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sexta, 03 de julho de 2020
Cautela

Para médico da UFSCar, retorno às aulas presenciais é medida de “alto risco”

Especialistas em educação e saúde defendem a queda da curva endêmica para se pensar em retomada das aulas.

26 Jun 2020 - 11h03Por Redação São Carlos Agora
Retorno às aulas: motivo de divergências entre especialistas - Crédito: Arquivo/SCARetorno às aulas: motivo de divergências entre especialistas - Crédito: Arquivo/SCA

Nesta semana, a Secretaria de Estado de Educação estabeleceu uma data para um possível retorno às aulas: 8 de setembro, desde que obedecidas algumas regras como a ocupação máxima de 35%, com revezamento de estudantes durante a semana e sob rígidos protocolos de segurança definidos no Plano São Paulo de indicadores de saúde. O professor da UFSCar, Bernardino Alves Souto, classifica como “medida de alto risco” o retorno às aulas presenciais no momento em que a curva endêmica da covid está em ascensão.

Rossieli Soares, o secretário de Educação de São Paulo, ponderou que o cronograma de reabertura das escolas está diretamente condicionado às fases de flexibilização do Plano São Paulo. A retomada das aulas presenciais só vai acontecer se todas as regiões do estado permanecerem na etapa amarela – a terceira menos restritiva segundo critérios de capacidade hospitalar e progressão da pandemia – por 28 dias consecutivos.

O assunto traz divergências entre as autoridades da saúde e educação. O secretário municipal de Educação, Nino Mengatti, expressou sua opinião em uma live publicada no Facebook. Ele buscou tranquilizar pais, professores e outros servidores que compõem o quadro da Educação, defendendo critérios científicos para o retorno às aulas. “Não há nada definido [sobre o retorno às aulas em 8 de setembro]. Vamos fazer um estudo, com a equipe da secretaria e com o comitê covid [da Prefeitura], além dos cientistas da USP e UFSCar que têm se dedicado ao assunto. Desde o começo, nos baseamos na ciência e assim será esse plano de retomada. Hoje, as condições de retorno às aulas são impraticáveis com o avanço de casos de coronavírus. Muita gente colabora, mas outros não têm consciência do período de gravidade que estamos vivendo. Qualquer decisão a ser tomada, será à luz da ciência”, reforçou o secretário.

Cautela

O professor do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Bernardino Alves Souto, crava que as atividades educacionais em sala de aula devem ser as últimas a retornarem à normalidade. “Para estabelecermos uma data, necessitamos de uma queda na curva epidêmica, algo que não está acontecendo neste momento”, realçou.

O último boletim covid divulgado pela Vigilância Epidemiológica de São Carlos aponta 455 casos para a doença, com 12 mortes confirmadas e uma suspeita. 41 óbitos já foram descartados até o momento.

Na opinião do professor da UFSCar, a estrutura arquitetônica das escolas não contribui para um retorno seguro das aulas. “Isso representa um altíssimo grau de risco de propagação do coronavírus”, esclareceu.

O professor Azuaite Martins de França (Cidadania), classificou o gesto da Secretaria de Estado da Educação, como precoce, porém prudente, uma vez que o secretário Rossieli Soares não cravou o retorno para 8 de setembro. Tudo depende das condições do avanço da doença.

Na opinião dele, o Estado firma o ano letivo em 200 dias. Se o avanço da covid-19 estiver controlado, com regras sanitárias claras, ele enxerga margem para a reposição das aulas, inclusive aos sábados e outras datas. “O ano letivo começa em fevereiro. Por que não começarmos o próximo ano escolar em maio de 2021?”, sugeriu.

Professores

A presidente da Apeoesp, o sindicato que representa os professores da rede pública de São Paulo, Maria Izabel Azevedo Noronha, a professora Bebel, classifica, em nota divulgada à imprensa, que o plano de retomada das aulas não detém base científica. “Como pretende o governo garantir condições para a higiene pessoal de milhões de estudantes, se chega a faltar água em muitas escolas, não há lavatórios suficientes, a maior parte dos banheiros se encontra em péssimo estado, há falta até mesmo de papel higiênico e papel toalha? Haverá garantia de álcool em gel para todos, máscaras de proteção e verificação da temperatura dos estudantes na entrada das escolas todos os dias? Serão aplicados testes em massa em professores, estudantes e funcionários quando desta retomada?”, questionou.

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