quinta, 30 de maio de 2024
Pós-enchente

Comerciantes afirmam que vendas caíram até 60%, mas acreditam no retorno à normalidade

30 Jan 2020 - 10h52Por Marcos Escrivani
Comerciantes afirmam que vendas caíram até 60%, mas acreditam no retorno à normalidade - Crédito: Marcos Escrivani Crédito: Marcos Escrivani

O São Carlos Agora visitou lojas afetadas pelas enchentes no coração da cidade. Nas ruas Episcopal, Geminiano Costa e 9 de Julho. Em todas, a unanimidade: as vendas caíram até 60%. Mas nenhum comerciante falou em demissão ou encerramento de atividades. Lamentaram o ocorrido e disseram que o momento é de levantar a cabeça, respirar fundo e aos poucos trabalhar para que tudo volte à normalidade.

Santo Antonio Zacarim, conhecido como Toninho Calçados, que há 42 anos trabalha com uma casa especializada na venda de calçados e acessórios, disse que a enchente atingiu 1,25 metro de altura em sua loja, apontando as marcas deixadas pela força das águas.

“Perdi muita coisa. No dia seguinte vendia sapatos molhados para não perder tudo. Calçados de R$ 199,00 deixava levar por R$ 70, 80. Meu prejuízo, não tem como calcular”, disse, conformado, lembrando que nas quatro décadas de comércio chegou a enfrentar três enchentes por ano. “Mas teve ano que passamos batido. Entretanto teve uma enchente em maio de 1995, que foi fora de época e para mim, a segunda pior da história. Uma tromba d’agua que assustou”, lembrou, garantindo que enchente de 12 de janeiro foi a pior da história de São Carlos. “Sem dúvida nenhuma”, frisou.

MUDANÇA DE LOCAL

Indagado se deixaria de ser comerciante, Toninho nem permitiu que a frase fosse concluída pela reportagem. “Dia 7 de março completo 42 anos com esta casa. Irei sair deste ponto (esquina da Geminiano com a 9 de Julho), mas irei para a rua General Osório, perto do Bom Prato”, disse. “Meus clientes irão me acompanhar e irei levar mais movimento para aquele quarteirão”.

Indagado sobre o motivo da mudança, foi suscinto. “Não foi uma decisão minha e sim da minha família. Não tínhamos sossego. Sem contar o emocional. Cai uma chuva e já vem uma grande preocupação. Então a opção foi essa: mudar de local e seguir a vida”.

SUCESSO A QUEM VIER

As enchentes não irão fazer com que o centro de São Carlos morra. Pelo contrário. Toninho acredita que o coração da cidade sempre irá bater muito forte. “Onde estou hoje ficará vazio e irá ter um sucessor. Acredito no sucesso do ponto”, falou otimista. “Mas o Poder Público tem que trabalhar e fazer obras para minimizar o sofrimento de todos os comerciantes”, disse, salientando que os transtornos causados pela última enchente foram apenas materiais.

“Foram apenas prejuízos materiais. Se estivéssemos em horário comercial iria ter tragédias. Temos que agradecer a Deus”, finalizou.

REFORMA EM CIMA DE REFORMA

Edson Amaral comerciante que atua no ramo de roupas masculinas e femininas, além de acessórios teve um prejuízo estimado de R$ 50 mil no início do ano. Sua loja ainda passa por limpezas.

Ao SCA disse que foram feitas duas reformas em janeiro, ao se referir ao piso. “Na primeira a água levou todo o piso e quando as obras foram refeitas, veio a segunda enchente”, lamentou. “Coloquei tapumes de aço para tentar evitar o acesso da água em nova enchente”, salientou, afirmando que são necessárias obras urgentes de contenção. “Quero permanecer neste ponto e acredito que tudo irá melhorar. Mas a Prefeitura Municipal tem que ser mais ágil e fazer obras efetivas”, disse, salientando que as suas vendas caíram pelo menos 50%. “Mas estamos trabalhando normalmente e acredito no reaquecimento do mercado”, comentou.

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