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sábado, 16 de janeiro de 2021
Cidade

Em 2016, 369 mulheres sofreram violência em São Carlos

Levantamento foi feito pelas Promotoras Legais Populares; balanço preocupa, pois números são considerados altos

18 Set 2017 - 12h49
Foto: Marcos Escrivani - Foto: Marcos Escrivani -

Números preocupantes e que mostram que as mulheres de São Carlos sofrem constantemente, algum um tipo de agressão. Em 2016, após processos instaurados na Justiça, foram expedidos 369 medidas protetivas, o que equivale a mais de um por dia. Em números, mais de uma mulher por dia, em São Carlos, sofreu violência física, moral ou psíquica.

Em 2016, segundo dados contidos no site da Secretaria de Segurança Pública, a Delegacia de Defesa da Mulher instaurou 692 inquéritos. Esses dados são oficiais, após serem formulados boletins de ocorrência.

Todavia, muitos casos de agressão contra mulheres não chegam às autoridades policiais.

Ainda, com relação a dados que envolvem violência contra as mulheres, em 2016 o São Carlos Agora fez o equivalente a 67 reportagens locais sobre violência doméstica e familiar, além de 10 na região. Já violência de gênero, foram oito casos na cidade e 4 na região. Os números equivalem a 5,5 reportagens por mês (mais de uma por semana. Os dados coletados dão conta que 38 casos foram de lesões corporais e em 43%, os maridos eram os responsáveis, abrangendo 35 bairros da cidade. O Cidade Aracy, com 14 ocorrências, foi o 'campeão' dos BOs.

Todas essas informações estão contidas em um levantamento minucioso feito pelas Promotoras Legais Populares. A coordenadora geral, a pedagoga Raquel Auxiliadora dos Santos, 34 anos, recebeu a reportagem do São Carlos Agora e garantiu que os números revelados foram preocupantes.

"É considerado muito alto. É um produto social histórico e deixa explícito que os homens querem mandar nas mulheres. Um ato de machismo. Seria necessário mudar a cultura que existe no país. Creio que há muito mais casos em São Carlos. Esses dados são oficiais, através de uma pesquisa feita pela entidade", disse.

De acordo com Raquel Santos a violência contra a mulher está na Lei Maria da Penha. Há a doméstica e familiar (relações amorosas e familiares, o convívio na mesma casa), a psicológica, moral, física, sexual, patrimonial, além de assédio moral/sexual e o estupro.

A coordenadora geral da Promotoras Legais Populares afirmou que hoje há pesquisas nacionais sobre a violência contra a mulher. Os dados locais estão desencontrados. "Para que pudéssemos chegar a um número local, fizemos um levantamento em locais de atendimento, como Varas Criminais, Assistência Social, Guarda Municipal, unidades de saúde e até na imprensa, tomando como referência o São Carlos Agora que é o órgão de informação mais completo da cidade", disse. "Foi onde conseguimos chegar a esses números", relatou.

MUDAR A REALIDADE

Para Raquel Santos para mudar a realidade seria necessário que os serviços públicos trabalhassem em rede. "A violência contra a mulher inicia-se em um problema que atinge famílias que vive em ambientes em vulnerabilidade social. É um processo que necessita muita articulação. Mas oriundo da educação", analisou.

Uma iniciativa que poderia ajudar e que existe em algumas cidades seria um trabalho conjunto entre a Guarda Municipal e a Assistência Social. "É a Patrulha Lei Maria da Penha. Após a mulher solicitar medida protetiva, é feita uma visita com regularidade até sua casa, no sentido de proporcionar segurança".

PROMOTORAS LEGAIS POPULARES

A Promotoras Legais Populares existe no Brasil todo. Em São Carlos atua há sete anos, com a finalidade de promover a lei de proteção às mulheres de maneira popular.

"Procuramos orientar e conscientizar", disse Raquel Santos. "São realizados cursos anuais que formam mulheres. A ideia é fazer com que elas busquem os seus direitos. O foco são os direitos das mulheres. A violência é o tema principal", emendou.

Todos os anos são formadas pelo menos 20 mulheres de todos os bairros de São Carlos. O curso é gratuito e autoridades da cidade, ligadas aos direitos das mulheres são convidados para dar as aulas.

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