segunda, 20 de maio de 2024
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Futebol Arte: Há dez anos, São Paulo se sagrava o primeiro time brasileiro tricampeão da Libertadores!

14 Jul 2015 - 09h22
Foto: Portal Terra - Foto: Portal Terra -

Republico abaixo o especial que fiz para o FutNet sobe os dez anos do tricampeonato do São Paulo na Libertadores. O Tricolor Paulista foi o primeiro clube brasileiro a vencer três vezes a competição mais importante das Américas.

Confira:

Nos anos de 1992 e 1993, o São Paulo conseguiu os dois títulos mais importantes de sua história: a Libertadores e o Mundial.

O tricampeonato continental esteve perto de vir em 1994 e a grande final foi no Morumbi, contra o Vélez Sarsfield, de Carlos Bianchi. Mas os bicampeões perderam a decisão nos pênaltis por 5 a 3, com o atacante Palhinha, saindo da partida como vilão, após desperdiçar uma cobrança de pênalti, defendida por Schilavert. O arqueiro paraguaio ainda converteu uma das penalidades e era famoso por fazer gols em bolas paradas.

Daquele elenco comandado por Telê Santana, um jogador viria a ser tricampeão das Américas, tornando-se um grande nome no elenco são-paulino por décadas, denotando sua importância tanto debaixo das traves, quanto em frente à elas, anotando seus mais de 120 gols.

No entanto, em 1995 o São Paulo entrou em uma 'seca' de títulos. Um dos motivos foi a reforma no Morumbi, onde a maior parte da fonte de renda para as obras saía da venda dos atletas das categorias de base.

De 1995 a 2003 o Tricolor conquistou apenas dois títulos estaduais e um Rio-São Paulo. Em 2004 fez o seu retorno à Libertadores, desde o vice-campeonato dez anos antes. Os comandados de Cuca chegaram até à semifinal, quando foram eliminados pelo futuro campeão, o Once Caldas-COL.

No entanto, a base daquela equipe se tornaria campeã no ano seguinte. Rogério Ceni, que assumiu a titularidade em 1997, era o grande líder e capitão. O lateral-direito Cicinho, os zagueiros Fabão, Diego Lugano e Jean, o meia Danilo e o atacante Grafite faziam parte do plantel. 

Em 2005, o técnico que iniciou os trabalhos foi Émerson Leão. Ainda foram contratados os volantes Josué (ex-Goiás) e Mineiro (ex-Ponte Preta e São Caetano). Além dos atacantes Luizão e Amoroso, que chegaram ao longo da temporada.

A equipe atuava em um 3-5-2, onde o trio de defensores era Fabão, Lugano e Alex Bruno. Danilo era o único meia. Cicinho e Júnior eram laterais que apoiavam o setor ofensivo. 

Na fase de grupos, o São Paulo teve como adversários Universidad de Chile-CHI, The Strongest-BOL e o Quilmes-ARG. Os brasileiros ficaram na liderança com 12 pontos ganhos, cujos quais foram conquistados em três vitórias (todos como mandantes) e três empates (como visitantes).

O lado triste, e positivo ao mesmo tempo, foi no triunfo do Tricolor sobre o Quilmes-ARG, com placar de 3 a 1, pela quarta rodada. O atacante Grafite foi expulso após discutir com o zagueiro Leandro Desábato. Este fez ofensas raciais ao jogador brasileiro, que se irritou e levou cartão vermelho. 

Ao sair de campo, Grafite foi até uma delegacia na capital paulista e fez um B.O. contra Desábato. Este acabou detido após o fim do cotejo e passou dois dias na cadeia. Triste pelo fato de haver racismo, e positivo pela punição ao agressor, que ainda foi banido da Libertadores, após punição imposta pela CONMEBOL.

Outro fator importante a se ressaltar é que, antes de iniciar o mata-mata, o técnico Émerson Leão recebeu uma proposta do futebol japonês e deixou o clube fundado em 1935. Saiu, mas com o título de campeão paulista daquele ano na bagagem. Paulo Autuori foi o substituto.

