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sexta, 25 de setembro de 2020
Memória São-carlense

Romanelli, a primeira sorveteria de São Carlos

20 Jul 2018 - 06h36Por (*) Cirilo Braga
Romanelli, a primeira sorveteria de São Carlos - Crédito: Arquivo Histórico Crédito: Arquivo Histórico

Em pleno inverno, encontro entre meus guardados uma toalha de papel contendo dados que reuni para a antiga sorveteria Giovanella, sobre os primórdios da fabricação de sorvetes em São Carlos. A cidade de tantos imigrantes italianos teve neste setor uma grande tradição iniciada nos anos 20 e 30 do século passado, impulsionada pela arte da família Romanelli e o alcance da produção das Indústrias Giometti.

Raymundo Romanelli foi o nosso Marco Pólo. Filho dos imigrantes italianos José Romanelli e Luiza Bandiera. Em 1923, Raymundo foi a passeio com o pai para a Itália, aprendeu a fazer sorvete artesanal e ao voltar, abriu a primeira sorveteria da cidade, na rua 7 de setembro, quase esquina com Avenida.

A inauguração oficial contou com presença de autoridades e de muitos convidados ao som do Jazz de Senzi, que abrilhantou o grande acontecimento na pacata cidade.

A sorveteria pioneira, que atendia como "Leiteria São Carlos", a "casa familiar e sem luxo" e anunciava "os melhores sorvetes da praça", mudou-se em 1932 para a esquina da Rua Major com a rua Dona Alexandrina, onde permaneceu por mais de trinta anos.

Coube a Romanelli, em 1929 (em pleno ano da quebra da Bolsa de Valores de Nova York), a primazia de trazer para São Carlos uma máquina elétrica para sorvetes da marca Auto Frigor, a primeira máquina elétrica para sorvetes estrangeira no Brasil. Um ano depois, são-carlenses transformavam a crise econômica em picolé.

Surgia na uma fábrica de sorvetes para produção em escala industrial, criada por figuras como Miguel Giometti, Alfredo Maffei e Antonio Adolpho Lobbe, inspirados em modelos italianos, da Toscana. O sistema incluía espessos cubos de gelo produzidos pelas Indústrias Giometti.

Nas primeiras décadas do século 20, o gelo em barras era transportado sobre uma charrete para ser vendido na rua. E nos anos 1930 os refrigeradores elétricos eram ainda raridade quando São Carlos passou a ser a “cidade do picolé”.

Uma eficiente estrutura de produção se espalhava pelo Estado nas composições da velha Companhia Paulista de Estradas de Ferro.Daqui chegaram a partir mais de 200 barricas diárias de sorvetes – de fruta natural, sem essências nem aromatizantes - preservados pelos gelos Giometti. Dava pra abastecer centenas de cidades, com folga. Uma festa que continuou até meados dos anos 1940, quando a fábrica de gelo foi comprada pela companhia Antarctica Paulista.

Já os sorvetes Romanelli atravessaram os anos dourados com grande estilo, na esquina das ruas Major José Inácio com Dona Alexandrina. O velho spumoni, atual cassata, era o favorito do público, embora o sorvete de uvaia fizesse tanto furor quanto o gumex no cabelo da rapaziada.

A sorveteria mudaria de endereço mais duas vezes, indo para outro ponto da rua major José Inácio e depois para a Avenida São Carlos, próximo à rua Marechal Deodoro. Alcides, o filho de Raimundo levou adiante a tradição, depois que o pai faleceu, em 1969.

O letreiro dos Sorvetes Romanelli permaneceu na área central até meados dos anos 1980, quando se encerrou um ciclo.

Raymundo Romanelli, o precursor do melhor sorvete na cidade recebeu homenagem do município que pela Lei No.11.832, de 1998, atribuiu seu nome a uma rua do loteamento Parque dos Timburis.

(*) O autor é cronista e assessor de comunicação em São Carlos  (MTb 32605) com atuação na Imprensa da cidade desde 1980. É autor do livro “Coluna do Adu – Sabe lá o que é isso?” (2016).

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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