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domingo, 27 de setembro de 2020
Especial Dia dos Pais

Tão perto e tão longe... Filha roqueira, à distância, promete uma “loucura de amor” para “seu exemplo de superação”

07 Ago 2020 - 17h18Por Marcos Escrivani
Tão perto e tão longe... Filha roqueira, à distância, promete uma “loucura de amor” para “seu exemplo de superação” - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Um misto de emoções será o Dia dos Pais para a cearense Vanessa Lopes de Carvalho, uma simpática enfermeira de 28 anos. Longe dos pais, irá comemorar a data à distância. Mas, mesmo assim, promete uma “loucura de amor” por aquele que considera o “seu exemplo de superação”, o jardineiro Carlos Vandebergue de Carvalho, 48 anos, que mora justamente na capital cearense, Fortaleza, terra natal de Vanessa.

Essa matéria integra a série de homenagens especiais ao Dia dos Pais, idealizada pelo São Carlos Agora.

Carlos é casado com a dona de casa Ângela Maria, 48 anos e tem mais três filhos: o primogênito Vanderson (29 anos), Vanderlane (23) e Carliane (16). A “raspa do tacho” é a netinha Geovana, de dois aninhos, filha de Vanderlane.

FILHA DE FERRO, PAPAI QUE SUPERA OBSTÁCULOS

Há 28 anos, Vanessa é uma lutadora. Ao lado do pai, que considera seu exemplo de vida. Aos 24 anos se formou enfermeira e em 2017 deixou o lar onde nasceu para se desenvolver profissionalmente e buscar voos maiores. Escolheu São Carlos, cidade onde pretende fincar raízes.

Durante 11 meses dedica-se ao trabalho e há três anos é Enfermeira Coordenadora da Santa Casa e da Maternidade Francisca Cintra Silva. Dois anos no período diurno e em 2019 mudou para a coordenação noturna. No mês em que curte as merecidas férias, retorna para sua cidade natal, onde mata a saudade da família.

No restante do ano, procura diminuir a saudade dos familiares falando diariamente pelo WhatsApp. Ao falar sobre isso, os olhos de Vanessa se enchem de água, a voz fica embargada e suspiros profundos. Recupera a postura e responde. “É difícil, é um misto de emoções. Uma grande preocupação em não estar por perto deles”.

A tecnologia ajuda a encurtar distâncias. “Quando estou no celular é tão pertinho, uns 30 centímetros de distância. Mas quando a gente desliga, vem a realidade: estamos a aproximadamente 3 mil km de distância”, conforma-se. “Sinto muita falta dos meus pais. Eles me acordavam para ir à escola, tinha uma rotina onde podia vê-los e tocá-los diariamente”.

Indagada sobre quais os exemplos deixados pelo pai ao deixar a casa para seguir a vida, outro momento que fez com que Vanessa suspirasse profundamente. “Admiro demais meu pai. Um exemplo de superação. Somos de uma família simples, de pessoas trabalhadoras e por isso, passamos por dificuldades”.

A enfermeira aproveitou para contar um fato que a marcou profundamente, provando ser uma filha de ferro. “Em 2001 meu pai passou por um processo na Justiça e por vários anos respondeu por isso. Neste período estive ao seu lado e procurei orientá-lo em todos os sentidos. Graças a Deus, meu papai se reergueu e convive hoje com toda a sociedade. É um exemplo de superação e dignidade”, disse, novamente com a voz embargada. “Digo com meu peito cheio de orgulho que o ‘seo’ Carlos, diariamente acorda às 3h40, pega um ônibus e vai para o trabalho onde fica até às 15h30 cuidando das plantas de um shopping de Fortaleza. Em pé, manuseando uma máquina de cortar grama”, comentou. “O passado serviu como aprendizado e hoje ele diz que seu compromisso é com o trabalho e com a família”, completou com os olhos mareados.

Um outro fato que marcou muito a união de Vanessa e Carlos e revelada com riqueza de detalhes pela filha ao SCA ocorreu em 2007. “Me lembro como se fosse hoje. Na escola, um amigo vendendo um violão e eu fiquei louca para tê-lo, mas tinha condições de comprar. Falei com meu pai e com muito esforço ele conseguiu R$ 70 e me deu para comprar aquele violão. Foi o melhor presente da minha vida, uma relíquia! Uso esse presente até hoje e conservo com muito carinho. O violão é minha terapia e um motivo para sentir meu pai bem pertinho de mim”.

MUITO DENGO

Para a família é Vanessa. Às vezes apenas “Vã”. Mas para a sobrinha, a tia se chama “Linda”, um nome adequado para uma bela cearense. “A Geovana é nosso dengo”, revelou.

Mas o mesmo “dengo”, Vanessa demonstra à distância pelo pai. Provocada ao elaborar duas frases que define Carlos, ela pediu momentos de reflexão e produziu palavras que vieram diretamente do coração.

Pai, tua força de vontade e a tua simplicidade, me tornou uma pessoa forte a enfrentar todas as barreiras impostas pela vida” e uma segunda revelação. “Pai, foi através da tua história que busco forças para enfrentar todos os obstáculos a frente”.

ROQUEIROS NA ESSÊNCIA

Vanessa torce para o Fortaleza, o Rei Leão do Brasil e Carlos para o Ceará, o clube Vovô. Mas ambos têm uma coisa em comum: são roqueiros em sua essência. Assim, os cumprimentos são mais à distância, mas com muito carinho e afeto. “Tipo. Ele é meio casca grossa. Mas é só por fora. Por dentro é um ‘manteiga derretida’ e chora à toa”, revelou.

Perguntada como foram os 30 dias de férias que passou ao lado de Carlos (21 de junho a 20 de julho), nova emoção. “Dei um abraço naquele durão com coração mole. Senti o coração dele bater. Sinto ele cada vez mais próximo. Estar perto dele, saber que somos adultos, que sou igual a ele, que curtimos o mesmo estilo musical, falamos de futebol, que gostamos das mesmas coisas, que bebemos um destilado, é algo que me marca. Amo demais meu pai, meu tudo”, disse, pela terceira vez, com um ‘nó’ na garganta.

DORZINHA DE COTOVELO E UMA LOUCURA DE AMOR

No domingo, 9, Dia dos Pais, Vanessa conforma-se ao saber que vai estar à distância. “Mas neste dia, vou fechar os olhos e sentir um abraço do meu pai. Mesmo a 3 mil km de distância. Por isso sempre digo aos irmãos para aproveitar nosso papai enquanto estão pertos”, disse, salientando ter uma ‘dorzinha’ de cotovelo.

Mas no domingo, Vanessa adiantou que fará uma loucura de amor, uma homenagem à moda antiga. “Mas nem pergunta, porque não revelo. É surpresa”.

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