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domingo, 20 de setembro de 2020
Artigo Netto Donato

O cheque especial dos governadores

17 Nov 2018 - 06h59Por (*) Netto Donato
O cheque especial dos governadores -

Em nossas casas, tentamos ao máximo fazer com que nossos gastos caibam dentro do nosso salário mensal. Ou seja, todas despesas com alimentação, telefone, energia, vestuário, entre outras não podem superar o montante que recebemos, fruto do nosso trabalho. Do contrário, começamos a nos endividar usando, por exemplo, o cheque especial. É um verdadeiro inferno ultrapassar o limite do cheque especial, dado os juros cobrados e o quanto sua dívida aumenta rapidamente.

Na gestão pública, também deveria ser assim. Porém, não é o que está acontecendo na prática. De acordo com o Tesouro Nacional, mais da metade dos estados brasileiros irão gastar mais do que sua arrecadação no ano que vem. E não para por aí! Esses estados também não possuem dinheiro em caixa para honrar os pagamentos de dívidas anteriores. Ou seja, os estados também entraram no cheque especial.

Quando estamos endividados, precisamos economizar dinheiro de todas as formas. Começamos pelos bens supérfluos, mas se as dívidas persistirem, o essencial, como a alimentação, também acaba sendo penalizado. De forma semelhante acontece nos estados. Com o alto endividamento, serviços públicos essenciais (Educação, Saúde e Segurança Pública) perdem ainda mais qualidade devido à falta de recursos e a maior prejudicada com isso é a população, que mesmo pagando os impostos em dia, não vê retorno satisfatório dos governantes.

Portanto, é fundamental zelar pelo controle dos gastos públicos, para que o governo tenha cada vez mais condições de investir bem o dinheiro público e fornecer serviços públicos com a qualidade que a população merece e espera. Do contrário, o governo vai viver endividado. Quando ficamos muito endividados, acabamos trabalhando para pagar nossas dívidas, deixando nossas prioridades em segundo plano. No caso do governo, nós pagaremos impostos para que o governo salde dívidas, enquanto vemos os serviços públicos indo de mal a pior.

(*) O autor é advogado, especialista em Direito Público e mestre em Gestão e Políticas Públicas, na Fundação Getúlio Vargas - FGV/SP.

O exposto artigo não reflete, necessariamente, o pensamento do São Carlos Agora.

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