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sábado, 12 de junho de 2021
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Futebol Arte: Mesatenista sãocarlense, Diego Moreira, ouro e bronze no Parapan-Americano conversa com o Futebol-Arte!

17 Ago 2015 - 10h13
Mesatenista sãocarlense, Diego Moreira. (foto Facebook/Divulgação) - Mesatenista sãocarlense, Diego Moreira. (foto Facebook/Divulgação) -

A grande sensação do Pan-Americano e do Parapan de Toronto foi o tênis de mesa brasileiro, com 38 medalhas no total.

No Para-pan, onde o nosso País foi campeão geral, o tênis de mesa levou 31.

Um dos integrantes da delegação foi o atleta são-carlense, Diego Moreira, 28 anos. Foi bronze no individual e fez parte do elenco que faturou ouro por equipes.

Conheci  Diego no final de 1997 ou início de 1998. Quando praticávamos tênis de mesa no SESC.  Muitos jogadores fizeram parte daquela equipe, mas em um esporte pouco popular no nosso País, são raros os que conseguem algo com a modalidade. Seja uma bolsa de estudo em uma faculdade ou seguir carreira profissional.

É muito gratificante ver que daquela turma alguém conseguiu um bom resultado. Diego sempre se mostrou esforçado e dedicado.

Abandonou o tênis de mesa em 2004 e retornou no final de 2013. Integra a Seleção Paraolímpica  por ter uma doença chamada pé congênito. Problema que  ocorre quando a pessoa nasce com o pé virado (no caso do Diego era 100%).Passou por quatro cirurgias, sendo a última quando tinha 9 anos. Isso fez com que o tornozelo ficasse rígido e a panturrilha atrofiada. O que limita seus movimentos.

Desde o final de 2014, Diego Moreira mora em Piracicaba/SP, no centro de treinamento da Seleção Brasileira.

Nesse bate-papo, falamos sobre esta modalidade no Brasil, as conquistas no Canadá e as metas  no tênis de mesa. Uma delas é chegar às Olimpíadas de 2016 ou 2020.

Confira

1)O que motivou a voltar a jogar tênis de mesa?

Entre 2011 e 12 eu via as postagens do Carlos Carbinatti (mesatenista paraolímpico) no Facebook e aquilo me chamava atenção. Achava interessante. Em 2013 houve os Jogos Regionais em São Carlos/SP, fui assistir e me despertou a vontade de atuar novamente. Conversei com o Paulo Camargo (técnico da Seleção Paraolímpica) e o Thiago Monteiro (mesatenista brasileiro). Até então foi um papo informal, mas me senti mais motivado. No final daquele ano, procurei o José Carlos  Campos (treinador de tênis de mesa de São Carlos) e fizemos um projeto para que eu conseguisse a Seleção Brasileira Paralímpica. A primeira meta era o Para-Pan de Toronto e posteriormente a Olimpíada do Rio de Janeiro. No final de 2014, fui convidado por Paulo Camargo a fazer parte da Seleção Paralímpica e residir em Piracicaba, na Fran T.T. (local de treino da Seleção).

2) Tem planos para seguir no tênis de mesa, após as Olimpíadas de 2016?

Hoje eu estou dentro de um processo que envolve CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa), Comitê Paralímpico Brasileiro, Ministério do Esporte e tenho um patrocinico pessoal da Caixa Loterias.  Tenho uma rotina de atleta profissional, com acompanhamento de técnicos, preparadores físicos, psicológicos e nutricionistas. Penso em ir às Olimpíadas de 2016 e depois tentar a de 2020.

3)Como é a sua rotina de treinos no Fran T.T.?

É uma rotina dura, porém essencial para conseguirmos os nossos objetivos. Treinos de segunda a sexta-feira, das 7h, 7h30 até às 18h.

Cinco, seis horas por dia de treinos na mesa. Cinco sessões semanais de preparação física. Quatro vezes por semana com fisioterapia, treinos de desenvolvimento abdominal e desenvolvimento de musculatura específica. Três sessões de preparação física cardiovascular.

 4)O Pan-Americano mostrou que o Brasil é uma das grandes potências do tênis de mesa no continente e pode encarar qualquer país de igual. Mas sabemos que é muito difícil competirmos com a Europa e Ásia, especialmente a China, a grande potência e referência da modalidade.

Como você encara a atual realidade do tênis de mesa brasileiro e o que projeta para o futuro?

Se analisarmos o tênis de mesa brasileiro há 10, 15 anos tinhamos bons resultados, mas eram casos isolados. Mas estamos em ascensão. A CBTM e o Ministério dos Esportes dão estrutura e apoio ao tênis de mesa. Temos dentre os melhores, Gustavo Tsuboi e o Hugo Calderano (jovem de 19 anos). Só ver os resultados recentes. O Brasil Vem conseguindo resultados expressivos.   O Pan e o ParaPan-Americano são uma prova disso.Mostra que o trabalho tem sido bem feito dentro do Brasil. Temos trocados muitas experiências em outros países e continente. Temos atletas atuando fora do Brasil e temos técnicos e consultores internacionais. Com relação ao Paralímpico estamos bem assessorado também, com uma comissão técnica liderada por José Ricardo e Paulo Camargo. O Paulo está sempre nos ajudando e no dia-a-dia se preocupa com os atletas. Os resultados se refletem  no ParaPan. Nos próximos anos, creio que podemos ter grandes resultados a nível mundial.

5) Por fim, fale como foi sentir o ambiente de estar em um ParaPan-Americano e em uma Vila Olímpica.

Se pensar que voltei a jogar no final de 2013 e um ano e meio depois eu estou no Para-pan é especial. Apesar de já ter disputado Copas do Brasil (tetracampeão), Brasileiro (ganhou individual e equipes) e Mundialitos pela Europa, o ParaPan é especial. Pois há mais de 400 atletas e estamos em contato com gente de todos os esporte. Estar representando o País em um evento como esse é muito bom. Ficamos em uma vila muito bem estruturada e conhecemos outras pessoas. Isso só nos motiva a conseguir nossos objetivos.

O texto acima é de responsabilidade do colunista e não necessariamente expressa a opinião do portal São Carlos Agora.                                                   

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