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segunda, 18 de outubro de 2021
Saúde

Profissionais temem paralisação da hemodiálise da Santa Casa

24 Ago 2018 - 13h08Por Abner Amiel/Folha São Carlos e Região
Profissionais que atuam no setor vão trabalhar até o dia 1 de setembro - Crédito: Abner Amiel/Folha São Carlos e RegiãoProfissionais que atuam no setor vão trabalhar até o dia 1 de setembro - Crédito: Abner Amiel/Folha São Carlos e Região

Profissionais que atuam no setor de nefrologia da Santa Casa estão apreensivos em relação ao futuro do serviço de hemodiálise e temem que o serviço pare a partir de 3 de setembro. O hospital não renovou o contrato com a empresa que opera o serviço e pediu a desocupação do prédio.

A Santa Casa anunciou que vai gerenciar o serviço, mas não garantiu ajustar aproximadamente 50 profissionais que trabalham no setor. A situação gera insegurança e o médico societário Nelson Gonçalves Silva disse que e decisão está sendo tomada sem um período de transição e com déficit de profissionais especializados em nefrologia. Os profissionais devem fazer uma reunião com o prefeito Airton Garcia (PSB) na tarde desta sexta-feira (24).

“É uma mudança praticamente impossível de ocorrer, não porque faço questão de continuar como responsável. O contrato entre a nossa empresa e o hospital é feito para ser renovado a cada cinco anos e renovado indefinidamente até que uma das partes se manifeste. Só que uma das partes tem que demonstrar interesse com seis meses de antecedência para que haja uma transição tranquila e possamos passar todo histórico, exame físico, intercorrências de cada paciente”, disse.

A direção da Santa Casa e o médico societário participaram de uma reunião reservada às 11h desta quinta-feira (23) para discutir uma eventual compra ou aluguel dos equipamentos.

Segundo Silva, o setor de nefrologia tem 40 máquinas de hemodiálise, cada uma com um custo de em torno de R$ 45 mil; uma farmácia com uma estrutura que vale R$ 300 mil; e um reservatório com um tratamento de água precificado em R$ 400 mil.

“Eu não posso levar todos os equipamentos embora. Como os pacientes vão fazer diálise?” questionou o médico.

Outra situação que traz alarme é que profissionais especializados em nefrologia são raros, segundo o médico.

“Não tem no estoque de funcionário gente com especialização e treinamento em hemodiálise”, ressaltou.

A enfermeira e responsável técnica, Cristina Vidal, que trabalha no setor há 22 anos, disse que a hemodiálise não funciona com menos de 40 pessoas especializados.

“Não sei se será uma equipe nova, não sei se vem treinada, nem a quantidade. Mas garanto que com menos de 40 pessoas aquele serviço não funciona. Trabalhos em dois turnos de funcionários que acompanham três turnos de pacientes. É um serviço muito especializado, não dá para pegar uma técnica de enfermagem de um setor e colocar para trabalhar do dia para noite”, justificou.

Segundo fontes do hospital, a Santa Casa já abriu processo seletivo para contratar profissionais para atuarem no setor de nefrologia. Outra fonte diz que uma equipe virá de Araraquara para realizar o serviço. O médico Nelson Gonçalves Silva confidenciou que o secretário de Saúde, Marcos Palermo, e o provedor da Santa Casa, Antônio Valério de Morillas, disseram que a decisão da Santa Casa administrar o serviço a partir de 3 de setembro e não absorver os funcionários é irreversível.

Os profissionais que atuam no setor são psicólogos, assistentes sociais, enfermeiras, técnicos em enfermagem e secretarias.

A nefrologia da Santa Casa atende em média 180 pacientes do SUS e de convênios do município de da região.

A verba que movimenta a engrenagem do setor vem do Ministério da Saúde. Todo mês a empresa faz uma planilha informando o valor da produção, manda para Secretaria de Saúde que encaminha para o Ministério da Saúde. A pasta deposita em média R$ 400 mil por mês para Prefeitura, que repassa a verba para Santa Casa. O hospital fica 12% do que a empresa produz aos pacientes do SUS e 15% de convênios.

