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Jovens cientistas de São Carlos auxiliam Petrobras em pesquisas

08 Fev 2017 - 05h49Por Rui Sintra/Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

A Universidade de São Paulo tem procurado desenvolver, ao longo dos últimos anos, ações no sentido de interagir com maior vigor com a indústria no Brasil, tendo em menteque o desenvolvimento nacional tem queavançar com passos mais largos. A transferência do conhecimento gerado nas universidades para o setor industrial é uma tarefa indispensável, mas que nãotem ocorrido com a rapidez desejada e de forma articulada e global. No que diz respeito à USP, as exceções têm vindo de váriosgrupos de pesquisa que se encontram sediados nas diversas Unidades de Ensino e Pesquisa da Universidade e que, de forma corajosa e abnegada, avançaram com mais firmeza nessa tarefa, sem abrir mão da realização de pesquisa básica, de fundamental importância para o desenvolvimento tecnológico.

Dentre esses, podemos salientar o LEAR - Laboratório de Espectroscopia de Alta Resolução por Ressonância Magnética (criado em meados de 1988), que se encontra sediado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e que, desde 2009, mantem estreita parceria com o CENPES/Petrobras, através de vários projetos apoiados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), envolvendo Ciência do Petróleo e de Meios Porosos, com destaque para o tema "Fluidos Presentes em Rochas Reservatório". O foco sempre foi apresentar estudos, técnicas e instrumentação que pudessem contribuir para uma maior eficácia na exploração do petróleo, bem como criar, no Campus USP de São Carlos, em um futuro próximo, um Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Ressonância Magnética Nuclear (RMN) e Ciência do Petróleo, com o apoio integrado da Petrobras.

De fato, o primeiro degrau desta colaboração surgiu em 2012, com a construção de uma sonda de RMN específica, para estudo de óleos, em condições de reservatório, em alta pressão e temperatura. Enquanto o IFSC/USP contribuía na parte de instrumentação e técnicas avançadas de RMN, no CENPES, os pesquisadores voltaram-se para a exploração do petróleo, utilizando-se, para isso, da técnica de RMN, com a importante presença de um egresso do IFSC/USP, Willian Andrighetto Trevisan, desde 2012 funcionário do CENPES.

Com o avanço dos trabalhos, a equipe do LEAR, chefiada pelo Prof. Tito José Bonagamba e constituída por alunos de pós-graduação e pós-doutores, apresentava uma nova vertente de pesquisa básica e aplicada, através de Ressonância Magnética Nuclear (RMN), que envolveu físicos que atuavam em várias frentes de pesquisa congregando aspectos teóricos, experimentais e computacionais da técnica, bem como a utilização de outras metodologias, incluindo microscopia tridimensional de raios-x e de petrofísica básica.

Em suma, foia concretização de uma proposta de pesquisa diferenciada e inovadora na área de ciência do petróleo, um projeto realizado com sucesso em parceria com o CENPES, que mostrou um potencial muito grande de cooperação, não só para Petrobrás, como para o próprio Instituto, incentivando uma maior aproximação com a indústria e a geração de novas opções de emprego para egressos fora do tradicional ambiente acadêmico.

O sucesso dessa primeira etapa entusiasmou de forma significativa os responsáveis pelo CENPES e a equipe do LEAR, motivo pelo qual, ao longo dos últimos quatro anos, foi possível avançar ainda mais nas pesquisas desenvolvidas pelo LEAR por forma a ir ao encontro das crescentes demandas do CENPES. Foi por essa razão que o LEAR desenvolveu, ao longo do tempo, três reuniões temáticas bastante importantes, traduzidas no título "Workshop onPorous Media", a última delas realizada no dia 19 de janeiro do corrente ano, no CENPES.

Nesse III Workshop foram apresentados os resultados obtidos com as principais linhas de pesquisa desenvolvidas no Grupo, bem como a entrega oficial de um novo Espectrômetro de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) adquirido pela Petrobras, mas que obedeceu a determinadas especificações projetadas pelo LEAR, em parceria com a empresa americana Tecmag, equipamento que permaneceu durante algum tempo no IFSC/USP para testes,confecção de sondas de RMN apropriadas à Indústria do Petróleo e realização de vários estudos. O citado espectrômetro está vocacionado para o estudo da dinâmica de fluidos presentes em rochas reservatório, estando prestes a ser operadopelos pesquisadores do CENPES.

