sexta, 24 de maio de 2024
Qualidade de Vida

Estresse (quando saber se ele está acima do saudável) capítulo 2

05 Mar 2020 - 07h50Por (*) Paulo Rogério Gianlorenço
Estresse (quando saber se ele está acima do saudável) capítulo 2 -

Stress é uma reação do organismo que ocorre quando ele precisa lidar com situações que exijam um grande esforço emocional para serem superadas. Quanto mais a situação durar ou quanto mais grave ela for, mais estressada a pessoa pode ficar, porem, há meios de se aprender a lidar com o stress de modo que mesmo nos piores momentos o organismo não entre em colapso.

O estresse é uma condição humana natural e, em grau mínimo, é importante e necessário para a vida “popularmente, as pessoas falam em matar um leão por dia, é com certo grau de tensão/estresse que criamos condições para sobreviver, que temos ânimo e coragem para trabalhar e para enfrentar as diversas situações do dia-a-dia”.

Por outro lado, condições desfavoráveis, sejam elas do ambiente profissional, familiar ou social, podem levar a um grau “negativo” de estresse, que desequilibra todo o organismo humano, propiciando o aparecimento de diversas doenças. Conforme ressalta especialistas, com o nível elevado de tensão, o corpo sofre com grandes movimentações fisiológicas, entre elas o aumento da adrenalina no sangue, alterando os sistemas que compõem o organismo, como digestório, imunológico, circulatório e respiratório.

Um estudo publicado pela European Heart Journal, por exemplo, constatou que empregados que sofrem de estresse crônico têm 68% mais chance de desenvolver doenças cardíacas. Além disso, diversos levantamentos garantem que o problema aumenta o risco de desenvolvimento de cânceres e até mesmo doenças oculares.

“Sabemos que o grau de estresse é prejudicial quando começa a interferir no equilíbrio do corpo humano. E dois sinais importantes da saúde são o sono e a alimentação.

Quando essa tensão compromete o sono, causando hipersonia ou insônia, e a alimentação, levando a um apetite exagerado ou a inapetência, o estresse está a um nível preocupante”, alerta psicólogos, acrescentando que nenhuma pessoa está livre do problema, já que até bebês podem sofrer de estresse.

É possível fazer a prevenção e o controle do estresse, que, tem fatores desencadeantes muito similares aos da depressão. Para isso, a precaução do problema deve seguir as regras da OMS, que entende como saúde o bem-estar biopsicossocial e espiritual.

Assim sendo, a recomendação é aliar lazer, trabalho, alimentação saudável, exercícios físicos regulares, descanso/sono suficiente, ambiente familiar favorável (harmonioso, em que a pessoa se sinta amada), além da fé. “O lado espiritual é uma faceta importante, pois uma série de coisas transcende a possibilidade clínica.

A medicina não foi criada para imortalizar as pessoas, e sim para protelar a vida com a melhor qualidade possível”, eu defendo e acredito. Sendo assim li em algumas matérias informando a receita da saúde perfeita. “Devemos seguir uma lógica que para o homem ser perfeito, ele precisa ter 25% de criança, pela espontaneidade; 25% de adolescente, pela virilidade; 25% de adulto, pela maturidade, e 25% de idoso, pela experiência e sabedoria”.

Todo estresse só é negativo quando se torna excessivo. O problema é que na maior parte das situações do dia-a-dia as pessoas são tomadas por tantas preocupações que o estresse em excesso tem se tornado um problema comum dos tempos de hoje.

Mas sabia que esse tipo de nervosismo pode ser prevenido com algumas mudanças simples no seu cotidiano? Pequenos hábitos, como respiração e mudanças no dia-a-dia ajudam a controlar e evitar o problema.

A Associação Americana de Psicologia (AAP) recomenda algumas formas de reduzir o estresse:

Identifique o que causa estresse, monitore seu estado mental ao longo do dia. Quando você se sentir estressado, escreva o motivo, ao longo dos dias, será possível perceber um padrão e evitar estas situações.

Construa bons relacionamentos, lidar com pessoas pode ser uma fonte de estresse, mas passar momentos com quem você ama e se sente bem pode aliviar esse sintoma.

Ande, quando o estresse toma conta de você, é possível que você sinta vontade de reagir às situações de maneira impulsiva, colocando muito a perder. Por isso, o que a AAP recomenda é andar antes que isso aconteça.

Descanse bem, seu sono está realmente acabando com todo o cansaço do seu dia? Segundo com a pesquisa da associação, quase metade dos adultos estressados ficam acordados à noite. Para facilitar uma boa noite de descanso, não tome bebidas com cafeína e remova as distrações do seu quarto, como televisão e computador, é recomendado ter uma hora certa para dormir.

Busque ajuda, se nenhuma destas alternativas ajudar, não demore em procurar um psicólogo ou psiquiatra. Eles poderão ajudar a identificar situações que contribuem para seu estresse crônico e traçar um plano para combatê-lo.

O estresse não está categorizado na classificação internacional das doenças.

O que se observa, porém, já há algumas décadas, é que ele está presente nos consultórios dos médicos de diversas especialidades, cardiologistas, pneumologistas, endocrinologistas, clínicos gerais, psiquiatras. Isso leva a crer que, em breve, haverá uma modificação no Código Internacional de Medicina e ele será considerado uma categoria diagnóstica, atualmente, é classificado como uma síndrome que afeta vários órgãos.

Não é raro a pessoa procurar um médico, ser examinada, fazer exames e ouvir: “Isso não é nada. É só emocional”.  Ora, se é emocional, é alguma coisa.

Não é sensato esperar que as doenças se instalem (hipertensão, lesões nas coronárias, hipertrofia cardíaca) para tomar uma providência. Se existe um fator emocional que está desencadeando o desconforto, ele precisa ser valorizado. Nesses momentos, é sempre bom perguntar o que pode estar favorecendo o aparecimento dos sintomas, aquilo que é estressante para um indivíduo, pode não significar nada para outro, a reação de cada um está vinculada à genética, ao temperamento, à personalidade, à maneira de perceber e assimilar as situações.

É bom lembrar que não existem problemas sem solução. Basta que nos empenhemos em encontrá-la.

Nem sempre aparece a solução ideal, a que gostaríamos de alcançar, mas temos de aceitá-la, seja ela temporária ou definitiva.

Olá fiéis leitores, como em algumas patologias mais complexas e para um bom entendimento peço que aguardem mais colunas relacionadas ao estresse, desde já muito obrigado e até nosso próximo capítulo, forte abraço.

(*) O autor é graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista Crefito-3/243875-f Especialista em Fisioterapia Geriátrica pela Universidade de São Carlos e Ortopedia.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

 

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