Nas oitavas, a peleja foi contra o rival Palmeiras. Vitória são-paulina em ambos jogos: 1 a 0 e 2 a 0, respectivamente. Cicinho fez o tento do triunfo de ida e o último da segunda partida. Rogério Ceni deixou o dele também.

Nas quartas, o confronto foi contra o Tigres-MEX, e o São Paulo conheceu sua única derrota na competição. Após vencer na ida por 4 a 0, sofreu o revés por 2 a 1 na volta.

Na semifinal, o Tricolor duelou com o River Plate-ARG e venceu os dois jogos. Os placares foram 2 a 0 e 3 a 2.

Na decisão, confronto brasileiro: São Paulo e Atlético/PR. Contudo, o espetáculo contou com uma polêmica. A Arena da Baixada não tinha condições de receber um jogo de final de Libertadores e, por isso, o Furacão teve que mandar a partida no Beira-Rio, em Porto Alegre/RS. O placar foi 1 a 1.

Na volta, o São Paulo se fez Soberano diante de 71.986 e não teve dificuldades em golear os curitibanos por 4 a 0, sagrando-se tricampeão!

A equipe que Autuori mandou a campo na finalíssima foi formada por Rogério Ceni, Fabão, Lugano e Alex; Cicinho, Josué, Mineiro, Danilo e Júnior (Fábio Santos); Luizão (Souza) e Amoroso (Diego Tardelli). 

Portanto torcedor são-paulino, comemore bastante este dia 14 de julho, dia em que o São Paulo se tornou o primeiro clube brasileiro a ser tricampeão das Américas.

Os tricampeões:

1-      Rogério Ceni: dispensa comentários

2-      Cicinho: lateral-direito bom tanto na defesa quanto no ataque. Viveu seu auge em 2005, ganhando três títulos pelo São Paulo e a Copa das Confederaçõe pela Seleção Brasileira. Em 2006, se transferiu para o Real Madrid e integrou o elenco do Brasil na Copa do Mundo, atuando em dois jogos. Se especulava se poderia ser o substituto de Cafu com a Amarelinha, o jogador atualmente com 35 anos mostrou que não. Muito irregular no Real Madrid-ESP, se transferiu para a Roma em 2007 e sua carreira só declinou, contando uma passagem ruim pelo São Paulo em 2010. Em entrevista à Record o atleta confessou que festas e bebidas atrapalharam seu rendimento em campo. Atualmente defende o modesto Sivasspor-TUR.

3-      Diego Lugano: chegou ao São Paulo com desconfiança da torcida, por ser um mero reserva no Nacional-URU. Mas com a já conhecida garra uruguaia, aliado a um espírito de liderança em campo ganhou a confiança de seus companheiros e seu carisma fez com que fosse idolatrado pela torcida.  Pela seleção de seu país, onde também é adorado, chegou até a semifinal da Copa do Mundo de 2010. Fez história no Fenerbahce, onde atuou entre 2006/11.  Em 2011, sua carreira começou a declinar e perambulou, sem sucesso por vários clubes europeus. Esta semana acertou sua ida ao Cerro Porteño-PAR

4-      Fabão: outro que viveu seu grande momento da carreira no São Paulo em 2005. Seguro nas jogadas, era titular inquestionável de sua posição. Depois perambulou por várias equipes, sem o mesmo sucesso.

5-      Alex Bruno: também teve seu grande momento da carreira no Tricolor em 2005. Ficou por lá até 2008, sem muito brilho. Perambula por times pequenos do Brasil. Talvez de todos os campeões, foi o que mais cedo caiu no esquecimento da torcida.

6-      Júnior: um grande lateral-esquerdo e com história no futebol mundial. Revelado pelo Vitória, se transferiu para o Palmeiras em 1996, onde ganhou a Libertadores de 1999. Pela Seleção Brasileira integrou o elenco campeão da Copa de 2002. Chegou ao Tricolor em 2004, após boa passagem pelo futebol italiano. Mas com desconfiança da torcida, pelo seu passado palmeirense e por já ser considerado um veterano. Mas seu bom vigor físico e entra em campo o fizeram ser adorado pelos adeptos do time do Morumbi.

