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quarta, 23 de setembro de 2020
Coração de mãe...

Dona Celina, um anjo em forma de gente

Aos 85 anos, funcionária pública municipal aposentada após um acidente, quer vestir crianças carentes no Natal.

10 Set 2018 - 07h44Por Marcos Escrivani
Dona Celina, um anjo em forma de gente - Crédito: Marcos Escrivani Crédito: Marcos Escrivani

Imagine em um anjo... Um milagre... Um ser humano onde guarda única e exclusivamente bondade em seu coração. Imaginaram? Pois bem: em uma casa simples, mas muito bem cuidada, rodeada das filhas, netos, bisnetos, genros e até ex-genro, além de moradores de rua que alimenta. E agora, quer ser uma mamãe adotiva de aproximadamente 600 a 700 crianças carentes?

Quem teria um coração tão benevolente nos dias atuais? Quem disser que é a dona Celina de Oliveira, uma funcionária pública municipal aposentada de 85 anos, acertou no alvo.

Merendeira quando trabalhava, reside em uma casa na rua Pedro de Souza Campos, na Vila Prado. Na década de 1980 era a tia de jogadores da equipe de vôlei masculino Abasc/Tapetes que disputada a Liga Nacional. “Cuidava bem daqueles meninos”. Paralelamente, era merendeira na rede municipal de ensino. “Adoro crianças. Me sentia no céu quando fazia o papa para aqueles aluninhos”.

Hoje, Dona Celina é viúva e desde os 40 anos de idade vive sozinha e desde então criou as filhas Leila Aparecida, Lígia Maria e Lúcia Regina, todas biológicas. Além de Ana Cláudia, adotada com um ano de vida. “Mas esta é minha filha de coração”, diz, orgulhosa. Ajudou ainda a criar nove netos e seis bisnetos.

Caridosa, toda a semana faz uma panelona de comida. Afinal sua bondade vai além da família e alimenta cinco moradores de rua. “Eles sentem fome. As vezes minhas filhas ficam um pouco contrariadas comigo, mas tenho dó e só quero matar a fome deles”, diz, com fala mansa e carinhosa.

AGORA MAMÃE NOEL

E que o bom velhinho que se prepare. No final do ano, ganhou uma concorrência forte. Santa Claus que se cuide... Com muita bondade no coração e muita disposição, aos 85 anos, Dona Celina passa horas e horas, diariamente, sem sua máquina de costura. Com cortes de tecidos doados, bem como aviamentos, dedica-se a fazer roupinhas que serão doadas para crianças de ambos os sexos de 2 a 12 anos. “Mas tem que ser de família carentes”, diz, como única exigência.

A bondosa senhora lembra que seu desejo começou de fato em fevereiro deste ano. Calmamente explicou à reportagem do São Carlos Agora que foi até sua casa e recepcionada com carinho, com direito a um caloroso abraço e uma xícara de café.

“Sempre tive vontade de fazer isso. Essa ideia tenho há anos”, disse. Contudo, em fevereiro deste ano, quando caminhava na Avenida Sallum, dona Celina, sofreu um acidente. Perdeu o equilíbrio e caiu. Bateu com o rosto no chão e sofreu uma forte pancada. Um inchaço no rosto. Desde então passou a usar bengala quando caminha.

Mas quando se restabelecia do acidente, Dona Celina pensava em fazer algo de bom... Como se nunca tivesse feito nada... Então veio a ideia: fazer roupinhas para crianças carentes e entregar no final do ano.

Inicialmente fez 50 peças. “Me animei, fui fazendo, fazendo... Mas ai acabei doando, pois tinha famílias que precisavam e fiquei com dó”, lembra.

Mas suas filhas trouxeram mais retalhos. Apareceram doações de pessoas que trouxeram pontas de estoque. “Então me animei mais ainda e estou produzindo mais roupinhas. Quero fazer uma festa no final do ano e levar tudo o que fizer para duas ONGs (organizações não governamentais) e também levar muitas peças para famílias que moram em bairros carentes”, afirmou a bondosa mamãe Noel. “Pretendo até dezembro produzir umas 700 roupinhas”, disse.

Animada, Dona Celina demonstrou que seu coração é do tamanho do mundo. “Enquanto o homem de lá de cima deixar, eu vou fazer. Hoje, meu passatempo é fazer roupinhas e enquanto eu tiver saúde e disposição, vou fazer muitas. Quero estar viva até dezembro para ver as crianças receber todas as roupinhas. Vai ser o maior presente que Deus pode me dar nesta vida”, afirmou.


Dedicada, Dona Celina que vestir 700 crianças carentes no Natal.

SEM PALPITES

“Minha mãe é uma chata. Mas uma chata de muito bom coração. Quando está fazendo as roupinhas, é autoritária e não aceita palpites. Ela quer fazer tudo sozinha e não deixa ninguém ajudar. E ai da gente, se teimarmos”. Com esta frase uma das filhas, Lígia Maria explicou a determinação de Dona Celina.

A frase dita foi em tom de brincadeira, mas mostra o foco dessa bondosa senhora que teve a iniciativa e quer cumprir a jornada sozinha. “Elas querem me ajudar, mas gosto de trabalhar sozinha, idealizar os modelos e costurar. Depois que as peças ficam prontas, ai mostro para elas”, explicou.

EXEMPLO DE VIDA

Durante a reportagem, o SCA conversou com uma das filhas de Dona Celina, a cabeleireira e manicure Lúcia Regina, 40 anos. “Sempre foi trabalhadora. Sempre fez caridade. Sempre estendeu a mão. É um orgulho muito grande ter uma mãe assim”, disse emocionada. “Cuidou sozinha dos filhos. Ensinou valores morais e religiosos. Principalmente sermos honestas. É um exemplo de vida. É um amor sem tamanho”, emendou, cheia de felicidade, salientando que toda a família estará unida em torno da matriarca no final do ano e fazer com que seu desejo seja cumprido à risca. “Vamos ajudar a entregar todas as roupinhas. Será um final de ano especial. Com muita luz, muito carinho, muita festa e muito amor”, garantiu Lúcia Maria.

QUEM PUDER DOAR, A CASA ESTÁ ABERTA

Dona Celina vive de doações para fazer as roupinhas. Aposentada, tem um salário pequeno, mas não reclama. “Deus é tão bom. Com meu dinheirinho, pago minhas contas, compro meus remédios e meus alimentos. Faço comida para moradores de rua e ainda sobra um pouquinho que compro aviamentos”, explicou.

Todavia, ela reconhece que não possui recursos para comprar tecidos, aviamentos e acessórios e disse que, se tivesse mais matéria prima, iria fazer mais roupinhas.

Diante de tanta bondade em uma só pessoa, o São Carlos Agora, iniciou uma campanha para que a população dê uma força para esta mamãe Noel, um anjo em forma de gente.

Quem puder fazer qualquer doação de tecido, aviamentos e acessórios basta entrar em contato pelo fone 3375-2310.

Com certeza Santa Claus irá ficar enciumado, pois irá ver sua concorrência aumentar. Por outro lado milhares de crianças carentes de São Carlos poderão ter o privilégio de ter uma roupinha nova no Natal, abençoadas por mãos generosas de uma senhora que dedica-se boa parte do dia na confecção de peças que irão vestir pequenos são-carlenses carentes...

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