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segunda, 01 de março de 2021
Polícia

Polícia Civil tenta identificar assassino de comerciante no Cruzeiro do Sul

03 Mar 2016 - 23h02Por Pedro Maciel
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A Polícia Civil tenta identificar o homem que na manhã de quinta-feira (3), executou com um único tiro na cabeça a comerciante Carla Fernanda da Silva, 25, no interior de uma loja de salgados, instalada no Jardim Cruzeiro do Sul. A única testemunha ouvida pela reportagem disse que ela estaria lavando peças de uma sorveteira na pia atrás de uma parede, próximo a Carla, que estaria fora do balcão e apenas ouviu o disparo de arma de fogo e ao virar-se avistou um homem de costas deixando o comércio e a comerciante caída em meio ao salão da casa de salgados. A comerciante foi a sétima vítima de morte violenta por homicídio doloso (morte com intenção) nestes três meses de 2016.

HIPÓTESES

A polícia apura todas hipóteses. O delegado Gilberto de Aquino descartou a possibilidade de latrocínio (matar para roubar), já que nada foi levado do comércio. O delegado acredita em execução sumária e também disse que a cerca de cinco anos o ex-namorado de Carla, Wanderson Lucas de Oliveira, 31, também foi executado com um único tiro na cabeça. Sobre a relação dos crimes e do envolvimento de Carla no esquema CDs e DVDs Piratas, além da venda de cigarros contrabandeados do Paraguai ele disse que tudo está sendo investigado e que a Polícia Civil espera identificar e prender os responsáveis pelo crime em breve.

TIRO

Segundo apurado, na manhã de quinta-feira, por volta das 10h30, a comerciante Carla Fernanda da silva, 25, encontrava-se acompanhada de uma atendente de 34 anos, de outra empresa desmontando e lavando peças de uma sorveteira, instalada no interior da loja de salgados denominada "Rei dos Salgados", localizada na rua República do Líbano, 347, no Jardim Cruzeiro do Sul e segundo a atendente em dado momento ela teria levado algumas peças da sorveteira para uma pia da loja de salgados e iniciou a lavagem. Próximo a ela, atrás de uma parede, no salão fora do caixa estava Carla, quando sem que elas percebessem entrou um homem, moreno, trajando blusa de moleton, com capuz, na cor vermelha, por cima um boné e segundos após sem que ela ouvisse a voz de Carla ou do desconhecido, apenas ouviu o som forte de um disparo de arma de fogo e ao olhar o que ocorria avistou o desconhecido deixando a loja Rei dos Salgados e saindo pela rua República do Líbano com destino a região do jardim Gonzaga. Ela diz que começou a gritar e várias pessoas chegaram e perceberam que Carla estaria morta, mas, mesmo assim chamaram uma viatura do SAMU e policiais militares que chegaram e constataram que a comerciante estaria morta. Várias viaturas cercaram a região sul de São Carlos e inúmeras buscas foram realizadas, porém ninguém sobe informar o nome e onde poderia ser localizado o atirador.

Também alertados, os delegados Walkamar da Silva Negré do 2º Distrito Policial e Gilberto de Aquino da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) acompanhados de seus investigadores também estiveram na loja de salgados acompanhados de peritos do Instituto de criminalística (IC), onde acompanharam toda perícia que apurou que o atirador pegou Carla, pelas costas e desferiu um único tiro que atingiu a região direita de sua nuca, cujo projétil calibre 38, transfixou a cabeça e saiu pelo lado direito da testa.

PLANO

Ouvindo a única testemunha do crime e parentes da comerciante, além de um irmão de 39 anos que trabalhava com a mesma na loja de salgados os policiais civis apuraram o desconhecido adentrou o estabelecimento e executou friamente Carla, com apenas um tiro e ela pode nem ter visto seu assassino, bem como já está apurado que nenhum objeto ou dinheiro foi roubado do estabelecimento. Um dos policiais disse que o marginal planejou o crime e teria estudado todo local e o melhor horário para executar a comerciante que também estaria marcada para morrer por motivos ainda desconhecidos.

Outra testemunha ouvida pela reportagem que pediu anonimato disse que Carla, era uma pessoa muito amiga e alegre. Ela disse que a comerciante trabalhou por muito tempo em um box na Praça do Comércio e após a morte de seu namorado que também foi assassinado como ela com um tiro na cabeça, passou a trabalhar com a mãe em seu box, também na praça do comércio e posteriormente conseguiu um box, onde vendia celular, outros materiais e cigarros contrabandeados do Paraguai, quando foi detida por policiais militares e fiscais da prefeitura com carga de cigarros do Paraguai que já tinha lhe trazido problemas anteriores. A pessoa diz que ela foi trabalhar no Mercado Municipal e posteriormente passou a trabalhar com o irmão na loja de salgados e nunca gostava de falar da execução do ex-namorado Wanderson Lucas, executado no jardim Embaré na região oeste de São Carlos.

Após realizar todos os levantamentos sobre o local de crime, o delegado Walkmar da Silva Negré que responde pela área em que está a loja de salgados registrou o crime de homicídio doloso (morte com intenção) e determinou que o corpo da comerciante Carla Fernanda da Silva, 25, fosse encaminhado para o Instituto Médico legal (IML), onde passou por necropsia e a tarde foi liberado aos familiares para o funeral que ocorre nesta sexta-feira (4).     

EMBARÉ

Wanderson Lucas de Oliveira, 31, foi executado por volta das 19 horas do dia 29 de agosto de 2011, quando manobrava defronte a casa 357 da rua Dom Constantino Amstalden, 273, no Jardim Embaré, sua caminhonete Montana Conquest, vermelha, 2008, placas EAR 7978 - São Carlos. Próximo ao portão de entrada da moradia estaria sua ex-namorada, a comerciante Carla Fernanda da Silva, na época com 20 anos e a sogra, uma comerciante de 56 anos, as quais seriam proprietárias de bancas na praça do comércio, no centro de São Carlos.

Na noite do crime, o executor da morte de Wanderson Lucas, antes mesmo da chegada da caminhonete no Jardim Embaré, já teria se postado em um ponto que daria para ele verificar cada movimento defronte a casa. O executor aproveitou que as mulheres abriam o portão e se aproximou do lado do motorista e desferiu um único tiro de revólver calibre 38, na cabeça e o comerciante tombou no banco do passageiro.

CIGARROS E CITOTEC

Este crime sem autoria conhecida levou a Polícia Civil investigar vários suspeitos e o relacionamento de Wanderson Lucas, que possivelmente teria amizades estreitas com integrantes do crime organizado e Lucas, segundo as investigações apontaram seria uma das pessoas que abastecia box da praça do comércio com cigarros do Paraguai e vários comércios de São Carlos e região. O comerciante também seria uma das pessoas que importava de forma clandestina o medicamento abortivo Citotec, o qual foi apreendido com uma carga de CDs e DVDs piratas, além de três cargas de cigarros contrabandeados do Paraguai em sua residência no Jardim Embaré, onde ele foi executado antes de entrar com a pena um tiro na cabeça da mesma forma que a ex-namorada. 

 

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