O entusiasmo do CENPES e a satisfação do LEAR

No evento, coube ao Prof. Tito José Bonagamba apresentar uma visão geral sobre as atividades do LEAR/IFSC/USP na área de fluidos presentes em rochas reservatório, ao que se seguiram diversas apresentações sob a responsabilidade dos alunos de Dourado e Pós-Doc´s do Grupo: Elton Tadeu Montrazi (NMR Exchange e Rochas Sintéticas), Everton Lucas de Oliveira (NMR & Rocha Digital: Simulação da Dinâmica de Fluidos em Meios Porosos), Arthur Gustavo de Araújo Ferreira (PIETA - Uma Nova Forma de Medir Distribuições de Tempos de Relaxação Transversal), William Andrighetto Trevizan (NMR e Difusidade: Aproximações Analíticas e Medidas em Poço), Roberto Saraiva Polli (Imagens por Ressonância Magnética (IRM): Estudo de Rochas Acidificadas - Wormholes), e Mariane BarsiAndreeta (Rocha Digital, IRM &Wormholes: Análise via Redes Complexas).

Todas as apresentações envolveram pesquisas desenvolvidas com técnicas originais e inovadoras, cujas demandas da Petrobras constituem importantes destaques.

Fez parte da equipe que visitou o CENPES, o Prof. Fernando Fernandes Paiva, que está se inserindo nas linhas de pesquisa do LEAR, dentro da área de Imagens por Ressonância Magnética, fato que trará grandes progressos ao Grupo de Pesquisa.

Concluindo, o Grupo de Pesquisa do IFSC/USP apresentou, de forma lata, o uso de novas técnicas para o estudo das rochas reservatório, bem como a dinâmica dos fluidos presentes em seus interiores, propondo, em simultâneo, programas de alto nível para simulação de dados dos reservatórios de petróleo, algo que constituiu um interesse muito grande para a PETROBRAS, nomeadamente o aumento da produtividade de petróleo.

O balanço feito pelo Prof. Tito José Bonagamba não podia ter sido melhor. "Conseguiu-se aprofundar todos os temas que eram pertinentes ao CENPES e que estavam em nossas mãos, até porque eles se encontram no limite da fronteira com a academia. Com os resultados positivos deste evento, são colocados agora novos desafios para todo o grupo de pesquisa, que inclui criar uma infraestrutura física que seja capaz de acolher um simulador de poço de petróleo, algo que foi cogitado fazer desde o início desta parceria, inserindo o projeto e construção de magnetos permanentes apropriados para estudos em condição de perfilagem".

Contudo, para o Prof.Bonagamba, o principal de tudo é que o IFSC/USP conseguiu levar a academia para dentro da indústria, até porque, segundo o pesquisador "É esse o movimento que deve subsistir". Mais do que equipamentos, o que deverá ser sublinhado são as pessoas que fazem parte desta equipe, um grupo de pesquisadores de alto nível que soube interagir de forma fantástica com as expectativas e necessidades da Petrobras.

A opinião do CENPES

Após as apresentações dos membros do LEAR, coube aoGerente da Gerência de Integração Rocha Perfil Sísmica, área que se encontra inserida no P&D de Exploração e Produção da Petrobras,Vinicius de França Machado,que acompanhou com extrema atenção as apresentações, fazer um balanço do evento.

Para ele, o que se retira de imediato, após as apresentações, é que o investimento que a Petrobras está fazendo no IFSC/USP tem retorno para a empresa e que isso é a base sólida para que se continue a investir. "Vou ser bem sincero: Alguns dos investimentos que a Petrobras faz com Universidades não dão retorno, ao contrário deste que foi feito com o LEAR e cujos resultados estão bem à vista. E é isso que queremos manter e aumentar".

Para Vinicius, o papel da Universidade é gerar e manter esses grupos ativos, independente do fato de alguns membros deles irem para a indústria, ficarem na academia ou criarem seu próprio modo de subsistência. De fato, a parceria entre o CENPES e o LEAR/IFSC/USP é um autêntico caso de sucesso, constituindo motivo de orgulho para ambas as partes, principalmente porque os projetos apresentados geraram resultados práticos importantes, equipamentos, novos métodos e processos, enfim, conhecimentos sendo gerados e repassados.

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