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sábado, 27 de fevereiro de 2021
Cidade

Câmara tem manifestação em favor de índios guaranis kaiowás

30 Out 2012 - 17h31
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A Câmara Municipal recebeu na tribuna livre da sessão desta terça-feira (30) o estudante da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Lennon Ferreira Corezomaé, indígena da etnia umutina, que se manifestou em nome de seus colegas, sobre ao drama da aldeia guarani-kaiowa, ameaçada de despejo, por decisão judicial, da área que ocupa na Fazenda Cambará, às margens do Rio Hovy, em Naviraí, Mato Grosso do Sul.

Ele informou que estudantes realizam neste dia 31 em Brasília uma marcha em favor dos índios para sensibilizar as autoridades a buscar a demarcação da área em Mato Grosso. Uma nova manifestação ocorrerá no dia 9 de novembro em São Paulo.

O estudante leu em plenário uma carta do grupo de índios ameaçados, que prometem resistir até à morte: "Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui", afirmam. "Pedimos, de uma vez por todas, para decretar nossa extinção/dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos", acrescentam.

"O que está em jogo é o vínculo dos indígenas com seu território sagrado onde seus antepassados estão enterrados", disse Corezomaé, ao solicitar apoio da Câmara de São Carlos à luta pela demarcação das terras dos guaranis-kaiowas.  Na semana passada, organizações representativas de várias etnias indígenas espalharam nesta sexta-feira 5 mil cruzes no gramado da Esplanada dos Ministérios para protestar contra a violência fundiária e chamar a atenção das autoridades em relação ao impasse em Naviraí.

Dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) indicam que, entre 2003 e 2011, foram mortos 503 índios no País, vítimas de violência fundiária. Desse total, 279 são do povo guarani-kaiowa, que há mais de 50 anos teve suas terras invadidas no Mato Grosso do Sul por projetos de colonização agrícola e, deste então, vive em conflito pela homologação e demarcação de suas reservas.

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