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quarta, 28 de outubro de 2020
Eleições 2020

Ronaldo Mota defende a estatização do transporte público

Candidato à Prefeitura de São Carlos diz que fará um governo para a população que depende dos serviços públicos.

14 Out 2020 - 12h32Por Redação São Carlos Agora
Ronaldo Mota em campanha à Prefeitura de São Carlos: São Carlos mais justa, menos desigual, mais diversa e inclusiva - Crédito: Divulgação/PSOLRonaldo Mota em campanha à Prefeitura de São Carlos: São Carlos mais justa, menos desigual, mais diversa e inclusiva - Crédito: Divulgação/PSOL

O São Carlos Agora, a partir desta quarta-feira (14), ouve os candidatos a prefeito. O objetivo do maior portal de notícias da região, é colaborar para a escolha do administrador que vai conduzir uma cidade com mais de 254 mil habitantes e um orçamento que beira R$ 1 bilhão para 2021.

Ronaldo Mota é o candidato a prefeito pelo PSOL. Ele é professor, mestre em ensino de química e conselheiro da Apeoesp, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo. Na opinião dele, São Carlos tem de corrigir distorções históricas, que privilegiaram as elites. “carregamos a herança de uma elite que se fez e se faz explorando e marginalizando os pobres”, destacou.

Ronaldo Mota teceu críticas à gestão da saúde. Considerou o atendimento, principalmente às mulheres, como precário. O professor e candidato à Prefeitura de São Carlos defendeu a estatização do transporte público. “Nós defendemos a reestruturação do Conselho Municipal de Usuários do Transporte e uma política que vá no sentido da estatização do transporte, criando uma empresa pública que preste o serviço e seja controlada pela população, com suas contas abertas e não com a caixa-preta que existe hoje”, esclareceu.

Acompanhe as 12 perguntas elaboradas para o candidato:

Divulgação/PSOL

1) Por que ser prefeito de São Carlos?

Essa é uma cidade com o terrível histórico: a última cidade a acabar com a escravidão. Portanto, carregamos a herança de uma elite que se fez e se faz explorando e marginalizando os pobres. Os governos que se sucederam em São Carlos, incluindo o atual prefeito, representam o interesse das elites: setor da especulação imobiliária – vice prefeito e prefeito são donos de imobiliárias.

Por que eu escolhi resistir? Eu escolhi estar ao lado da minha classe, a classe trabalhadora, que já vinha sofrendo com perdas de direitos sociais e trabalhistas, ataques aos serviços públicos e hoje sofre com a pandemia e o desemprego. Eu já participo há muitos anos da luta das professoras e professores em defesa da educação, das negras e negros contra o racismo e da classe trabalhadora em defesa de seus direitos. Ser candidato à prefeitura permite ampliar a visibilidade dessas lutas e ser prefeito permite, junto dos conselhos populares, transformar São Carlos num polo de resistência contra os desmandos que vivemos hoje nos governos em todas as suas esferas.

Faremos o governo para a maioria, para os 99% que dependem dos serviços públicos para terem qualidade de vida: significa garantia de habitação, saúde, educação, transporte.

2) Qual é a sua opinião sobre a saúde? e o que pode ser melhorado?

Principalmente as mulheres sabem que o atendimento nas UBSs (Unidades de Saúde da Família) é bastante precário, pois faltam médicos e funcionários. As USFs (Unidades de Saúde da Família), que deveriam ser prioridade na saúde básica, são insuficientes. Considerando que atualmente o município de São Carlos conta com 21 unidades, sendo que de acordo com as diretrizes do SUS, o recomendável seria uma a cada 4 mil habitantes. Assim, a cidade deveria ter 50 unidades.

Portanto, precisamos investir os recurso na contratação de mais agentes da saúde, reativação dos conselhos participativos, Gestão pública e participativa das Unidades de Saúde (UPAs, UBSs, USFs), rejeitando que sejam administradas pelas chamadas Organizações Sociais. É preciso criar programas específicos de atenção à saúde aos negros e negras; indígenas; população LGBTQI+.

3) Como você avalia a Educação Municipal? Quais são as suas propostas para o tema?

É preciso democratizar a gestão: secretário da Educação, supervisores, diretores, professores, alunos e pais, precisam compartilhar propostas e decisões. Isso passa inicialmente pela democratização do Conselho Municipal de Educação, que a exemplos dos outros conselhos, existe apenas porque a lei determina, mas não há política de garantir a participação da comunidade.

Há um déficit de vagas nas creches que está sendo ampliado como resultado da crise gerada pela Covid: desemprego, rebaixamento de salários, fechamento de escolinhas particulares. É preciso prever a criação emergencial de mais vagas.

Mudanças no Estatuto do Magistério que possam garantir a jornada do professor tal como está, pois a atual administração quer impor uma mudança.

4) São Carlos está há seis anos sem a licitação do transporte público. O que você pretende fazer?

