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segunda, 19 de abril de 2021
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MEMÓRIA SÃO-CARLENSE: No marco zero da cidade, a Catedral identifica São Carlos

24 Nov 2017 - 03h44Por (*) Cirilo Braga
Foto: Arquivo Pessoal - Foto: Arquivo Pessoal -

Por onde se olhe, a Catedral de São Carlos Borromeu com sua cúpula dourada, de 70 metros de altura e 30 metros de diâmetro, no marco zero da cidade, confere identidade a São Carlos.  Diante de uma fotografia ou de uma tomada cinematográfica da região central, a imagem que imediatamente revela é uma só: a visão do templo monumental erguido na área onde em 1856 a primeira capela da cidade foi construída.

A antiga capela, ligada à fundação da cidade, foi inaugurada em 27 de dezembro de 1857 e logo nos meses seguintes se tornou paróquia. Dois anos depois recebeu o primeiro vigário, padre Joaquim Botelho da Fonseca, que dirigiu a paróquia durante 36 anos.

Em junho de 1908 o Papa Pio X criou a Diocese de São Carlos, quando a matriz foi elevada à categoria de Catedral, palavra originária do latim medieval como forma reduzida de ecclesia cathedralis, isto é, igreja onde tem assento (cadeira, cathedra) o bispo.

O ponto de convergência da comunidade católica ganharia um novo capítulo muito tempo depois, em 4 de novembro de 1946, quando o vigário capitular, monsenhor Ruy Serra, presidiu a cerimônia da benção e lançamento da pedra fundamental da nova Catedral.

Antes disso, houve polêmica quanto à localização da construção do novo templo. O bispo Dom Gastão imaginou que seria um bom local  a Vila Pureza, na parte mais alta da colina central, onde está hoje a Praça Cristiano Altenfelder Silva (Praça da XV). Ante a resistência da comunidade, o projeto não foi levado adiante e Dom Ruy Serra, sucessor de Dom Gastão, decidiu atender aos anseios populares e construir a nova Catedral na área da antiga matriz.

Padre Roque Pinto de Barros era o vigário da Catedral quando o engenheiro Lafael Petroni começou a tornar realidade o projeto arquitetônico do arquiteto Emanuel Giani. O professor e escultor Ernfrid Frick elaborou em 1946 uma maquete da Catedral, recentemente exibida no salão social da igreja. O projeto original incluía uma torre sineira.

Diz-se que a planta foi inspirada na Basílica de São Pedro. Fato é que a edificação contou com  vitrais de Lorenz Heilmar,  altares em mármore Carrara e quadros da Via Sacra e painéis do altar principal executados pela artista plástica são-carlense Almira "Mima" Ragonesi Bruno. Durante o tempo da construção foram vigários  da Catedral o padre José de Aquino Pereira e o monsenhor Virgilio Di Pauli.

No dia do padroeiro, em 4 de novembro de 1956,quando se iniciavam as comemorações do centenário da cidade, a nova Catedral foi aberta ao culto público, mesmo inacabada. As missas eram celebradas no salão térreo, enquanto a nave principal ainda estava em construção, segundo os registros históricos.

A partir de 1962 foram inaugurados a  capela da Catedral, o  piso de toda a igreja, o altar-mor, o altar do Santíssimo Sacramento e instalados os bancos. No dia 8 de dezembro de 1970 foi solenemente sagrada a Catedral de São Carlos como a conhecemos.

Cinquenta anos depois de sua inauguração, a Catedral teve reconhecida a sua posição preponderante entre os monumentos de São Carlos, quando no dia 5 de novembro de 2006 foi inaugurada a nova iluminação exterior da igreja, com mais de 270 pontos de luz, realçando a condição ponto de identidade da cidade.O projeto obteve premiação internacional: alcançou o 3o. lugar no City People Light Award 2007, ficando atrás apenas de Heinsberg, na Alemanha, e Genebra, na Suíça.

À noite é possível visualizar a construção desde diversos pontos da cidade e até mesmo da rodovia Washington Luis.

Definitivamente não é qualquer ponto este belíssimo cartão postal de São Carlos que valeu um verso no hino da cidade, que define esta terra como "Catedral onde rezam cantando a cultura e o labor, sua vida".

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