinentes para atestar a qualidade dos órgãos, mobilizou o Estado para uso do aeroporto e Polícia Militar para apoio no traslado dos órgãos. Às 12h15 o coração saiu em direção ao Aeroporto Estadual Mário Pereira Lopes em São Carlos para a capital paulista. Perto de 50 minutos depois rim, fígado e pâncreas seguiram para Ribeirão Preto.

Todo o procedimento contou com quatro pessoas do Incor entre médicos e biomédico e cinco de HC de Ribeirão que veio com médicos, enfermeiros e biomédicos. A Santa Casa deu apoio com a equipe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI - Adulto) e do Centro Cirúrgico. Honorato elogiou a ação do grupo multiprofissional da Santa Casa e reforçou que o sucesso do procedimento só foi atingido por conta do empenho das equipes médica e enfermagem. "Todo esse processo começou lá com a identificação de um doador potencial e abordar a família que consentiu a doação. Sem esse primeiro passo feito pela equipe de São Carlos não teríamos cinco pessoas atendidas na fila a espera por um transplante", resumiu.

Para o médico e coordenador da Comissão de Captação e Transplante da Santa Casa, Ivan Carlo de Manzano Linjardi essa captação reforça o empenho da Santa Casa na promoção da doação de órgãos, solidariedade que promove a vida. "A Comissão foi montada que o objetivo é realizar a captação de múltiplos órgãos. A dedicação desse grupo e da instituição vai ao encontro da necessidade de reforçar a importância da doação". Ele ainda sinaliza que para ser doador a pessoa tem de manifestar em vida para amigos e parentes esse desejo.

Quadro Clínico

O paciente de 31 anos chegou no hospital em coma profundo no sábado, 12 quando foi internado na UTI. Diante do quadro clínico registrado no domingo uma série de exames foram feitos para detectar morte cerebral. O protocolo internacional de verificação de morte encefálica foi cumprido à risca com exames feitos a cada 12 horas por médicos diferentes. Na terça-feira, ás 16 horas uma equipe do HC de Ribeirão Preto realizou um último exame com o equipamento Doppler Transcraniano, que é o procedimento definitivo para verificar se o cérebro está morto.

Empenho

A Mesa Administrativa da Santa Casa valoriza o gesto de solidariedade da família na doação. "Mesmo no momento difícil de uma perda os familiares tiveram a nobreza de olhar em direção a outros seres humanos que sofrem na fila de espera por um transplante. Por isso, o hospital está atendo a essa questão e direcionado na qualificação dos profissionais e na aquisição de novas tecnologias para dar suporte para a captação de órgãos", ressaltou o provedor Antônio Valério Morillas Júnior.

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