Segundo Nelson, a nefrologia da Santa Casa faz mais de 1 mil sessões de hemodiálise por mês. Cada sessão para pacientes do SUS custa aproximadamente R$ 170 reais, valor que o médico considera pouco tendo em vista que o custo fica perto de R$ 150 por sessão.

O médico disse que espera um desfecho que não possa prejudicar os pacientes.

“Espero que possam decidir e usar o bom senso e contratar esses profissionais. São pessoas que com experiência que tem famílias, filhos que podem ficar nas ruas”.

DENÚNCIA

A nefrologia da Santa Casa tem hoje três salas de sessões de hemodiálise, uma com 13, 9 e 8 máquinas, respectivamente. Tem ainda uma sala de emergência, de hepatite C, para paciente infantil e um espaço de reuzo capilar, com três máquinas processadoras capilares, e uma sala de espera para acompanhantes.

No subsolo tem um reservatório com sistema de tratamento de água que alimenta a rede que abastece as máquinas de hemodiálise e uma farmácia de manipulação exclusiva para a produção de concentrados que produz soluções próprias que, inseridas nas máquinas com água, retém toxinas e retira impurezas.

O serviço é administrado por quatro médicos nefrologistas e uma nefropediatra. A mesma empresa gerencia o serviço em Matão, Pirassununga.

O setor de hemodiálise foi alvo de denúncia que chegou no Ministério Público e na Câmara Municipal. O vereador Marquinho Amaral (MDB) disse que setor não tinha higiene, cobertor, remédios e havia máquinas sucateadas. Declarou que os médicos estavam lucrando com o sucateamento, em um serviço falido que oferecia risco de infecção hospitalar. Uma audiência pública em maio foi realiza para dois dos médicos responsáveis, Afonso Thadeu de Souza Pannaci e Nelson Gonçalves da Silva, explicarem a condição do serviço. O Conselho Regional de Medicina (CRM) chegou a instaurar um inquérito, mas foi arquivado.

Em visita ao setor na manhã de quinta-feira, a equipe de nefrologia mostrou laudos de análise e relatórios mensais sinalizando que o serviço estava em ordem com órgãos de fiscalização.

O médico Nelson rebateu as acusações e disse que as informações divulgadas são inverídicas.

“O serviço passou por uma dificuldade, mas nada que fizemos e tivemos trouxe risco ao paciente. Foi dito que nosso índice de mortalidade estava muito alto, que as máquinas são sucateadas, que falta medicação, que tiramos dinheiro daqui e injetamos em outros espaços e que o nosso serviço era um dos quatro piores, mas não corresponde com a realidade”, sustentou. “Somos auditados pela Vigilância Sanitária duas vezes por ano e mesma não deixaria o serviço ser realizado irregular”.

O médico questionou o método que a Secretária de Saúde e a Santa Casa usaram para avaliar o serviço. “Nós injetamos dinheiro aqui. Nossas máquinas têm no máximo 20 anos. Faz cinco anos que não ganhamos pró-labore, plantão, trabalhamos sem receber.  Fizeram uma pesquisa com denúncia de pessoas e colocaram depoimentos negativos e ignoraram o outro lado. Eu tenho dúvida da maneira que foi conduzido tudo isso”.

“Faz 12 anos que estou aqui, entro às 5h e eu e as enfermeiras nunca vimos um vereador para conhecer o nosso ambiente de trabalho. Não tem nenhum profissional ocioso, todos trabalhamos sérios e fazemos com amor para cuidar da vida de outras pessoas”, disse a enfermeira Luciene Semedo de Oliveira.

PACIENTES

O funileiro e pintor de automóveis Francisco de Assis Matioso, de 57 anos, faz sessões de hemodiálise há mais de dois anos e meio.

“Pra mim o serviço é bom. Estou bem por causa das máquinas e das enfermeiras. Eu já passei mal e se não tivesse sido elas eu já teria morrido”.

O aposentando Alfredo Claudeli Manuel, de 80 anos, realiza hemodiálise há cinco anos, e fez uma avaliação da limpeza e fez uma consideração em relação a alimentação. “O espaço é limpo e os médicos também me tratam bem. Eu não tenho o que reclamar. A alimentação foi trocado, tinha um pão com manteiga, queijo, mas a nutricionista achou que era melhor trocar. Agora tem iogurte e bolacha”.

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