A situação das máfias do transporte é um problema em qualquer cidade de médio porte ou maior. Em São Carlos é ainda mais vergonhoso, porque nem a fachada de legalidade se tem, que seria por meio de uma licitação. Nós defendemos a reestruturação do Conselho Municipal de Usuários do Transporte e uma política que vá no sentido da estatização do transporte, criando uma empresa pública que preste o serviço e seja controlada pela população, com suas contas abertas e não com a caixa-preta que existe hoje. Enquanto política transitória, para atender de maneira emergencial, poderíamos licitar por tempo determinado, remunerando a partir do valor fixo do custo total do serviço no município, com o fluxo financeiro sendo controlado pelo Conselho Municipal de Usuários do Transporte. Então o projeto é caminhar para a estatização do transporte, sob controle social. Na transição, licitação de emergência não para novas concessões de décadas, mas para mera terceirização temporária do serviço, sob administração do Conselho de Usuários.

5) São Carlos é a Capital Nacional da Tecnologia. Como potencializar esta condição? Na sua visão, existe uma proximidade entre universidade, centros de pesquisa, Prefeitura e comunidade?

A pandemia mostrou de maneira categórica a importância do complexo educacional localizado na cidade. As universidades públicas foram chamadas a atuar por uma causa específica e deram um show de inteligência e criatividade, com estudos, pesquisas e desenvolvimento de material médico, exames laboratoriais, auxílio na manutenção de equipamentos como os ventiladores mecânicos do SAMU, sem falar do próprio Hospital Universitário. São Carlos foi e segue sendo destaque nesse esforço coletivo contra a Covid. Achamos que o caminho é por aí: garantir o financiamento público das universidades pelas esferas estadual e federal, a quem cabe, e lutar junto das comunidades acadêmicas por universidades cada vez mais livres. Nesse momento, por exemplo, estamos na luta contra a interferência política do governo federal na nomeação do reitor da UFSCar e pela exigência que seja nomeada a chapa que venceu a eleição interna, em que votaram professores, estudantes e servidores. Nós achamos que quanto mais livre e bem estruturada a universidade, mais naturalmente é o seu intercâmbio com o entorno. É nesse processo de fortalecimento do ensino público, que apostamos em uma aproximação cada vez maior entre as universidades aqui instaladas e o dia a dia da população, como no exemplo do combate à pandemia.

6) Quais são as suas propostas para melhorar o emprego em São Carlos? De que forma atrair novas empresas?

Sentimos o efeito da política internacional e nacional, implementadas por Bolsonaro e seus apoiadores. O resultado antes da pandemia é crise em vários setores e atualmente a morte, a decadência econômica e a falta de alimentos e gêneros de primeira necessidade, pois a prioridade é exportar, mesmo que a população brasileira passe fome, vendo a sua água e os nutrientes da nossa terra indo embora para alimentar os ricos.

Nós achamos que a lógica de simplesmente atrair empresas abrindo mão de receita não ajuda na geração de empregos. Não somos dos que pensam que a iniciativa privada, na busca do lucro individual, possa trazer benefícios de médio e longo prazos para a coletividade. Gerar emprego em São Carlos é ter política para que os moradores das áreas rurais possam por lá permanecer, produzindo alimentos saudáveis para a população. É ter uma política de construção de casas populares, a partir da contratação direta de operários e operárias para a construção de suas próprias casas. É ter uma política de cadastro e contratação da mão de obra dos bairros para fazer serviços como a manutenção de escolas, parques e prédios públicos. É ter política pública. Quem faz a economia crescer de maneira sustentada é o investimento público. Inclusive para a estruturação e manutenção das micro e pequenas empresas, que são quem de fato gera a maioria dos empregos, o investimento público é essencial. Essa história de entregar dinheiro público para mega empresário lucrar explorando a cidade só dá certo, no médio prazo, para o próprio empresário.

7) Políticas públicas para os jovens. Quais são as suas propostas?

A juventude na cidade é composta por um amplo setor de universitários, também de trabalhadores e secundaristas. Não há política para estimular a produção cultural e oferta de lazer, a diversão ocorre para quem possui dinheiro. Propomos abrir os equipamentos públicos para que a comunidade, de um modo geral, possa usar e a Prefeitura estimular, por meio de verbas e suporte técnico e cursos, a produção de atividades nos bairros e grandes eventos para toda a cidade, apoiando principalmente as iniciativas regionais.

8) O que você propõe para melhorar a arrecadação do município?

Aqui talvez seja nossa grande diferença dos demais candidatos. Nós propomos que os ricos paguem mais impostos. Nós propomos cobrar as mega dívidas tributárias que se arrastam na inércia de um poder público conivente com o andar de cima. Propomos a cobrança de um IPTU progressivo sobre os mais ricos, para poder priorizar a população mais pobre, cobrando imposto de onde tem dinheiro para sair imposto. O nível de desigualdade social- não só em São Carlos, mas no Brasil todo-, é absurdo e isso começa por uma estrutura tributária voltada para a taxação do consumo e, proporcionalmente, uma farra na quase isenção sobre a renda, em especial dos mais ricos. Nosso projeto é simples: que os ricos paguem pela crise que geraram, que já vinha de antes da pandemia. Nosso projeto de arrecadação é ver rico pagando mais imposto. 

