quarta, 12 de junho de 2024
Pandemia da Covid-19

Abertura de escolas sem protocolos aumenta em 270% o risco de contágio

Imunização, testagem e fechamentos intermitentes elevam proteção, aponta estudo

11 Mai 2021 - 07h34Por Redação
Abertura de escolas sem protocolos aumenta em 270% o risco de contágio -

O atual modelo de volta às aulas com presença de alunos apenas intercalada é suficiente para controlar infecções pelo novo coronavírus?  A pergunta foi feita pela prefeitura de Maragogi-AL a matemáticos e pesquisadores que fazem parte do projeto ModCovid19, apoiado pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e selecionado pelo Instituto Serrapilheira em uma chamada de projetos emergenciais para ana?lise da crise sanita?ria da Covid-19.

A resposta alarmante, de que esse modelo poderia elevar em até 270% o risco de contágio nas escolas, em 80 dias de funcionamento, está na nota técnica Quantificando o impacto da reabertura escolar durante a pandemia de covid-19, coordenada por Claudio Struchiner (FGV e UERJ) , Tiago Pereira (USP/ São Carlos e CeMEAI) e equipe.

A mesma nota apresenta a simulação de um modelo que indica que a imunização, somada a outros protocolos, incluindo testagem, monitoramento e fechamentos intermitentes apresentam um ambiente bastante seguro para proteger a comunidade escolar onde o aumento de casos poderia cair para a casa dos 18% e na cidade como um todo, 3%.

Para chegar a tais resultados, a modelagem para a retomada de aulas presenciais em escolas pu?blicas utilizou dados demogra?ficos, socioecono?micos e epidemiolo?gicos do já citado munici?pio escolhido como estudo de caso: Maragogi-AL, com aproximadamente 33 mil habitantes, e trabalhou com quatro cenários possíveis.

No primeiro, cenário A - a análise se baseou no conta?gio comunita?rio com escolas fechadas, no cena?rio B -  a reabertura com turmas e hora?rios reduzidos: turno escolar de 2 horas, turmas separadas em dois grupos, com aulas presenciais em dias intercalados. Já no cena?rio C -  haveria reabertura reduzida com funciona?rios imunes: turno escolar de 2 horas, turmas separadas em dois grupos, com aulas presenciais em dias intercalados e funciona?rios imunizados. E por fim, no cenário D- o estudo partiu de uma reabertura reduzida com monitoramentos e fechamentos tempora?rios: turno escolar de 2 horas, turmas separadas em dois grupos, com aulas presenciais em dias intercalados, estudantes sa?o testados e isolados (14 dias) quando sintoma?ticos ou quando familiar for confirmado positivo, se estudante for confirmado positivo, seu grupo e? suspenso por 14 dias, se mais de um grupo apresentar estudantes positivos, a escola e? fechada por 7 dias.

"O cenário D foi bastante efetivo para proteger a comunidade escolar (aumento de casos em 18%) e a cidade como um todo (aumento de 3%). Estes resultados sa?o consideravelmente robustos, permanecendo qualitativamente os mesmos quando testamos o caso em que apenas metade das fami?lias notificam casos positivos entre seus membros ", conclui a nota técnica.

"A nota destaca ainda que o fechamento intermitente requer que as escolas fechem em me?dia 40% dos dias. Considerando também o fechamento parcial de turmas, cada estudante teve em me?dia 2,5 horas de aula por semana, porém esse apresentou-se o cenário mais seguro ", explicou o pesquisador Tiago Pereira.

Segundo ele, o modelo poderia ser aplicado a qualquer município, demonstrando a importância de se avaliar quantitativamente o efeito de diferentes protocolos de reabertura para a deliberac?a?o de retomada de aulas presenciais e semipresenciais em escolas pu?blicas brasileiras. "Torna-se responsabilidade dos gestores pesar estas avaliac?o?es para desenvolver protocolos de ac?ões efetivas para a reabertura segura de nossas escolas", disse.

O estudo serve de alerta para que uma reabertura sem nenhuma medida de monitoramento de casos na comunidade escolar, mesmo com turmas reduzidas, pode aumentar, como já dissemos, o total de infectados na populac?a?o escolar em ate? 270%, em 80 dias de funcionamento escolar.

Conclui ainda que a vacinac?a?o de profissionais e? uma medida essencial para potencializar o efeito da reduc?a?o de turmas. Ainda assim, na ause?ncia de outras medidas de monitoramento e quarentena, o conta?gio pode aumentar em 178% o risco de infecções dentro da populac?a?o escolar.

O grupo é coordenado pelos Professores Claudio Struchiner (FGV e UERJ) e Tiago Pereira (USP e Cemeai). Modelagem e desenvolvimento são supervisionados por Guilherme T. Goedert (Univ. Roma "Tor Vergata", RWTH Aachen e Cyprus Institute), e realizados por Juliano Genari e Ismael Ledoino (LNCC). Análise de dados foi feita foi Lucas Resende (IMPA) e Edmilson Roque (USP). O modelo foi alimentado com dados providenciados pelos Professores Sérgio Lira e Krerley Oliveira (UFAL).

Para mais informações, acesse aqui o documento completo: Quantificando o impacto da reabertura escolar durante a pandemia de covid-19.

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