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sábado, 19 de setembro de 2020
Qualidade de Vida

Paralisia Cerebral

30 Ago 2018 - 07h00Por (*) Paulo Rogério Gianlorenço
Paralisia Cerebral -

Paralisia Cerebral é um grupo de desordem permanente do desenvolvimento da postura e movimento, causando limitação em atividades diárias, físicas e na qualidade de vida como um todo, que são atribuídas a um distúrbio não progressivo que ocorre no desenvolvimento encefálico fetal ou na infância, mas freqüentemente mutável, que afetam os movimentos do corpo, da postura e do equilíbrio, ainda pode estar presente distúrbios associados como cognitivos, sensoriais e de comunicação.

A paralisia cerebral, denominada encefalopatia crônica não-progressiva da infância, é conseqüência de uma lesão estática, ocorrida no período Pré, Peri ou Pós-natal que afeta o sistema nervoso central em fase de maturação estrutural e funcional. É definida como uma desordem do movimento e da postura devido a um defeito ou lesão do cérebro imaturo, as causas da Encefalopatia Crônica Não Progressiva são inúmeras e normalmente desconhecidas, podendo ser ocasionada em qualquer período entre gestação, nascimento, até os três anos de idade da criança.

Período Pré-Natal: Relacionados à saúde materna – por exemplo, a presença de anemias, hemorragias durante a gravidez, eclampsia, hipotensão, Relacionados a infecções congênitas, como rubéola, toxoplasmose, sífilis, Fatores metabólicos maternos, como o diabetes e a subnutrição, Transtornos envolvendo abuso de álcool, drogas e medicamentos, como a talidomida, Alterações devido à radiação, radiografias, radioterapia, Malformações cerebrais congênitas.

Período Peri-natal: Fenômenos circulatório-isquêmicos: geram asfixia severa ao nascimento, decorrente da compressão da cabeça do feto no canal vaginal, Infecções na passagem do feto pelo canal do parto podem levar a infecções meningencefálicas, Bebês pré-termo.

 Período Pós-Natal, Infecções meningencefálicas, Encefalopatias, Traumatismos crânios-encefálicos.

A Paralisia Cerebral é classificada de acordo com a apresentação do quadro clínico e a topográfica:

Espástica: a mais comum, caracterizada pela presença de hipertonia, fraqueza muscular ou paresia.

Extrapiramidal: presença de movimentos involuntários amplos e fixos como distonia, proximais como coreia e distais como atetose associado a tônus postural instável e flutuante tanto em repouso quanto ao movimento.

Atáxica: é a mais rara, suas características são incoordenação, déficit de equilíbrio e hipotonia, com isto a criança apresenta dificuldade para controlar amplitude, direção, força e a velocidade dos movimentos.

Hipotônica: é rara e geralmente evolui para os tipos atáxico e extrapiramidal.

Mista: combina sinais decorrentes de lesões em mais de uma região encefálica, havendo uma combinação entre as classificações anteriores. Já na distribuição topográfica é dividida em: Tetraparesia quatro membros são acometidos simetricamente, Disparesia: membros superiores são menos acometidos que os inferiores, Hemiparesia: acometendo um lado do corpo.

Sinais e Sintomas: A paralisia cerebral é extremamente variável dependendo da idade da criança, do grau e local da lesão. Estas crianças podem apresentar: rigidez muscular e reflexos exagerados (espasticidade), rigidez muscular com reflexos normais (rigidez), falta de coordenação muscular (ataxias), tremores ou movimentos involuntários, movimentos lentos e contorcidos (atetose), dificuldade para caminhar, problemas com deglutição, atraso do desenvolvimento da fala ou dificuldade em falar, dificuldade com movimentos de pinça, dificuldade na audição e visão, deficiência intelectual, convulsões, percepções anormais ao toque, doenças bucais, condições psiquiátricas, incontinência fecal e constipação intestinal, entre outros.

O tipo de alteração do movimento observado está relacionado com a localização da lesão no cérebro e a gravidade das alterações depende da extensão da lesão, dificuldade de sucção, tônus muscular diminuído, alterações da postura e atraso para firmar a cabeça, sorrir e rolar são sinais precoces que chamam a atenção para a necessidade de avaliações mais detalhadas e acompanhamento neurológico. 

A história clínica deve ser completa e o exame neurológico deve incluir a pesquisa dos reflexos primitivos (próprios do recém-nascido), porque a persistência de certos reflexos além dos seis meses de idade pode indicar presença de lesão cerebral.

Reflexos são movimentos automáticos que o corpo faz em resposta a um estímulo específico. Estes reflexos primitivos são normalmente observados no recém-nascido, mas com a maturação cerebral, respostas automáticas como esta são inibidas. 

Depois de colhida a história clínica do paciente e realizado o exame neurológico, o próximo passo é afastar a possibilidade de outras condições clínicas ou doenças que também evoluem com o atraso do desenvolvimento neurológico ou alterações do movimento.

A Fisioterapia Pediátrica nestes casos é indispensável e extremamente benéfica ao desenvolvimento das capacidades dessas crianças, e dependerá das possibilidades reais da criança no tratamento, visando facilitar a sua mobilidade, diminuir a hipertonia muscular e suas complicações como encurtamentos e contraturas, inibindo a atividade reflexa anormal, melhorar a amplitude de movimento, flexibilidade, maximizar o controle motor, aumentar a força muscular e a coordenação motora, técnicas de sensibilidade, melhorar o quadro respiratório, interação do ambiente em que vive e independência, seja na casa ou onde estiver. A fisioterapia prepara a criança para funcionalidade, mantém as funções já existentes ou as aprimora, trabalhando sempre com a finalidade de reduzir prejuízos causados pela paralisia.

Procure respostas mais rápidas de um profissional da área médica e fique de olho no desenvolvimento da criança, quanto mais precoce melhor será o tratamento em busca da melhor qualidade de vida possível.

(*) O autor é graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista Crefito-3/243875-f Especialista em Fisioterapia Geriátrica pela Universidade de São Carlos e Ortopedia. Atua em São Carlos.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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