sábado, 13 de abril de 2024
Artigo Rui Sintra

Pesquisadores de São Carlos destacam nos Estados Unidos o combate às bactérias resistentes

01 Mar 2024 - 07h07Por (*) Rui Sintra
Pesquisadores de São Carlos destacam nos Estados Unidos o combate às bactérias resistentes -

A participação de pesquisadores são-carlenses em um dos maiores eventos científicos mundiais - senão o maior - nas áreas de óptica e fotônica, ocorrido neste mês de fevereiro, em San Francisco (EUA), não poderia ter sido mais exitosa. Foram apenas dezoito os pesquisadores da USP de São Carlos que estiveram entre os mais de vinte e quatro mil inscritos, oriundos de setenta países, no designado “SPIE Photonics West 2024”, evento promovido e realizado pela SPIE – Sociedade Internacional de Óptica e Fotônica (International Society for Optics and Photonics), que congregou renomados pesquisadores, engenheiros, empreendedores e líderes empresariais de todo o mundo. A participação dos pesquisadores de São Carlos veio a tornar-se em um dos grandes destaques do evento, com apresentações e discussões de um tema atual relevante e preocupante no que concerne à saúde pública - o combate às bactérias resistentes. De fato, o crescimento e multiplicação de bactérias resistentes a quase todos os tipos de antibióticos já está condicionando a realização segura de diversas cirurgias, transplantes e tratamentos contra o câncer. Problemas comuns, como um corte mais profundo ou uma infecção respiratória, podem, atualmente, se tornar uma ameaça à vida, retirando os avanços verificados nas últimas décadas, onde o uso de antibióticos para tratar infecções aumentou a longevidade humana em cerca de vinte anos. Agora, essa equação está mudando o cenário mundial. Atualmente, as bactérias proliferam em todos os locais – na água, no solo, no ar e nas superfícies, inclusive no corpo humano. Com o uso intensivo de antibióticos na saúde humana e na produção de alimentos, para proteger ou tratar os animais de criação de doenças e induzir ganho de peso, as bactérias são continuamente expostas a esses fármacos e esse contato favorece uma verdadeira seleção das variedades resistentes. E foi inserido nesse atual cenário de saúde mundial que a equipe de pesquisadores da USP de São Carlos levou até a esse congresso mundial algumas das técnicas ópticas e fotônicas desenvolvidas no Instituto de Física de São Carlos, dedicadas à quebra das bactérias resistentes, bem como o desenvolvimento de equipamentos dentro da mesma temática. A delegação são-carlense foi liderada pelo Prof. Vanderlei Salvador Bagnato, do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos que, nas suas diversas palestras inseridas na programação do evento, mostrou os novos caminhos que estão sendo percorridos na USP de São Carlos nas áreas de óptica e fotônica, dedicados ao combate às bactérias resistentes, sendo que um desses caminhos é a utilização de mecanismos de foto-oxidação na tentativa de destruir os mecanismos básicos que as bactérias têm para sua própria defesa. Na verdade, a proposta do Instituto de Física de São Carlos é, primeiramente, dar um choque fotodinâmico, principalmente nas infecções comuns, como faringotoncilites, através de  iluminação extracorpórea, ou então aquelas que atingem as vias respiratórias ou o trato intestinal, por exemplo, sendo que neste último caso o método se dá através de fibra óptica para fazer esse choque fotodinâmico. Segundo Bagnato, com quem tenho o privilégio de conversar periodicamente, o seu grupo de pesquisa, com a ajuda da Santa Casa da Misericórdia de São Carlos, já se encontra bastante evoluído no tratamento da pneumonia resistente aos antibióticos, que é uma das principais causas de morte em pacientes intubados em unidades de cuidados intensivos, um caminho que promove um entendimento de  qual é o problema principal dos componentes que estão aí nas vias respiratórias, estudos esses que estão sendo feitos através de uma colaboração internacional com os Estados Unidos – Universidade do Texas. Para concluir esta abordagem quanto à importância da participação dos pesquisadores são-carlenses no “SPIE Photonics West 2024”, é bom lembrar que, nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) já informou que estão surgindo bactérias contra as quais não há mais medicamentos eficazes. Igualmente, segundo a revista “Pesquisa FAPESP”, um levantamento coordenado pelo epidemiologista Ramanan Laxminarayan, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, estimou que, a cada ano, no mundo, ocorrem 136 milhões de casos de infecção hospitalar causados por esses microrganismos. Segundo os dados publicados em junho de 2023 na revista “PLOS Medicine”, a China é, de longe, a nação mais afetada, com 52 milhões de registros, sendo que o Brasil aparece em quinto lugar, com 4 milhões de casos. No mundo todo, esses microrganismos foram os responsáveis diretos por 1,27 milhão de mortes em 2019. Quando se incluem os casos em que o indivíduo tinha outra doença além da infecção, esse número sobe para 4,95 milhões, próximo ao total de óbitos registrados em três anos de pandemia de Covid-19 e bem superior à soma das mortes anuais por malária, Aids e tuberculose.

O autor é jornalista profissional / correspondente para a Europa pela GNS Press Association  / EUCJ - European Chamber of Journalists / European News Agency) - MTB 66181/SP.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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