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terça, 20 de outubro de 2020
Dia a Dia no Divã

Síndrome do sabe-tudo

30 Jul 2018 - 06h56Por (*) Bianca Gianlorenço
Síndrome do sabe-tudo -

Há pessoas inteligentes e sensíveis que embora tenham mais conhecimento e recursos, não deixam as outras desmotivadas, mas gerenciam bem os protocolos para que os outros não se sintam desconfortáveis. E há também o sabe-tudo que adota uma atitude arrogante, que presume saber demais e, portanto, diz explicar tudo, em qualquer momento ou lugar, beirando a insolência.

Algumas pessoas, mesmo quando não entendem direito algo, afirmam saber mais do que outras e insistem em buscam informações para confirmar sua visão parcial, ignorando os dados que as tornam menos especialistas. Em outras palavras, essa atitude arrogante intelectualmente não vem do conhecimento, mas sim da sua ausência. É extremamente difícil a relação com esse tipo de pessoa, pois ela ignora a visão do outro impondo a qualquer custo o seu “saber”. Isso dificulta as relações pessoais e profissionais.

O maior problema do mundo é que os ignorantes e os fanáticos estão muito seguros de si mesmos e as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas.

Uma pessoa inteligente, quando encontra informação que contradiz seus pontos de vista, deve buscar um ponto de equilíbrio e refletir sobre suas crenças iniciando um pensamento crítico.

 As pessoas que acreditam saber tudo obviamente, alimentam seu senso de superioridade intelectual, perdendo oportunidades de ampliar conhecimentos integrando outros pontos de vista. Em outras palavras, as pessoas que sabem tudo, se trancaram em seu sistema de conhecimento e crenças, que assumem como uma verdade absoluta, e se recusam a valorizar outras ideias que não combinam com as deles. A vida muitas vezes exige um “jogo de cintura”, uma maleabilidade e precisamos entender que cada um tem um ponto de vista e devemos no mínimo respeitar, não precisamos concordar.

Um “eu” maduro quando está errado, reconhece e muda
Até certo ponto, todos nós tendemos a fugir dos argumentos que refutam nossas crenças porque nosso cérebro odeia a dissonância cognitiva. Não há dúvida de que validar nossas crenças é bom, ao passo que vê-las desafiadas gera desconforto, especialmente quando se trata de crenças importantes ou profundamente arraigadas.

No entanto, uma pessoa inteligente permanece aberta a novas oportunidades e, se cometer um erro, reconhece o seu erro, porque sabe que, para crescer e progredir, é necessário deixar muitas certezas. O sabe- tudo, ao contrário, cai em sua própria armadilha: baseando sua autoestima em seu “conhecimento vasto”, quando são questionadas, sentem-se inferiores, entram em crise e precisam desesperadamente validar esse conhecimento para voltar a se sentir importante.

O problema com esperteza é que, no final, essa estratégia de intimidação intelectual é uma máscara para esconder uma profunda insegurança pessoal. Para reconhecer nossos erros e mudar nossas crenças, precisamos de um “eu” maduro e autoconfiante que não tenha medo de constantes atualizações ou de deixar de lado as certezas para se abrir à incerteza.

A solução para essas pessoas está em quebrar esse círculo vicioso. Entenda que se apegar a certas crenças na verdade impede que continuemos explorando, descobrindo e aprendendo. É um passo difícil, mas não impossível.

A terapia é um recurso indispensável para mudar o modo de enxergar a si mesmo e o mundo que o rodeia.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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