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quinta, 22 de outubro de 2020
Artigo Rui Sintra

After game

16 Jul 2018 - 10h34Por (*) Rui Sintra
After game -

Não há como um europeu não se sentir orgulhoso em face aquilo que se assistiu na final da Copa do Mundo de Futebol, realizada em Moscou no passado fim de semana. E esse orgulho nada tem a ver com ufanismos ou complexos de superioridade perante povos de outros continentes, apenas tem a ver com diferenças de comportamentos, talvez (digo talvez) em resultado de algo que sempre fez parte de sua gênese – a educação.

No que diz respeito ao jogo da final entre França e Croácia, é redundante sublinhar aqui a entrega total dos jogadores de ambos os times, com as “estrelas” completamente mergulhadas no coletivo: duas máquinas de futebol que provocaram inveja à petulância de muitos. É a forma de ser de um europeu e está tudo dito.

Contudo, o que mais orgulhou o europeu (e não importa se ele é de leste, de oeste, do sul ou do norte), foi a atitude dos chefes de estado presentes nessa final – Vladimir Putin, presidente da Rússia, Emmanuel Macron, presidente da França, e a incrível presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovi?. Não vou aqui enumerar as qualidades de todos eles, mas é bom recordar o que mais evidenciou sua participação nesta final, começando exatamente por Kalinda, uma presidente da república que é a primeira a dar o exemplo a seus concidadãos, viajando de classe econômica com dinheiro de seu bolso e junto com a torcida e com o time. Uma mulher que assistiu aos jogos de seu time (incluindo a final) sempre vestindo a camiseta da seleção croata, em vez de vestidos ou tailleurs caros, que festejou cada vitória de seu time nos balneários, junto com seus jogadores. Depois veio um Macron sempre elevando o espírito nacional – “Liberté, Égalité, Fraternité – e envolvendo toda a seleção francesa no sonho de um país inteiro. Por último, um Vladimir Putin que sabe o que quer para o seu país, que não se importa com o que digam dele e que fez um trabalho formidável na organização do evento, envolvendo a população nele. Não houve obras inacabadas, não houve trambiques (até onde se sabe), nem ilegalidades, e ele participou ativamente da epopeia de sua seleção e supervisionou pessoalmente todas as fases e o decorrer da organização da Copa. Para mim, ele é o cara e demonstrou isso mesmo, mantendo a Rússia em patamar muito elevado.

Por último, a imagem que fica, além da dos jogadores altamente concentrados é a dos três presidentes entregando as medalhas aos novos campeão e vice-campeão do mundo de futebol, sob uma chuva intensa e completamente encharcados, mas com um sorriso largo nos lábios, cabendo a Kolinda abraçar efusivamente os jogadores e respectivas equipes técnicas, um a um. Foi uma final linda, sem firulazinhas, sem “cai-cai”: os jogadores de ambos os times “comeram” a grama por um ideal, por um título, pelos seus países e envolveram seus familiares nesse sonho, com sobriedade, com elegância, com seriedade: não houve churrascos nos quartos dos hotéis. Tenho orgulho de ser europeu.

(*) O autor é Jornalista profissional / Membro da GNS Press Association (Alemanha) / Correspondente internacional freelancer.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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