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quarta, 08 de dezembro de 2021
Dia a Dia no Divã

Terapia de casal

03 Set 2018 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Terapia de casal -

São diversas as razões pelas quais os casais vão à terapia. Na maioria dos casos, ela é motivada por discussões frequentes, desconforto na convivência, rotina, falta de sexo ou infidelidade

 Cada casal terá sua necessidade. O segredo da terapia de casais está em ir quando ambos os membros sentem a mesma necessidade e têm os mesmos objetivos. Não vale a pena iniciar o processo se um quer recuperar o relacionamento e o outro quer terminar.

Em muitos casos, o problema é que os casais esperam para resolver seus conflitos, quando o relacionamento já está mais do que desgastado. A melhor época para ir à terapia é quando começam a sentir que não é mais possível se entender com o parceiro, quando tentam explicar algo e fica a impressão de que o outro não sabe o que foi dito.

A terapia será muito mais eficaz se você for quando os conflitos ainda não estiverem aprofundados. A terapia de casal é útil tanto para casais formalizados, quanto para namorados que moram juntos, ou seja, não precisa da formalização do estado civil e também independe da orientação sexual, é válida para todos os casais

Não é fácil estabelecer um padrão geral de comportamento nem abstrair um protótipo estrutural das relações de casal de nossa época. Mas é indubitável que as mudanças nos pactos entre homens e mulheres trazem ao vínculo uma sensação de fragilidade desconhecida em décadas passadas.

Cada um espera encontrar no outro um colo, uma pessoa com maturidade emocional suficiente para atender suas carências afetivas. Paradoxalmente na atualidade tanto o homem quanto a mulher estão sujeitos a elevados níveis de tensão: a competição no trabalho, a ameaça de desemprego, o trânsito - estresse em geral.

Em tal contexto, sem dar-se conta, esperam encontrar no casamento uma espécie de oásis, uma fonte de conforto, um parceiro atento, meigo e compreensivo além do sexo cinematográfico. Deseja-se apoio, proteção, reconhecimento.

A necessidade de muito receber do outro entra em confronto com a pouca disponibilidade para doar.

Os parceiros se revezam num eterno conflito: quem recebe sente que recebe pouco e quem doa acha que doa demais.

Nesse panorama, a procura por terapia de casal cresce ano a ano.

As estatísticas não mentem: quando um casal chega ao consultório é porque a via de comunicação entre os dois já se esgotou. Mas, obviamente, ainda há o que ser dito senão não estariam procurando ajuda para alguém interpretar o que não estão conseguindo dizer um ao outro.

A terapia de casal geralmente é procurada em meio a uma crise suficientemente grave para ter levado ao menos um dos parceiros a falar em separação. Separação é um processo doloroso, mesmo para o parceiro que se diz decidido.

A suspeita de traição ou a traição confirmada por um dos parceiros é a causa que traz mais casais ao consultório, além de questões ligadas à sexualidade, filhos, falta de amor estariam entre as outras queixas mais frequentes.

O terapeuta ajuda o casal a desvendar o que está encoberto por trás das brigas repetitivas  que normalmente impedem que o casal consiga ter uma conversa minimamente civilizada.

Os dois membros terão clareza dos processos que os levaram a se escolherem como parceiros e como chegaram ao ponto de desencontro. Essa consciência proporciona uma clareza dos mecanismos em jogo nas tramas da relação. Haverá a consciência de que num casal não existe um único culpado nem um único santo. Há sempre dois em jogo.

A ideia da terapia de casal é compreender qual o melhor caminho para a saúde emocional de ambas as partes e principalmente do relacionamento. Os dois devem ter decidido procurar ajuda, não adianta um estar disposto e o outro não acreditar no que está fazendo.

Terapia de casal não é terapia em grupo. Ao meu ver a função da terapia de casal é tratar a comunicação entre as partes, identificar o que contamina este relacionamento, encontrar novas ações e tentar fazer novos contratos. Não seria o lugar para cada um tratar de questões que não envolvem o relacionamento.

Uma briga com o chefe poderá ser tratada na terapia de casal se tiver relação com o a questão principal, ou seja o relacionamento. Será possível que algumas vezes o terapeuta de casal solicite para que as partes compareçam sozinhos. A finalidade poderá ser de facilitar a expressão de seus sentimentos de forma que este conteúdo enriqueça a próxima sessão com a dupla. Também é possível que quando uma das partes se recuse a comparecer a outra parte faça a terapia individualmente para que consiga recursos a serem aplicados em seu relacionamento ou compreenda a função deste relacionamento em sua vida.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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