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terça, 19 de outubro de 2021
Música

“Misturando Estações” encanta e revela necessidade de apoio para talentos locais

24 Set 2018 - 08h15Por (*) Cirilo Braga
Regina Dias, Rodrigo Zanc e André de Souza no Teatro: Música de qualidade que merece apoio da cidade - Crédito: Glorinha SarattRegina Dias, Rodrigo Zanc e André de Souza no Teatro: Música de qualidade que merece apoio da cidade - Crédito: Glorinha Saratt

Um notável trio de cantores aclamado pelo público não só deu conta do recado no palco do Teatro Municipal de São Carlos, ao passear por vários estilos com o auxílio luxuoso de uma banda formada por instrumentistas talentosos, como veio provar a vitalidade da cena musical de São Carlos.

Rodrigo Zanc, Regina Dias e André de Souza cantaram juntos e também separadamente no espetáculo “Misturando Estações” em sua mais recente edição, oferecendo a quem assistiu um exemplo da vasta beleza da música popular brasileira.

De No Rancho Fundo (Ary Barroso /Lamartine Babo) à Bandeira do Divino (Ivan Lins), passando por Trilhos Urbanos (Caetano Veloso), Gostoso Demais (Dominguinhos), Amor de Índio (Beto Guedes), Casinha Branca (Gilson Vieira da Silva), O Trem Azul (Lô Borges/Ronaldo Bastos e outras joias da MPB. Ao lado de Ricieri Nascimento (baixo e voz), Bruno Bernini (bateria), Murilo Barbosa (teclado) e Thiago Carreri (guitarra), o que Regina, Zanc e André apresentaram em contraponto ao nome do show, foi uma sintonia fina de estilos que se amalgamam. O cancioneiro de nosso país produz essa maravilha e permite reconhecer os acordes mesmo daquelas  canções ouvidas pela primeira vez. Nas vozes de cantores de timbre semelhante, as letras soam como a continuação de músicas já guardadas na memória. Fruto, diga-se, de uma cuidadosa  escolha de repertório, de uma produção musical apurada e da sintonia dos intérpretes que se divertem no palco.

Não é de hoje, afinal, que cada um deles pôs o pé na profissão de tocar um instrumento e de cantar. Ali estavam Regina Dias de “Hamilton e Seus Estados”, dos festivais, de projetos musicais consistentes; o Rodrigo Zanc, mestre da viola caipira e do Coral “Quatro Cantos”, cantor e compositor aclamado na seara regional; e o afinadíssimo André de Souza, músico, vocalista e compositor do primeiro time. Se mais não se pudesse falar deles, bastaria citar seus trabalhos solos, já gravados: “Fantástico Urbano” e “Rasante” (Regina), “Fruto da Lida” e “Pendenga” (Zanc) e “Bola pra frente” (André, também participante dos CDs Terra Nativa e Mostra Geral, do Grupo Mandinga).

Com o prodígio de nos colocar em sintonia com esses talentos do interior paulista, as “estações” a que alude o título do espetáculo, quando misturadas – ao contrário do cruzamento das faixas de frequência do rádio – estabelecem uma harmonia, reinventam canções e premiam quem tem o sortilégio de ouvi-los. Quando entoaram juntos “Abre alas pra minha folia”, os artistas já antecipavam os agradecimentos aos apoiadores do espetáculo, a Prefeitura, entidades associativas e estabelecimentos do comércio e serviços, que merecem registro.

Apoiar artistas locais e regionais, infelizmente está distante de ser uma prática corriqueira na cidade que possui longa tradição na cultura e nas artes. “Misturando Estações” é um projeto musical que já está na terceira edição, fruto do esforço quase quixotesco dos artistas envolvidos. O primeiro foi realizado já há onze anos, o segundo teve participação do Tarja Preta (Rock), Neto Rockfeller (Blues), Gabi Milino (alternativo), Mih Marchetti (Pop), Regina Dias (MPB) e Rodrigo Zanc (Regional).

Algo para estar no radar dos articuladores de arte e cultura do setor público e também de investidores privados com interesse em valorizar sua marca ao patrocinar eventos identificados com a tradição histórica da “Capital do Conhecimento”.

Quem sabe um dia os muitos talentos musicais da cidade e região possam ter o seu valor devidamente reconhecido pelos governantes - como já é pelo público – para que o apoio aconteça de forma natural e  espetáculos sejam inseridos na programação cultural de São Carlos e disponibilizados ao público. . Algo do tipo “virada cultural” são-carlense. Não é utopia.

Afinal, aí estão diante de nós tantos craques de todos os gêneros musicais que nem dá para citar um a um, tantos são eles.  Gente de Talento que em qualquer parte do mundo civilizado seria – e é – recebida de braços e ouvidos bem abertos. Em sua própria terra também há de ser.

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