7-      Josué: volante baixinho e fraquinho, que se começasse a carreira no futebol hoje, certamente seria dispensado pelo seu porte físico. Mas o atleta revelado pelo Goiás sempre se mostrou bom nos desarmes e fez uma ótima dupla com Mineiro. Ficou no Morumbi até 2007, onde se transferiu para o Wolfsburg, se sagrando campeão alemão na temporada 2008/09. Atualmente, defende o Atlético/MG, onde ganhou a Libertadores de 2013. Pela Seleção Brasileira integrou foi campeão da Copa América de 2007 e das Confederações em 09. Em 2010, fez parte do elenco que disputou a Copa do Mundo.

8-      Mineiro: sempre foi considerado um grande volante, mas que demorou a ter chance em um clube grande. Isso ocorreu no São Paulo em 2005. Foi campeão da Libertadoes e fez o gol do título do Mundial em dezembro. Integrou a Seleção Brasileira em 2006 que foi a Copa do Mundo. Se transferiu para a Europa em 2007, indo atuar no Herta Berlim-ALE. Depois teve passagens rápidas por Chelse-ING, Schalke-04 e equipes inferiores da Alemanha, até se aposentar em 2012.

9-      Danilo: único meia de fato entre os titulares, sempre foi muito bom nos passes e nas finalizações, sendo decisivo para a conquista da Libertadores. Ficou no Morumbi até 2006, onde se transferiu para o futebol japonês. Voltou ao Brasil para defender o arqui-rival Corinthians, em 2010,  onde também fez história. Foi campeão da Libertadores e do Mundo em 2012. Curiosamente, sempre que enfrenta o São Paulo costuma guardar seus gols.

10-   Amoroso: atacante vitorioso no futebol mundial que chegou ao longo da Libertadores. Com seus 31 anos à época, mostrou que ainda tinha 'lenha para queimar' e foi decisivo na conquista do torneio.  Em 2006, se transferiu para o Milan, onde pouco sucesso fez e a partir daí sua carreira teve um declínio até se aposentar em 2010.

11-   Luizão: atuou nos quatro grandes de São Paulo e fazendo história nos três da capital. No clube do Morumbi atuou apenas em 2005, onde foi campeão da Libertadores. Pouco antes de terminar a competição, já havia noticiado o acerto do pentacampeão do mundo com a Seleção Brasileira, com o futebol japonês. Onde claramente se arrependeu do acordo e voltou ao Brasil meses depois para defender o Santos, atuando pouco e não sendo útil. Se aposentou em 2010.

Outros atletas que merecem destaque:

12-   Grafite: Antes de se contundir era o atacante titular do São Paulo. Teve boas passagens por Goiás e Wolfsburg (campeão alemão e artilheiro da Bundesliga). Fez parte do elenco que integrou a Seleção Brasileira na Copa de 2010. Em 2015 retornou ao Santa Cruz/PE, clube que o revelou para o futebol.

13-   Edcarlos: Talvez fosse o 'patinho feio' daquele elenco. Um zagueiro fraco tecnicamente e muito inseguro. Fez parte de um elenco campeão, mas eventualmente mostrava suas fragilidades em campo. Está no Atlético/MG.

14-   Souza: Lateral/meia/volante sempre se mostrou a disposição para atuar em várias funções. Um jogador limitado tecnicamente, mas que ganha a confiança dos treinadores por sua vontade em campo.  Rodou o Brasil todo e atualmente está no Caxias.

15-   Diego Tardelli: Atacante revelado pelo São Paulo que desde jovem mostrou seu talento como atacante. Seu auge foi no Atlético/MG, onde é idolatrado pela torcida e levou a Libertadores de 2013. Atualmente está no futebol chinês.

O texto acima é de responsabilidade do colunista e não necessariamente expressa a opinião do portal São Carlos Agora.                                                   

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