9) O SAAE tem reclamações de desabastecimento em vários bairros e vazamento de água tratada. De que forma melhorar a gestão dos serviços?

Não podemos aceitar a ideia incentivada por essa e outras administrações que empresa pública não funciona. O SAAE presta grande serviço a cidade, mas é fato que a gestão passa por um colapso e o executivo contribui na medida que não há um objetivo ou metas apresentadas a empresa. O maior problema é o vazamento e distribuição da água potável, principal atividade fim da nossa estatal.

Alguns levantamentos indicam que o desperdício da água tratada na cidade chega a 45%. Esse desperdício é um problema ambiental, social e financeiro que é repassado para os cofres municipais e à própria população.

Aliar o estudo técnico das possibilidades de trocas da tubulação, construção de novos reservatórios e estação de tratamento de água para diminuir a pressão do sistema que funciona no limite. Precisamos aliar a isso a preservação dos nossos rios por meio de replantio de matas ciliares e instalação ou ampliação da estação de tratamento de esgoto, e a própria transformação do esgoto em biogás, que pode ser fonte de energia para a cidade.

10) Quais são os seus planos para reduzir os impactos das enchentes em São Carlos?

A ocupação desordenada da região central, mudando e diminuindo a vazão do rio Gregório, é a principal razão das enchentes na região central. Mas é também o motivo para outros locais, como a da CDHU.

 As intervenções ocorridas nas últimas gestões apenas tentaram diminuir o problema na região central: como esconder o rio, como um calçamento sobre ele. Este é um grande exemplo do desperdício do dinheiro público ao lado de governos que querem deixar a sua marca com obras faraônicas que aparecem para a população. E é a mesma gestão que não conseguiu nenhum centavo para os prejudicados com a grande enchente no início do ano e que fez outra intervenção na região central: um novo calçadão, pontos de ônibus e nova área para o shopping popular. Incentiva-se a ocupação de uma região onde o problema da enchente não está resolvido.

A nossa opção de governo é verificar o custo de uma obra de engenharia que possa conter a grande quantidade água que desce para aquela região da baixada ou se transformamos aquela região em um parque recuperando o leito normal do rio. O imposto progressivo para uma nova região comercial, ocupando no alto os vazios imobiliários que existem, daria uma função social ao problema. O mesmo estudo deve ser encaminhado para as outras regiões.

11) As políticas habitacionais dos governos estadual e federal foram reduzidas. De que forma, então, reduzir o déficit habitacional?

É preciso refazer o Plano Diretor, e sabemos que a pressão dos setores da especulação imobiliária é muito grande.

Defendemos a implementação de imposto progressivo a todas as edificações e terrenos na região central e nos bairros próximos para incentivar o uso social da propriedade. Priorizar a população de baixa renda com lotes em regiões de maior estrutura, pois são essas pessoas que mais precisam dos equipamentos públicos. A construção das casas com equipes técnicas contratadas pela prefeitura para incentivar mutirões ou cooperativas de trabalhadores para a construção dos imóveis.

12) O que você promete de diferente dos seus adversários?

Para usar uma expressão um pouco fora de moda, nossa principal diferença é de classe. Nós somos uma candidatura da classe trabalhadora que luta em defesa dessa classe. Por isso estamos na luta contra as políticas de Dória e de Bolsonaro. Nós não aparecemos a cada 4 anos para pedir voto. Nós somos parte do dia a dia da luta da nossa classe, seja contra o aumento do transporte, em defesa dos professores, por mais verba para a saúde. Essa é a nossa luta do dia a dia. A eleição é só mais um momento, só mais uma trincheira. Nossa candidatura não está desesperada por cargos, verbas e amizades com poderosos. Nossa candidatura representa a esperança numa São Carlos mais justa, menos desigual, mais diversa e inclusiva. Uma São Carlos não para o 1% do “andar de cima”, mas para os 99% que sempre foram excluídos. Infelizmente, essa não é a visão da ampla maioria de meus concorrentes, representantes momentâneos de disputas mesquinhas por cargos e verbas, por projetos personalistas de poder.   

Suas considerações finais

O PSOL tem projeto e nós achamos que São Carlos merece ter contato com esse projeto. Falo enquanto candidato a prefeito, mas acho essencial destacar o papel que nossas candidaturas e mandatos coletivos têm cumprido na defesa de outro modelo de sociedade. Termos uma bancada do PSOL em São Carlos pode ser um ponto de apoio para ajudar a termos um horizonte mais respirável. Nosso chamado é para que a população trabalhadora e a juventude pobre entrem nessa luta, nos acompanhem nas redes. E votem por uma São Carlos para os 99%. Votem PSOL. 50.

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